quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

doidos por mim

Nunca soube explicar essa atração que eles têm por mim. Eu fico na minha, no meu canto, calado, mas sempre, sempre, se houver um doidinho, um tipo mais abilolado que eu, ele vai puxar papo comigo. Será que o doido sou eu e ninguém me contou?

Era assim quando eu morei no Texas. No lugar onde eu trabalhava. Nas bibliotecas. Mas, sobretudo, era entrar no ônibus, dar uma geral na galera, ver as patizinhas, os boyzinhos da universidade, pra finalmente ver lá no fundo o tipo não-estudante que viria, sim, sentar ao meu lado e desatar a falar comigo. Houve vezes de eu chegar a chorar, de verdade. Porque eu sou um jacu de galocha e eu dou atenção. Então eu converso, aliás, eu escuto, e inclino a cabeça e acabo recebendo a carga de energia da pessoa. Na vera, às vezes em que eu lembro de ter chorado eram quando mais de um tipo doido me pegava pra Cristo ao mesmo tempo, aí eu não dava conta, não. Putamerda, já basta meu mundo maluco, ter que dar conta das maluquices alheias é dose.

Mas sempre ouvi o que os loucões tinham a dizer. E as louconas também. Mas eu acho que eles viam em mim o líder. Só pode ser. Do contrário, se eu, de alguma maneira, não fosse meio como eles eu não cagaria de medo de um deles ser Deus testando minha paciência. Hehehe, sério, era tanto doido vindo prosear comigo nos ônibus texanos que eu ficava com aquela música “One of Us”, da Joan Osbourne, na cabeça (“and what if God was one of us? Just a stranger on the bus trying to make his way home?”).

Fato é que no Brasil o carma prossegue. Ontem baixei no Diamong Goll, aqui em Tubiacanga (aliás, vi lá o sujeito que apelidou esta cidade de Tubiacanga), pra ver “Meu Nome Não é Johnny”, o filminho novo com o Selton Mello (fazendo um piradão...). Cheguei um segundo depois que esgotou a sessão, já tava lá mesmo, esperei mais de duas horas até a próxima.

Observação número 1: Duas horas dando volta num shopping e eu já não sei se os amiguinhos dos ônibus lá no Texas eram mesmo os doidos.
Observação número 2: O filme é bonzinho. Eu fui por sugestão da Mayra (vulgo Jacyra), morrendo de medo de ser outra bosta da Globo Filmes. Mas pode ir ver que é engraçadinho. Aliás, o Luís Miranda está hilário!

Saí do shopping antes de meia-noite e fui pro ponto em frente á Igreja Universal pra pegar meu azulão. Tava lá o Humbertão, na boa, curtindo a brisa da nite, solo no bus stop, quando, claaaaro, chegou o tipinho que iria me alugar o tempo que fosse necessário. Como diria meu amigo Rodrigo Negão, puLLLLLLtaquipariu, o doidinho da vez me torrou a saqueba. Esse além de doido era mala. “Sociólogo” e torrorista! Falou do tanto que o ponto era perigoso, que os pitboys batiam em gente como nós (nós???) ali, que gente como nós (nóóós????) era barrada no Diamong, que a classe média é que era culpada pela violência e todo aquele papinho barato de Boaventura blábláblá... Nossa, nem eu mereço. Já me cansei de muitas coisas, pelo visto não tenho mais saco pros doidinhos, não. Esse nem engraçado era.

No fim das contas chegaram mais duas jovens trabalhadoras no ponto que, aliviadas por não terem sido as “escolhidas”, se compadeciam de minha dor lançando olhares de “Coragem! Força! Sorte aí, hein!”. O doido-mala vazou depois de falar por 54 minutos na minha cabeça (o relógio do JK não me deixa mentir). As mocinhas até falaram depois que ele saiu, me parabenizaram pelo saco de filó e desejaram felicidades. :)

E tudo que eu queria era curtir o silenciozinho da noite fresca. Mais fresca que eu.


P.S.: Bati o recorde de gírias neste post. E vou bater o de P.S.s também.
P.S.2: Adorei o comercial da Motorola que rolou no cinema antes do filme. Toca “Bones”, do Killers, eu amo.
P.S.3: Cheguei em casa quase uma da madruga e ainda assisti ao “Jardineiro Fiel”. Tão lindo o filme, tão linda a Rachel Weiss. Tão bom não ter nenhuma mala falando na sua cabeça quando tudo que você quer é estar solito.
P.S.4: Ainda dentro da série “filmes que só estou vendo agora porque antes fiquei estudando feito um mongol e deixei de ver”, assisti esta semana a “O Diabo Veste Prada” e “Babel”. O primeiro só me fez lembrar dos meus sonhos “revistísticos”: restará ainda alguma micro-esperança? O segundo foi uma decepção: esperei tanto pra ver, achei que fosse óóóótimo como o “21 Gramas” e foi só um filme longo pra cacete, com imagens bonitas, claro, mas com tudo o que há de mais óbvio nesse mundo maluco que a gente vive.
P.S.Final: Quem é louco, afinal de contas, quem pode dizer?

6 comentários:

Polly disse...

Doido? Quem? O que é mesmo esta maluquice?

Eu acredito na Lei da Atração...de alguma forma, meu amigo, você tá atraindo estes malucos pra sua vida...seja pela semelhança, pela paciência ou simplesmente para provar a sua sanidade...rs.

Beijos

Humberto, o próprio disse...

Hum...então eu ando atraindo doidos por causa da lei da atração. O que dizer dos meus amigos mais freqüentes no MSN? Seriam atraídos pela minha loucura tb? Hehehe. Mas eu não conto, não. Este é o meu "segredo" :P

Besos enormes, gata, tks por ter lido aquele post gigante da retrospectiva. Te adoro!

minidani disse...

então humberto...
eu também to na classe que ficou estudando igual mongol e não tinha tempo de assitir filmes tirando Olga, cidade de Deus eAuto da compadecida que eu assistia quase toda semana!hahaha
a gente pode juntar forças, moedas,e alugar vários filminhos da minha lista e da sua e fazer uma sessão!que que vc acha?
desde do ano passado que ta devendo uma visita.
e não!não precisa trazer minha blusa, oferenda a gente devolve pro mar!
CHUTA QUE É MACUMBA!hahahaha


bjs lindo!

Humberto, o de sempre disse...

KKKKKK!!! Mas o "volta pro mar, oferenda" é a frase da semana! Vou devolver, sim, hehehe! E adorei a idéia das fitas! Fechado! Fechado! Fechado!

Helena disse...

Esse post me fez lembrar da Fernanda Reis, outra que definitivamente atrai malucos. Lembra da história do doido que ligava pra ela querendo conhecer o ator do VT do Estado de Minas??? kkkk
Bjs

Humbert disse...

É vero, a Fernanda tb tinha um radar fenomenal! Mas eu não conheço essa história aí não, conta todo!!!