quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

chegou, chegou, tá na hora da alegria

Anos e anos e aaaanos esperando para poder ser chamado oficialmente daquilo que eu sempre soube que seria. E chegou a noite em que isso aconteceria. E não teve graça nenhuma, nenhuma. Criança deveria ser proibida de sonhar em ser alguma coisa. Aquela malfadada pergunta “o que você quer ser quando crescer?” deveria ser banida. Na verdade, não teve graça por um lado, mas teve por outro.

Ontem aconteceu lá naquela (prost)instituição, onde paguei quatro anos por um ensino que não recebi, a “fôrma dura” dos alunos que não quiseram pagar também por uma “fôrma dura” cheia de viadagens etc. Foi hilário.

Pra começar, eu saí de casa como quem vai à padaria. Só comprei uma camiseta com um “Leave Me Alone” porque realmente achei que estaria no pior dos humores. Enfim, cheguei lá e dei de cara com uma pobre vestindo sua beca. KKKKK, Jesus toma conta, gente, não tem dinheiro pra pagar a formatura bunitinha, não inventa moda não! Vi dois tatus de beca e, claaaaaaro, tinham que ser de Comunica(feta)ção Social. Havia formandos (incrivelmente feios) de outros cursos também.

Eu encontrei vários colegas, na verdade conhecidos, do meu curso, que foram ali, como eu, só pela obrigação mesmo de colar o grau e ficar livre daquela josta. Eu confesso que fiquei até com dó porque, querendo ou não, eu já havia formado num curso de verdade, inclusive com formatura cheia de coisa e blábláblá. Pra mim realmente tanto fazia. Mas pro povo, por mais que eles negassem, ( é véio!), sacanagem, era a primeira graduação de todos eles.

Enfim, um sentimento de solidariedade mútua tomou conta de nosco. Até porque só quem foi aluno de professor picareta, só quem pagou o que não tinha, só quem tentou ser sério num lugar que parece o cirquinho da esquina, e tudo isso por no mínimo quatro anos, é que sabe o quanto a gente merecia um parabéns, se não por estarmos formando, pelo menos por termos agüentado firmes até o fim.

Nós todos rimos bastante durante a bobajada. Quem conheceu uma figura chamada Hebert Hilbert (KKKKKK) pode imaginar o que foi ele batendo palma e gritando em tom de declamação “Boa Sorte”, da Vanessa da Mata. KKKKKK, foi podre, mas foi hilário. Fora o feitor ou sei lá o que era aquilo (porque ele obviamente só põe os pés naquele fim de mundo nessas ocasiões), com dois ovos na boca: cada vez que falava algo a gente não conseguia se segurar. Aliás, se os alunos dali já falam como num boteco em sala de aula e na biblioteca por que é que não falariam durante a colação de grau? E a doninha que “organizou” o “evento”? KKKKK!

Obrigaram-nos a assistir uma muxiba dum videozinho prostitucional e o ácido úrico de todos foi às alturas. Mas logo baixou quando veio o Hino Nacional. Eu achei que até minha pressão tinha abaixado também e por isso achei que ia reviver os tempos de (colégio) Carlos Lacerda, quando eu desmaiava religiosamente todas as vezes em que éramos obrigados a ouvir o hino. Não desmaiei não, mas tive que agüentar a cara do povo pra mim – incrível como olham pra mim quando eu não devo rir, parece que todo mundo sabe que eu tenho o riso frouxo nas horas erradas. Sem contar a Tartaruga Ninja à minha frente, batendo pezinho e dedilhando o hino na cadeira, KKKKKKKKK!

Teríamos todos sobrevivido ao circo com dignidade, não fosse a palhaçada que ficou pro final. Como todo mundo ali sabia muito bem como (NÃO) funcionam as coisas no lugar onde estávamos nos formando, até o fim todo mundo ainda temia que algo pudesse dar errado. Quando foram nos chamar, um a um, para finalmente colar o tal do grau eu dei uma zoadinha, fiz um micro-terror e falei com as meninas que o nome de uma delas não ia ser chamado. Aí não chamaram mesmo, o nome de vários de nós, mas depois de uns quase-infartos, demo-nos conta de que chamavam os nossos colegas da manhã primeiro. E aí depois chamaram nossos nomes, fomos pra muvuca, digo, fila de formandos universitários, e mal acreditávamos que estava mesmo acabando quando alguém falou que a Fernanda, uma das nossas colegas, tinha ficado na cadeira: não chamaram MESMO o nome dela. Dá pra acreditar nesse lugar? São ruins de serviço até no final! Sabe aquela história de cagada na entrada ou na saída? Ali a cagada é na entrada, no durante, na saída, no depois, no teto, no chão do banheiro. Deu até dó, a gente ficou mais desesperado que ela, que ficou lá lesada, procurando “alguém” pra resolver aquilo. Fernanda, gata, a solução pra isso tem nome: Processo por danos morais.

Anyways, tirando esse péssimo estar do final, eu até que me diverti. Não resisti e na saída gritei pra que aquele lugar da porra se explodisse. É um mínimo de exorcismo que nós merecemos depois de 48 meses de “o aluno se contradizeu”, “a gente podemos começar a aula”, “o preço do produto é esse, se quiser pagar bem, se não quiser que se dane”, “a mídia põe as coisas na sua cabeça, por isso pobre tem direito de roubar”, “eu pago R$600,00, tenho direito de fazer bagunça na hora da aula”, trabalhos em grupo de 30 alunos, aula de telejornalismo sem televisão, coordenação de brincadeirinha, laboratórios toscos de informática e coxinhas de material tóxico na cantina.

Aos poucos amigos (no plural?) que fiz ali e aos muitos colegas, meus parabéns. Coragem povão, coragem! Parabéns e obrigado principalmente pra Caroline Malho Mello, amiga, que esteve do meu lado desde o primeiro erro da Zaniégua, que me custou uma aula de História no último semestre; que esteve ao meu lado durante o desgaste acadêmico; amiga, que me convenceu a abandonar a turma do mobral; amiga que esteve comigo nas aulas (KKKKK! Aulas?) da Dinomaura, da Vuco-Vuco, do homem de 30 quilos; Carol, que me matava de rir quando chorava nas aulas do Caio (que era ótimo e tem que aturar ela até hoje); Carol, que esteve ao meu lado agüentando cavalos de fogo, yorkshires e fuínhas (sem falar nas váááááárias antas daquela terra lá pra cima); amiga, que quase deixou de ser amiga durante o dejeto excremental; amiga que, como eu, se dividiu em mil estágios, correu atrás de ônibus mais que o Will Smith procurando a felicidade dele no filme; amiga, que estava com o pai internado no hospital e teve que ir lá naquela pirosca “formar”. Carol Malho, estressada como nenhum outro, nem eu, sabe ser, tão incompreendida; Carol Malho e Mello, que assim como eu foi o pavor de uma coordenação que prefere alunos que não correm atrás do que lhes é direito e muitas vezes, óbvio; Carol, rainha da Ouvidoria; Carol dos trabalhos da Franga, das aulas da Kumbaca. Amiga, amiga, PARABÉNS DE VERDADE.

Jornalista eu sempre fui, desde os 14 anos pelo menos. Continuo não convencido de que o tal do diploma para exercer a profissão seja necessário, mas já que exigem, eu já paguei o meu em 48 prestações (caras!). No fim das conta$, melhor que exijam mesmo. Assim não corro o risco de ver peixinhos de Direito ou de Administração ou de Crocodilagem tomarem as poucas vagas que sobram pra quem realmente quer fazer aquilo. Aquilo que gosta e para o qual nasceu.

E o que vem agora, Good Lord? :)

6 comentários:

minidani disse...

hahahah!otemo...
seu retardado, porque que você não me falou que vc ia ontem, se tivesse falado eu aparecia la!hehehe
mas é isso ai, nossa querida pontifícia.
e eu também pergunto:
e agora José?!

Caroline disse...

Amigo, obrigada pelas palavras de carinho e conforto. Torça muito por mim, pois não sei realmente como irei sobreviver sem você no próximo ano.

A única coisa que aquele lugar trouxe de bom, foi realmente encontrar um verdadeiro amigo.

Humberto, o próprio disse...

Dani, se eu soubesse que seria tão hilário tinha chamado todo mundo.
Kérol, fióta, como disse o Hebert, "boa sorte, não sei o que dizer", hehehehe! Coraaaaagem!

Anônimo disse...

Humbert, querido! Que inveja branca de você por ter conseguido a sua tão sonhada "alforria"!
Aquilo lá vai ficar realmente mais feio e mais pobre (se é que isso é possível) agora sem ti. Mas de toda forma, PARABÉNS!! De verdade! Porque só sendo muito guerreiro pra nadar contra aquela maré da PUC São Gabriel até o fim, sem se afogar. Eu continuo nas braçadas. Você é vitorioso, querido! E eu te admiro demais por isso e por tudo o que você faz. O sucesso lhe é bem vindo e a vitória é certa. Aguarde e confie.
Mil beijos da Jana

humberto, o próprio disse...

Jana, gata, vc é realmente uma das pessoas mais agradáveis que já conheci. Please, não suma. Vc é que é um brilho! :)

Leila Castro disse...

Humberto,
como nao li esse post antes! Meu Deus! Adorei a sua espirituosidade e compartilho com vc muitas das palavras e frases ditas aqui. Realmente, lutamos e sobrevivemos. Vencemos as lutas do ciberspaco e as brincadeiras de tirar fotos. E ate do Ridiculo conseguimos ganhar. So com muita fe e forca de vontade mesmo viu? E conseguimos formar a agora tracamos nossos caminhos longe daquele local, que tinha muitas antas que sao dignas de um diva!
Vc eh talentoso e tera sucesso com ou sem esse diploma tabajara! Te admiro muito!
Mil beijos
Leila Castro