quarta-feira, 26 de março de 2008

pérola televisiva VIII (loucura, loucura, loucura)

Já mencionei aqui mil vezes o quanto televisão no final de semana é o que há em matéria de ó do borogodó. Também já confessei que acabo vendo alguma porcaria dessas de vez em quando (do contrário não poderia dizer que são o ó do borogodó). Mas pra mim o pior mesmo é quando um desses ós do borogodó quer dar uma de "consciente e preocupado com a inteligência e a educação do povo". Sinceramente, andei tentando ver o tal do quadro Soletrano, no programa do Luciano Duck, mas é osso.

A começar pelo próprio Luciano Duck. O sábio Caio, cérebro de verdade que tive o prazer de conhecer há um tempo, disse ontem o que há pra se dizer sobre o apresentador. Mas cabe acrescentar: é um tanto podreira ver essa versão 2000 do Sílvio Santos (não pelo carisma, mas pela "preocupação" com os despossuídos). Não é possível que eu seja a única pessoa neste país que se incomoda em ver um cara que nasceu e cresceu em berço de ouro (logo nem sonha em como é ser duro) e teve todas as oportunidades do mundo tirando sarro, digo, ajudando pobrinhos e miseráveis a conseguir um trocado pra construir um puxadinho. É assim que se dá oportunidade às pessoas? Isso é ser socialmente engajado?

Anyways, mas o tal do Soletrano é de lascar. O quadro é uma dessas imbecilidades importadas dos Estados Unidos, claro, e premia o aluno brasileiro que melhor soletrar palavras que ele nunca vai usar. É isso aí, é assim que se incentiva o desenvolvimento da educação no Brasil! Saber escrever pudibundo, mesmo que você não entenda o que significa e mesmo que isso não ajude no seu raciocínio, faz de você uma pessoa mais inteligente, minha criança!

Enfim, esse culto ao analfabetismo funcional é uma tristeza. Eu fico imaginando os debates acadêmicos a respeito (bem, não devem ser muito mais produtivos também, não). Se a gente já se horrorizava com o Pascoale Sifu Neto na lá na FaculdadeLetras, imagina com esse concurso escroto agora.

É preconceito racial, preconceito de gênero, de classe... Agora ainda por cima ganha espaço o preconceito lingüístico. Esses programas de TV "bonzinhos" deviam optar logo entre ser puro entretenimento, e parar de explorar a pobreza e a ignorância alheias, ou usar o espaço que têm pra fazer alguma coisa realmente relevante para este país.

É osso.

P.S.: "Seu Luciano, Osso? Ô (com sotaque de paulista, mesmo que a criança venha do Piauí e seu "O" tenha som de Ó)... Cê Cêdílha e (dez minutos depois) U!" Passei?
P.S.2: Só pra esclarecer: Nascer e crescer rico não é demérito nenhum, não. Muito pelo contrário, é uma bênção.

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