terça-feira, 4 de março de 2008

é sua?

“Semana da mulher”! Hum, bacana. Eu fico pensando o que é das mulheres nas outras cinqüenta e uma semanas do ano. Mas deixa pra lá, vamos guardar essa dúvida pra depois.

De todo modo, até sábado, sempre que eu postar, vou falar de mulheres. Vou tentar não falar das mesmas de sempre. Eu vou escrever esta semana para as leitoras, esperando mesmo que as bobagens que eu penso sirvam pra alguma coisa. Não sou mulher (e, desculpa, mas não quero ser), não sei o que é ser mulher, mas gosto de mulher e convivo com um monte (pelos coments aqui no blog deve dar pra perceber).

Enfim, vamos ver se a discussão vai rolar.

Eu vou começar falando de Deize Tigrona. “Humberto, você pirou de vez?!”, dirão as que conhecem (ou acham que conhecem) a Deize. “Deize o quê?!”, dirão outras e ainda terão umas outras que perguntarão "Deize com 'Z'?!".

Deize Tigrona, a funkeira carioca. Você já deve ter ouvido falar muito de Tati Quebra-Barraco, mas talvez nunca tenha ouvido falar de Deize. Bom, meus posts já são imensos, não vou fazer este ficar maior dando uma biografia da moça. Eu sugiro, contudo, que você dê uma olhada numa matéria super bacana que saiu há uns anos na TPM. Garanto que depois dela seu olhar sobre uma cantora (de funk!) que tem um nome desses já será menos preconceituoso.

Quando eu penso na Deize e penso na questão da mulher eu penso logo é na letra de suas músicas. É chocante pensar que no século XXI ainda seja muito chocante ouvir uma mulher cantar não apenas suas aventuras sexuais como cantar uma segurança sobre sua sexualidade. De verdade, queridas leitoras, quantas de vocês soltariam a voz, sem vergonha, para dizer algo como:

“Eu vou te dar um papo
Vê se pára de gracinha,
Eu dou pra quem eu quiser
Que a porra da buceta é minha
É minha, é minha
Hehehe, perdi 80% das leitoras agora. Mas tudo bem. Eu fico orgulhoso dos outros 20% que, no mínimo, estão se perguntando “Por que o 50 Cents pode falar essas coisas e a Deize não?” ou ainda “Por que homem não apenas pode como TEM que gostar e falar e contar vantagem de seu órgão e de sua vida sexual e mulher não pode de jeito nenhum?”.
A sexualidade feminina ainda é algo tido como pecaminoso, vexatório, sujo, algo que deve ser delicadinho e, sobretudo, escondido – Justamente por isso continuo achando que a revista Nova, e sua obsessão pelo tema do sexo, continua sendo nova, sim (muito embora a abordagem da revista acabe sempre priorizando o prazer do homem). Personalidades como Deize, portanto, ainda são muito discriminadas, na mídia, por exemplo. Você já viu a Deize no sofá da Hebe? No “Domingão do Faustão”? No “Roda Viva”? Já viu a Deize dando entrevista em algum desses programas “femininos” que só ensinam a mulher a cozinhar para a família?

Não viu nem vai ver. Porque mesmo sendo mãe, sustentando um lar e sendo uma cantora popular bem sucedida, Deize falando (e cantando) significa liberdade demais para a mulher. Significa uma vida sexual sem tabus para a mulher – e, por isso, significa o fim da humanidaaaaaaade!

Fica aí, então, o exemplo da Deize. Só pra você pensar. Aproveita e pensa também em por que ainda tem tanta mulher que não chega ao orgasmo, por que tem mulher que não se masturba, por que ainda se fala de como a Luciana Gimenez “estuprou” o indefeso Mick Jagger. Pensa no quanto uma mulher como Leila Diniz deve ter sido odiada nos anos 60. Por fim, pensa também no quanto a própria mulher ajuda na perpetuação dos preconceitos contra as mulheres.

Enfim, gatas, troquem o Jay-Z pela Deize. :)
Beijos pra todas, perdão se fui longe demais na maionese desta vez.


P.S.: Dica de vídeo! Assistam “Mulheres Perfeitas” – com um espetacular elenco que tem Bette Midler, Glenn Close e Nicole Kidman. Eu sei que as mais atentas entenderão o recado direitinho e ainda rirão um pouco. Mais besos!

6 comentários:

Caroline disse...

Amigo, veja o exemplo da Natália do BB. Agora, ela é a errada da vez, enquanto o "Machão" estava completamente certo.

Depois que eu li a matéria da revista TPM passei a ter outra opinião sobre a funkeira, mas mesmo assim não gosto deste tipo de música, pois quando "mulheres" dançam funk ainda sim não prestam atenção na letra e colocam o homem no centro das atenções.

Lila disse...

Humberto... Realmente acho que as mulheres são as principais culpadas por tanto machismo, assim como os negros são os maiores culpados pelo preconceito contra eles... mas não vejo com bons olhos tamanha "sensualidade escancarada" como nesse funk, assim como um homem falando, cantando e agindo sem "maiores pudores" também não chamaria minha atenção... O grande erro das mulheres é querer igualdade de direitos no que diz respeito à trabalhar fora, salários iguais e tal, só que esquecem de tratar os machões de dentro de casa de maneira igualitária tb, eles têm que adquirir uma postura diferente como ajudar nas tarefas domésticas e cuidados com os filhos... Hoje a mulher, trabalha fora, trabalha em casa e se dopa de antidepressivo!!! Super-mulheres só robôs como no filme sugerido... Abraço

Polly disse...

Nem é segurar bandeira de direitos iguais, nem querer ser feminista ao extremo, mas talvez um pouco moderna perto de algumas mulheres que ainda conheço nos dias de hoje:

"O que importa mesmo é assumir o que se quer, saber o que se gosta e agir de acordo com tudo isto...sem mesmo de expressar e muito menos sem a obrigação de fazê-lo somente para agradar um homem. Mais vale agradar a si mesma e ser feliz"

E nesta Semana da Mulher, penso a respeito dos homens: dá-lhes os que já têm coragem para ter uma mulher "moderna" ao lado!

Humbert disse...

Lindo, assim que eu gosto! A discussão foi gerada e as maiores interessadas falaram. Muito bom! Como disse, não posso responder pelas mulheres, porque não sou uma, mas fico feliz que as coisas sejam repensadas. Muito bom mesmo.

Quanto ao funk, ao palavreado utilizado e tal, eu compreendo que ainda leva tempo pra assimilar ou mesmo que não se assimile. Música depende mesmo do gosto de cada um. Mas é aquela história, "candy shop" do 50 Cents tocou horrores no rádio. Alguém arriscaria tocar as músicas da Tati ou da Deize? Não, né? Mas mundo afora tocou muito a M.I.A., cantora gringa que sampleou música da Deize.

Enfim, fiquei muito feliz com a repercussão do post.

Carol, você adivinhou o tema do post de hoje, Polly, você sensata como sempre e Lila, prazer ter você como nova leitora (comente sempre).

Abraços pra todas!

miniDani disse...

A.M.E.I
a dica do filme também é muito propicia para a ocasião!
as mulheres tem muito o que conquistar ainda...
sem contar que o 8 de maio nãé uma data tão feliz assim, não sei se sabem, mas foi inventada para aliviar a tragédia de mais de não sei quantas mmulheres queimadas em uma fabrica de tecidos...
não sei da história direito, mas quando souber direitinho, estará la no meu blog...
inte e...
feliz dia da mulheres para todas

Heron Xavier disse...

Que post antigo! Adorei o texto.