terça-feira, 16 de setembro de 2008

nas profundezas da superficialidade (reconhecimento e redistribuição)

Eu teria que explicar muita teoria pra contextualizar os leitores do blog sobre o tema deste post. Acho que ele é mais pra mim mesmo, um desabafo solitário. Quem tiver interesse e tempo e saco pode procurar alguma coisa de Axel Honneth e Nancy Fraser. Não é chato, não.

O problema de ler centenas de páginas sobre uma discussão que envolve os conceitos de “reconhecimento” e “redistribuição” é ver que o debate (???) fica no lindo mundo da imaginação. É muito cansativo ter de ouvir um monte de gente teorizando sobre coisas pelas quais não passam porque não precisam nem de redistribuição de renda ou do que seja nem de reconhecimento nenhum. Ouvir de gente que TEM e que PERTENCE sobre quem não tem e não pertence é meio o cúmulo da pobreza de espírito. Parece aquela coisa Chico Buarque de Holanda de falar sobre a vida dos pobres para os ricos acharem bonito, bem “Construção”.

Não que não seja válido que se discuta tudo isso. Não apenas é válido, como é necessário. Mas ninguém ali pensou que onde estávamos já era um lugar onde aqueles que não abocanharam nada nem foram reconhecidos chegam. Até chegam, na verdade. Mas aí, não encaixam. Ficam mudos. Porque não há muito o que falar, não dá pra discutir de igual pra igual. Não houve embasamento, educação, constituição de vida igual. Dá, no máximo, pra ficar ali, perplexo, admirando o circo de bobagens. Dá pra ficar ali tendo certeza de que nada vai mudar porque não tem como. Dá pra ficar pensando no quanto o mundo da teoria costuma não valer nada mesmo. Dá uma tristeza pensar (ôpa!) que o negócio é se entregar ao igualmente sem sentido mundo da prática.

Redistribuição, reconhecimento, teoria, vida real... Do quê mesmo se trata tudo isso?

Não é uma questão de aceitar a própria mediocridade. É pior. É uma questão de adotar uma mediocridade. Pra tentar ter leveza na vida.

Levantar, pensar no próprio umbigo, comer, malhar, trabalhar, estudar, fazer a social, juntar dinheiro, viajar uma vez por ano, encontrar alguém, trepar, casar, ter filhos, comprar um carro, comprar uma casa, trocar de roupa a cada estação, viajar duas vezes por ano, tirar amigo-oculto no natal, pular carnaval, votar, discutir o ibope da TV, puxar um ou dois sacos, fazer planos, fingir de égua, concordar com tudo. A vida-bundinha é o que há. Coitado dos trouxas que levam outra vida-bundinha inteira pra descobrir isso.

A Madonna já falou disso em “American life” ou é impressão minha? TODO MUNDO já falou disso ou é impressão minha? Nossa, eu sou muito clichézento. Acho que vou ler Fraser e Honneth pra ter mais conteúdo.
d

4 comentários:

Caroline disse...

Amigo,
É como eu falo... a única solução para nós é nascer novamente ou irmos embora deste lugar.

Não fica assim não.

Abs.

Humberto disse...

Eu tô bem amiga, não precisa da gente nascer de novo, não, hehehe. Mas ontem nem sua clone mal feita tava agüentando a chatice, pra vc ter uma idéia.
Abs.

Caroline disse...

Nossa o negócio foi feio então.
Abs.

Humberto disse...

O negócio ainda não parou. Mas uma hora ´pára. Inté.