terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

lá vem o pato

Dia desses saíram todos aqui do rancho e eu, justo eu, urbano que só eu, fiquei encarregado de alimentar a bicharada que meu pai cria. Demorei um dia pra achar a comida de patos e galinhas e, por conta disso, tive que perder meu precioso tempo cozinhando arroz pra eles (porque eu não ia dar conta de deixar os malinhas morrerem de fome).

Pra minha surpresa, e breve desespero, achei um pato suicida, com a cabeça enfiada num buraco, morrendo asfixiado. Na verdade, alguma criatura do mal deve tê-lo arrastado até ali.

Aí não deu outra, lá foi o Humberto tratar do bicho. Era um pato jovem, não mais patinho (amarelinho e fofo), mas ainda novo, não era um patão, não. Tirei ele do galinheiro, pus num quarto separado, preparei vasilhinha com farelo e arrozinho, limpei o biquinho que tava sujo de terra, ajudei a comer, ajudei a beber água. O pobre coitado tava mesmo com fome e sede. Fiz até carinho no bendito do pato, vê se pode? Ele ganhou até nome: "Xará".

No fim do dia, como eu ia ficar fora de casa, deixei recado pra que minhas irmãs cuidassem do novo companheiro. Algo assim:

Marmotas,
Achei um pobre pato, com a cabeça enfiada num buraco cheio de lama.
Eu tirei ele do galinheiro porque os outros bichos estavam pisando sobre ele. O coitado precisa de alguém que lhe dê apoio porque como foi muito maltratado não está conseguindo ficar de pé. Mas ele está bem. Só precisa que cuidem dele pra que reaprenda a andar e possa sobreviver.

Moral da história: No fim das contas eu já não sabia de qual pato eu estava falando no recado.


P.S. PREVISÍVEL, MAS LAMENTÁVEL: Xarazinho morreu, nem cheguei a encontrá-lo vivo no dia seguinte. Deve ter sido melhor pra ele, tadinho, devia estar sofrendo demais. Besos.

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