quarta-feira, 6 de julho de 2016

no conhecimento está a chance de libertação



Aos leitores remanescentes deste blog, deixo, mui carinhosamente, este primor. Isto é um presente. Não meu, evidentemente. Mas um presente do Sr. Leandro Karnal (a quem não apresentarei, pois, estou certo, o tipo de gente que -- ainda -- me lê sabe bem de quem se trata). Vale cada um minuto daquele momento em que você puder parar para ouvir, para escutar.

A mim, em particular, tocaram profundamente as respostas dadas pelo professor à sequência de três perguntas que vai do minuto 1:07:37 ao minuto 1:12:10. Neste momento da minha vida, apenas ouvi-lo dizer o que eu nem saberia expressar (óbvio) quase me fez chorar aqui.


domingo, 26 de junho de 2016

não contém spoilers

Quando, uns anos atrás, eu perdi a capacidade de me concentrar, o primeiro exercício que me passaram pra me recuperar foi tentar assistir um episódio completo de uma série qualquer (não conseguia manter uma conversa de cinco minutos na época). A ideia era que eu assistisse um episódio de 20 minutos, comum em muitas séries, mas eu resolvi tentar além; Escolhi, então, um de uma hora de duração. Na verdade, escolhi “Game of Thrones", porque muita gente falava dele, mas fui bem na má vontade, pois "fadinhas, dragõezinhos etc", não tinha a menor cara de coisa que pegasse minha atenção, sobretudo quando eu, clinicamente, não tinha nenhuma.

Basicamente, a série me ganhou ali, no primeiro episódio mesmo. E eu assisti mais um. E mais um. E antes até que eu ficasse 100% bom de novo eu já tinha terminado de ver três temporadas. E desde então é sempre aquele prazer (muitas vezes, literalmente) de assistir cada episódio que só quem acompanha a história sabe como é.

Eu amo tudo na série (OK, alguma perucas não me descem), tenho lá meus personagens favoritos, alguns deles conseguiram a façanha de sobreviver até hoje... mas não é do enredo, das tramas, das Casas, dos homens e mulheres lindas, ou dos dragõezinhos que eu quero falar (porque certamente já se falou de TUDO o que há pra se falar sobre "Game of Thrones"). Na verdade é só uma coisa que me ocorreu assistindo o último episódio e, na falta de redes sociais pra dar minha digníssima e importantíssima e relevantésima opinião, lembrei que tinha um blog e decidi comentar aqui:

Sem nenhuma espécie de militância na pergunta (e sem nada contra a militância também, bom ressaltar): Por que raios "Game of Thrones" reproduz a discriminação racial que (infelizmente ainda) vemos no mundo real? A série tem dragões, gente que sobrevive ao fogo, mortos que ressuscitam (mals aê Igreja Católica. Deus; tô só comentando!), enfim, tudo se passa num mundo de fantasia, por que cacetes têm então que praticamente todos os seus personagens serem brancos?

Não há uma motivação lógica pra isso. Você fazer um filme sobre o Brasil do século XVIII e ter os poderosos de então brancos e os escravos negros, OK, faz parte (não que inverter isso num filme, ainda que fosse sobre o século XVIII mesmo, não fosse ainda mais eficaz na mensagem, eu penso). Mas em "Game of Thrones", não seria essencial que todos os protagonistas fossem brancos. Seria absolutamente indiferente pra trama se os Starks fossem interpretados por atores negros. Ou se os fossem os Lannisters. Ainda melhor, imagina que linda uma Khaleesi negra (ainda que tivesse cabelos dourados). Imagina se todos os personagens fossem negros!

Salvo engano, só consegui lembrar de dois negros, basicamente os ex-escravos, aliados de Daenarys. No máximo, tinha lá o moço dos oi furado, interpretado por um ator latino. De resto, geral branca, bem branca, muito branca. Não precisava, né?

Nem eu mesmo leio mais meu blog, então muito certamente não haverá uma enxurrada de críticas de fã maluco de GoT (sim, eles existem e são piores que fãs de Madonna). Eu só quis comentar mesmo. Se por acaso houver algum fã-não-maluco que saiba de alguma explicação (inclusive óbvia, vamos lembrar que eu tava negoçado quando comecei a assistir) pro fato das personagens da série serem predominantemente caucasianas, please, me conta aqui.

Beijo procês, bom final de temporada hoje. 
E até o próximo post, a qualquer mês desses.