terça-feira, 26 de junho de 2007

ai, Salma...


Acho que ainda não mencionei neste blog a minha relação com o meio de comunicação chamado revista. Quem me conhece sabe o quanto eu gosto dessa coisa e o quanto ela significa na minha história. Eu ainda não tenho muitas, mas minha modesta hemeroteca já conta com cerca de 700 exemplares, dos mais antigas aos mais recentes. Mas sobre revistas e o que penso delas eu vou escrever outra hora.

O fato é que pra manter tanto papel conservado eu tenho que fazer uma limpeza de vez em quando. E nesses momentos de arrumação de revista eu sempre acho alguma pérola, alguma coisa divertida, surreal ou no mínimo curiosa.

No ultimo faxinão que fiz (OK, foi hoje), eu encontrei uma carta de leitor que eu adoro. Aliás, adoro a seção de cartas. Já tive quatro minhas publicadas (êêêêê, graaaaande feito). Anyways, achei uma edição da estadunidense Vanity Fair (revista que eu adoro), de abril de 2003. E nessa edição foi publicada uma carta de ninguém menos que a atriz Salma Hayek, que me levou a concluir dois pontos:

PRIMEIRO: Sempre há como alguém ficar mais bonito. Sim, porque quando eu vi a Salma a primeira vez, em “Um Drink no Inferno”, eu pensei “Deus do céu, essa mulher não tem como ficar mais bonita não”. Pois, sim, depois de ler a tal carta eu passei a achá-la mais bonita.

E SEGUNDO: Idiotas realmente deveriam sumir da Terra. Eu imagino o ódio que a tal colunista da revista ficou quando leu a carta da Salma.

Bom, eu vou postar o texto da atriz e uma traduçãozinha minha. É claro que a tradução empobrece toda a história, porque tem toda uma coisa das línguas, mas eu tenho que quebrar o galho dos meus leitores que não falam inglês. Também tem umas questões culturais (a relação de patrões estadunidenses e prestadores de serviço latinos) que são mais compreensíveis para quem já esteve nos Estados Unidos. Mas, enfim, a idéia geral de que quem se acha muito foda, muito melhor que os outros, no fundo, no fundo é um boçal fica clara pra qualquer bom entendedor.

Divirtam-se. E pode deixar que quando eu achar outras pérolas eu ponho aqui.
!Besos Hermanos!


CARTA NO ORIGINAL:


NOT-SO-DEAR Damn Edna (oops! my English is not so good): I’m sure you think that you’re funny – maybe sometimes you are, but I wouldn’t know. However, your humor in the February issue of Vanity Fair brings me to the conclusion that you’re only funny-looking.
A victim of your column was interested in learning Spanish, and your response was “Who speaks it that you are really desperate to talk to? The help? Your leaf blower?” The great irony is that I am on the cover of the very same issue of Vanity Fair.
As for your statement that there is nothing in our language worth reading except Don Quixote, and that García Lorca should be left on the intellectual back burner, you could not be more sadly mistaken. What belongs on the back burner are your ridiculous long fake eyelashes, which are clearly keeping you from reading the sublime writings of Nobel Prize winners such as Gabriel García Márquez, Octavio Paz, and Camilo José Cela, to name but a few.
If I were you, I would start talking to the help and the leaf blowers; it seems to me they have a lot to teach you.
SALMA HAYEK
Los Angeles, California




O HUMBERTO TRADUZ:

NÃO-TÃO-QUERIDA Droga de Edna (oops! meu inglês não é muito bom): Estou certa de que você se acha engraçada – talvez seja às vezes, mas eu não saberia quando. De todo modo, seu humor na edição de fevereiro da Vanity Fair me leva à conclusão de que você só parece engraçada.
Uma vítima da sua coluna estava interessada em aprender espanhol, e sua resposta foi “Quem é o falante de espanhol que está te deixando desesperado pra aprender a língua? Os serviçais? Seu catador de folhas?” A grande ironia é que eu sou mexicana, eu falo espanhol e eu estou na capa da mesmíssima edição de fevereiro da Vanity Fair.
Com relação à sua afirmação de que não há nada em nossa língua que valha ser lido exceto Don Quixote, e de que García Lorca deveria ser deixado junto com o lixo pra queimar, você não poderia estar mais lamentavelmente enganada. O que deveria ser jogado fora são seus ridículos cílios falsos, que estão claramente impedindo você de ler obras sublimes de vencedores do Nobel de Literatura como Gabriel García Márquez, Octavio Paz, e Camilo José Cela, para citar só alguns.
Se eu fosse você começaria a conversar com os serviçais e com o catador de folhas; me parece que eles têm muito a lhe ensinar.

SALMA HAYEK



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