quarta-feira, 15 de outubro de 2008

estressa e brocha

Acompanhei meio por alto a discussão sobre o fato de a campanha da candidata Marta Suplicy insinuar que Gilberto Kassab, o candidato adversário, é gay. O “embasamento” para a insinuação é o fato de o senhor em questão não ser casado nem ter filhos aos 48 anos.

Francamente? Que preguiça... Vindo justo de Marta Suplicy?

Eu acho decepcionante, em primeiríssimo lugar, por pensar que mesmo a maior capital do país ainda consegue ser retrógrada. Que diferença faria, afinal, se o administrador fosse ou não biba?

Também é lamentável que Marta Suplicy desperdice tamanha chance de uma mulher conquistar um posto político importante no Brasil (cargo que já foi dela, aliás) apelando para ataques pessoais. Isso só reforça a antipatia (pra não dizer preconceito) generalizada que há contra mulheres no poder.

Também é péssimo o quanto a imprensa se empenhou em ampliar o problema. Claro, óbvio, evidentemente, foi uma atitude ridícula de Marta. Mas, se a insinuação viesse do outro lado, será que haveria tanta defesa à parte ofendida? Será que, de novo, não haveria uma demonização da mulher pela enésima vez? Será que a vida pessoal da candidata seria tão menos importante? Nem preciso responder, né?

De todo modo, pra mim, o mais incrível é pensar que Marta Suplicy, sexóloga de longa data, que há décadas vem tentando (hum...) abrir a cabeça da pobrada brasileira contra tabus e, curiosamente, contra a homofobia, tenha tido que apelar pra uma baixaria nível “Superpop”.

E Marta Suplicy, que deve acompanhar discussões acadêmicas sobre gênero, deveria saber que tão opressora quanto o feminismo é a regra social que obriga um homem a se casar e a ter filhos só para demonstrar sua heterossexualidade. Ou os sujeitos heterossexuais não têm direito de querer viver sozinho ou como lhe seja melhor? Opção na vida é direito só de gays e de mulheres?

Enfim, só mais um episódio que retrata o atraso deste país. E, desculpe querida Marta, mas diante de tamanha babaquice não dá pra apenas relaxar e gozar, não.


P.S.: Por falar em baixaria, gente retrógrada, eleições e fim do mundo, não dá pra não mencionar TuBHcanga, claro. Os dois extremos de nosso beco sem saída se declararam contra o aborto, a descriminalização da maconha e, veja só, contra a união civil de homossexuais. Como dizia a Lucy, do desenho do Snoopy, “parem o mundo, eu quero descer”.
s

5 comentários:

Caroline disse...

Oi amigo,

Adorei a frase: 'parem o mundo, eu quero descer', já vai entrar para lista das minhas favoritas.

A frase disse tudo. Melhor que "o mundo está ao contrário e niguem reparou".

Obs.: Somente sei que irei trabalhar nas eleições, mas continuo num beco sem saída.

Abs.

Caroline

Humbert disse...

Eu já resolvi, nem um nem o outro.

Caroline disse...

Eu também estou nessa amigo.
Votar no menos pior é duereza.

Abs.

Sarah disse...

Muito escrota, quem é ela pra falar de passado imaculado, que o povo tem que saber da vida pessoal pregressa do candidato se ela colocava umas galharra forte na testa do marido com o Abilhão? hum?

Humbad disse...

KKKKKKKKKKK, Sarah is bad!