quarta-feira, 25 de julho de 2007

Humberto Gaudêncio responde

Humberto, qual o momento certo para enlouquecer de vez, virar a mesa, apertar o botão do foda-se e ser feliz por outros meios? Quando sabemos que este momento chegou?

Então você quer saber quando é que se deve “chutar o balde”? Hum...Berto! Sua pergunta me lembra uma conhecida, que uma vez estava tão fula com tudo e tão decidida a mandar tudo às favas que, na raiva, disse que ia “Sutar o balde”.

Mas, então, meu caro, o que posso lhe dizer?

Em primeiro lugar, eu não sei se sou a criatura mais apropriada pra dar conselhos aos outros...bem, mas é mais ou menos a isso que o blog se dedica, né? E se você ta procurando explicações aqui... e whatever também, tem muito tempo que ninguém pergunta, odas, vamos aos pitacos.

A vera é que eu já chutei alguns baldes. Na verdade, muitos. E repensando todos eles, cheguei à conclusão de que meu santo é forte mesmo, porque todos esses chutes foram a atitude mais certa. Na maioria dos casos, abri caminho para outros cagões que só tiveram coragem de fazer o mesmo depois que viram que deu certo pra mim. Fui pro Texas sem dinheiro...Troquei o pão de sal pelo integral...saí daquele lugar onde todo mundo queria estar porque não sabia como era de verdade...

Essa chutada de balde de que você tem dúvida é um pouco como relacionamento (opa!, vai que seu caso É de relacionamento?!): Se você já chegou num ponto em que está se perguntando se vale a pena “chutar o blade” é porque está na hora de “chutar o balde”. Talvez só lhe esteja faltando coragem, fióte, ou talvez você precisa de que alguém concorde que “virar a mesa” é uma boa – talvez pra dividir ou passar pra esse outro a responsabilidade de uma decisão que é só sua. [Pronto, virei o Antônio Roberto. Jesus toma conta! Da próxima vez vou pedir consultoria da minha amiga Sheilla, que é psico (loga!) de verdade].

De vera de novo, pára e escuta aquela vozinha lá no fundólio, aquela que normalmente você prefere não ouvir. Se ela disser que o canal é apertar o fodas pra ser feliz, pode apertar. Aliás, na sua própria pergunta você fala em “ser feliz por outros meios”. Bom...se você já sabe que por outros meios vai ser feliz...já é um ótimo começo, é ou não é?! Eu sinto na sua pergunta que você já tem a resposta. Ou seja, mais uma vez eu insisto que você tá precisando só de alguém que concorde com você que é hora de trocar de barco. E, ó, só de pensar nisso você já tá sendo corajoso, você já não tá agindo no automático. Você já tá agindo!

Meu pitaco pra você é: Repense o que te faz feliz, mesmo que seja necessário coragem para admitir o que te faz feliz, mesmo que seja diferente daquilo que te disseram e dizem toda que te fará feliz. “Chutar o balde” é ozo, costuma doer, mas se realmente te fizer feliz, o pior que pode acontecer é você passar a ter um bando de despeitado à sua volta. E se você resolver tentar, esteja preparado pra tudo, pro pior e pro melhor (a minha experiência pessoal é de que mudança é sempre pra melhor). No mais, você me parece já bem grandinho pra lidar com suas decisões.

E só pra fechar, vai aí um trecho do livro que estou lendo agora (Diário do Farol, de João Ubaldo Ribeiro, p.202). Aliás, tô devorando, acabo daqui a pouco. Aliás, você deveria ler também. Aliás, todo mundo deveria, é ótimo (Tive sorte com os livros dessas férias, graças a Deus). Enfim, acho que esse trechinho dá sustentação ao que eu disse:


“A vida é vitoriosa não quando se tem o que se costuma ver como bênçãos, ou seja, beleza, dinheiro, honrarias e assim por diante. Essas coisas podem perfeitamente conviver e até entrar em simbiose com a mais completa infelicidade. Elas não representam uma vitória, por mais que seus detentores e os que erroneamente os invejam queiram pensar assim. A vida é vitoriosa quando se satisfaz o que de fato há em cada um de nós, aquilo que de fato ansiamos e quase nunca nos permitem, nem nos permitimos, reconhecer. Preencher essa satisfação é uma tarefa cumulativa, em que a preparação é, por assim dizer, permanente.”

Boa sorte doidão.


P.S.: A ilustração é do www.juniao.com.br.
P.S.2: Gente, o cara não me perguntou se deve ou não ceder o fiófis, caso alguma mente mais poluída tenha entendido isso. :)
P.S.3: Não “chutei o balde” uns dois meses atrás, não mandei a véia Bento Carneiro à merda como ela merecia (apesar de saber que ela já está na merda) e me arrependo até hoje. Mas outra hora eu suto, pode deixar!

2 comentários:

Anônimo disse...

Chuta o balde mesmo, eu a cada dia que passo derramo um pouquinho a água do balde.
Vá devagar, pois nem sempre é fácil olhar e admitir que certas atitudes não nos fazem feliz.
Bom Chute.

Anônimo disse...

Não reclame da falta de perguntas, pois agora fui podada de fazê-las.
Você sabe quem sou eu!