terça-feira, 9 de setembro de 2008

mulheres do século XXI, revistas femininas do século XX

Mês passado eu comprei, por mero equívoco, a TPM. Li a entrevista principal e achei interessante destacar duas perguntas e respostas da entrevistada. Dá uma olhada:


Você teve filho sem estar casada? Como foi isso?
Nunca fui casada com o pai da minha filha. Hoje ele é um grande amigo e também o homem mais importante da minha vida depois do meu pai. Acho curioso como uma situação tranqüila e até comum hoje em dia ainda precise de uma qualificação. As pessoas não dizem “mãe casada”, “mãe viúva”, “mãe separada”. Sou mãe, como todas as outras. Aliás, segundo a minha filha, muito melhor do que todas as outras.

Pessoas que dão clara prioridade ao trabalho, como você, conseguem manter um relacionamento?
Depende do modelo. Já cheguei a acreditar que trabalhar muito era só uma fase da minha vida. Uma vez falei isso para um namorado e ele disse: “Você sempre vai inventar coisas para fazer que te ocupem desse jeito”. E é verdade. Vou levando a minha vida assim. E, quando tenho uma relação mais tradicional, fica difícil. Então, não dá. Tem que ser em outros moldes.


Achou que era a Xuxa falando da Sasha? Imagiiiiiiina! Você acha que a TPM, super moderninha e antenada com as mulheres que saem na frente, ia entrevistar a Xuxa e perguntar sobre a peitada que ela deu na Sociedade Patriarcal em 1997? Não, a TPM esperou até 2008 para entrevistar a Mônica Bergamo.

Eu não entendo a TPM, juro que não entendo. Se apresenta como a alternativa às revistas femininas, mas nas entrelinhas acaba sempre reforçando um papelzinho contido e “no seu lugar” para a mulher.

E viva a Nova, escrota, com capas toscas, mas (muuuuuuito nas entrelinhas) tão ousada quanto era quando foi lançada em 1973.

Durma-se com um barulho desses.
dd

3 comentários:

Caroline disse...

Amigo,
Para sociedade mudar e principalmente as mulheres, só nascendo novamente.
As vezes eu mesma fico me perguntando o que será da minha vida. E vc sabe que não será fácil rsrsrs...

Abs.

Sarah disse...

A sociedade é muito hipócrita, não tem jeito, mesmo em casos onde não há o que falar de alguém, se inventa, cava-se uma situação.

Se a mulher não casa( principalmente até os 33 por aí) já é um prato cheio pra ser chamada de solteirona, se num namora por um bom tempo ou não quer ter um relacionamento fixo, pronto, suspeita de ser sapata (acusação que recai sobre a Xuxa).
Se namora, querem que tu case, se casa, querem que tu tenha filho.
Não adianta, as pessoas estão sempre vigiando a vida das outras, esperando para destilar o veneno.

Como vc mesmo diz: MUNDO PODRERAAAA

Humberto disse...

Sobretudo vigiando a vida das mulheres... E o mais esquisito que é que elas mesmas vigiam umas às outras. Bom, EU não entendo. :P

Bjos!