sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

pérola televisiva V ("Duas Bolas")

Eu não sou aquele tipo de brasileiro que renega novela. Eu assisto mesmo. Assisto, mas desde que eu goste do conjunto, claro. Ultimamente, por exemplo, não tenho dado conta de chororô de novela – neeeem, chorou, eu mudo de canal na hora, preguiça danada. Tudo bem, chororô é vital pra novela, mas eu, EU, cansei.

Anyways, como eu disse, meu saco pra novela anda bem cheínho. Eu tenho visto a das seis, “Desejo Proibido”, que, como também já disse anteriormente, é engraçadinha, levinha e tal, não me torra muito (mas o sotaque “mineiro” mega-forçado da Débora Evelyn me torra bastante). Agora, o resto tá difícil. Tá difícil inclusive aquela minissérie nova, “Queridos Amigos”, uma verdadeira querida preguiça (que saudade da Deusuith, ano passado, em “Amazônia”).

Anyways mais uma vez, novelinhas canseiras pra lá, séries malas pra cá, nada supera a novela das oito (ou nove) horas atual, que chamarei de “Duas Bolas”. Sim, porque ela é um SACO! Como pode uma novela ser tããããããããããããããão mala? Putamerda, não pode! A novela é tão chata, mas tão chata que parece até novela no Manoel Carlos (tem até a carismáááática filha dele no elenco!).

É até difícil acreditar que um cara como o Agnardo Sirva, um homem que responde por obras como “Roque Santeiro”, “Tieta” e “Pedra Sobre Pedra”, seja o autor de algo tão ruim.

O vilão dá preguiça. A mocinha (que a gente quase esquece que é a mocinha) dá preguiça. Gente, o par da mocinha é o Marcos Winter, olha que tristeza! Daí tem a Alinne Moraes, linda, mas até a vilã dela chega a dar uma preguiça. E o filho do vilão com a mocinha só podia dar em? Claro, uma criancinha chatinha!

A novela faz umas críticas baseadas nuns estereótipos que, nossa, ninguém merece, não. A crítica à esquerda brasileira é mais hilária que as matérias da Veja. A personagem da Sharon Menezes, que parece ser uma crítica até válida às pessoas que renegam a própria raça, acaba ignorando também a miscigenação brasileira (que, aliás, vai deixando de ser traço cultural do país e se tornando pecado maior a cada dia). Por outro lado, o líder estudantil, provavelmente usado para criticar algumas vertentes do movimento negro, também é ridículo e só serve para criar antipatias a uma causa séria. É tudo tão superficial que chega a ser exageradamente superficial até pra novela.

A faculdade particular da novela (aparentemente a única faculdade no Rio de Janeiro da novela) vive de conceder bolsas pra todo mundo (KKKKKKK, isso é engraçado, eu confesso). A favela inteira estuda lá! E o cabelo da Suzana Vieira, o que é aquilo? E a Renata Sorrah, que é outra mala na novela? Por que não ressuscitaram a Nazaré, de "senhora do Destino", era muito mais legal! Daí a faculdade particular poderia ser aquela que tem aqui em TuBHcanga, lá no Sangaba, e a Naza ia surtar no meio de tanta A.N.. Ai, gente, e a Marília Gabriela?

Pra fechar, vá lá: nada, NADA, é pior na novela “Duas Bolas” que o “romance” entre as personagens do Antônio Fagundes e da Flávia Alessandra. Ai, dá preguiça, dá nojinho, é meloso, é muito nada a ver, é o fim completo! E o jeito que começou, algo tipo o cara quis a mocinha que dançava no poste, ela então teve que se apaixonar por ele. Aí não dá, né?, não há defesa que se possa fazer a novela nenhuma com um enredinho fraco como esse.

Enfim, é muito chata. Eu até agradeço. Porque aí fica mais fácil partir pra outras atividades mais interessantes, que poderiam ser facilmente listadas por meus leitores. Semana passada, por exemplo, resolvi reler meu livro favorito, “Dom Casmurro”, também chamado por mim de “Dom Cassoco”, do Machadão.

De todo modo, como disse, eu gosto de novela, de novela boa, com trama bem desenvolvida, boas atuações. Quem não gostava da Bebel, de “Paraíso Tropical”? Ou da Perpétua, de “Tieta”?

Vejamos o que virá. Ou não.


P.S.: Não custa fazer uma ressalva positiva: Marília Pêra, como sempre, está um espetáculo. Vá lá, há atores e personagens que se esforçam, como a Debora Falabella, o Lázaro Ramos, sempre bacana, e as novatas Cris Vianna e Juliana Alves, que interpreta a Gislene. Mas no geral, a novela é um saco mesmo, não há escapatória.

4 comentários:

Caroline disse...

Adorei a parte da faculdade. No entanto, eu é que não daria conta, pois seria muita anta junta.

Abs.

Lila disse...

É, a novelinha é das piores realmente...
Mas a Marília Pera tb não me convence, é muito teatral pro meu gosto...Abraço!

Emanuelle disse...

Ai, sei q tô meio atrasada no comentário sobre o post, mas tenho q falar!! Tá vendo como é péssimo ver seu sotaque interpretado de forma terrível, forçado e erradão na TV?? KKKKKKKKK!!! Nossa, eu tenho um treco cada vez que ouço algum ator fazendo sotaque de baiano!
Putz, sua forma de descrever a "Duas Bolas" não poderia ser melhor! É exatamente isso! Ninguém merece meodeos, eu num guentoooo!!!
Série boa mesmo foi a "Haru e Natsu" que terminou hoje e estava sendo exibida na Band. Entre "Haru e Natsu" e "Queridos Amigos", que passam no mesmo horário, fico com a primeira. Axé!!

Humberto, o que assiste só pra analisar disse...

KKKKKK, Manu, eu sou testemunha de que seu sotaque NÃO parece o de paínho nenhum de novéla báeana da Gróbis! Ninguém merece esses estereótipos "grobais". Eu acho que a mineirinha da "malhação" (NÃO ASSISTO, VI DE RELAAAANCE!!!!!) tem um sotaque familiar, mas ela anda carregando no acento ultimamente (Oops! NÃO ASSISTO MESMO, vi de relance ultimamente!).