quarta-feira, 15 de abril de 2009

racismo? onde, na moda?

E falando em Naomi, há poucos dias também ela falou sobre o racismo na moda. E daí o assunto também está repercutindo no Brasil por conta de um projeto que prevê uma cota para modelos negras no São Paulo Fashion Week. Dá uma olhada.

Quer saber minha opinião?

Bom, eu não gosto da ideia de alguém ser meio que obrigado a fazer uma coisa. Em se tratando de moda, então, que é um tipo de arte, complicado estipular como deve ser o trabalho de um artista. Por fim, eu não gosto muito dessa coisa toda de cotas, não. MAS...

...Mas eu não gosto muito dessa coisa de cotas quando o aspecto é intelectual – e eu entendo que capacidade de raciocínio e dedicação independe de etnia; ainda assim, mesmo não gostando muito de cotas (as universitárias, pra ser mais específico), eu penso que elas são uma alternativa, sim.
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E como eu ia dizendo, se as cotas são discutíveis no meio acadêmico, não acho que deveriam ser tão discutíveis nas passarelas – porque aí estamos falando de imagem e aí dá pra saber, sim, quem é branco, negro, índio, azul com bolinha amarela. E aí não dá pra dizer que depende só das modelos para conseguir espaço – depende de quem faz o casting. E a verdade cruel e feiosa é que quem escala só escolhe meninas branquinhas, muito branquinhas. Será que a liberdade de criação não inclui nunca modelos negras nos conceitos das coleções? Será que precisava chegar ao ponto de uma lei ter que pedir mais modelos negras nos desfiles?

O povo da moda já deu o berro. E dizem que não há racismo. E aquele papo todo que a gente conhece de cor.

Pra fechar, por ora, a história, dá uma olhada neste post do blog LP. Mais especificamente, dá uma olhada nos comentários. E aí me digam, é exagero dizer que há racismo na moda?


P.S.: Se as passarelas continuam pálidas (e infelizmente tendem a ficar mais), pelo menos há uma luz nos editoriais. A brasileira Gracie Carvalho, espetáculo da buniteza em todas as fotos deste post, parece estar construindo uma carreira internacional promissora. E desde já eu torço muito por ela.
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Gracie, linda na capa da L'Officiel.
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Gracie, mais uma vez linda na capa da L'Officiel.
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E mais Gracie, linda na capa da L'Officiel, ao lado da também linda Claudia Seiler. Sempre adorei essas capas com todo tipo de beleza. Parabéns L'Officiel!

3 comentários:

Sarah disse...

Essa última capa tá parecendo a Avril Lavigne esticada e a Luciana Melo com peruca,rsrsrs.
Brincadeiras à parte, vamos ao que interessa: quando eu li a notícia ontem eu tinha certeza que esse seria um dos seus posts, claro.
Olha, quando surgiram discussões acerca do sistema de cotas nas universidades eu sempre achei que foi atitude positiva. Isso não significa que seja ideal, aliás está muito longe disso.O problema da educação está na base , onde o estudo se inicia. Não adianta chegar a faculdade sem conhecimentos também, então, eu pelo menos ,entendo o sistema de cotas como um paliativo, como um “acorda” geral.
Não é a solução para a ausência de negros nas universidades mas, é uma maneira de chamar a atenção para esta realidade. Não significa que o negro não tenha capacidade intelectual, muito pelo contrário, mas o fato é que em razão da segregação social oportunista a que foram submetidos, as mentiras que fixaram nas mentes das pessoas com o intuito de inferiorizar os negros foi passando de geração para geração a ponto de ser vista como comum, como: “é assim mesmo”. Isso é absurdo, nojento e imoral, isso foi construído, não corresponde a realidade. E se foi construído, que comece a ser destruído.
O sistema de cotas é então um começo para a mudança de postura mental das pessoas em relação ao preconceito racial, um início forçoso e por isso mesmo gerador de tanta polêmica e imediata contrariedade. Não terá reflexos positivos hoje mas espero que ajude no futuro, de uma forma ou outra.
Quem disse que sistema de cotas é solução? Não é. O problema do negro é sócio-econômico e não genético, negros não estão tão presentes nas camadas mais abastadas da sociedade porque lhes foi subtraída a oportunidade de ali estarem, num processo longo e cruel. Eu diria até que a força do preconceito é tão forte que é capaz de fazer com que o próprio negro se sinta inferiorizado. Pura lavagem cerebral!
É comum ouvirmos esse tipo de argumento: “Cotas? Nossa, mas que coisa mais racista!”, ou “ então porque não existem cotas para orientais, índios, ...” , enfim, toda uma ladainha típica de quem tem uma resposta fácil de dar mas sem raciocinar sobre o que está dizendo.
Meu ex-chefe uma vez comentou, em relação ao dia da consciência negra: “Que feriado mais racista!”. Eu não acho, acho que é um feriado triste, triste por ter que fazer as pessoas lembrarem que o negro existe. Aquilo que deveria ser normal é visto como exceção, como se aquele dia fosse o dia do negro, o ser diferente.
O preconceito então que existe e existe mesmo acaba se estendendo a todos os campos da vida, como por exemplo, o mundo da moda. É aquilo que vc sempre fala aqui : por que a revista NOVA não coloca negras em suas capas?
No caso dos desfiles de moda é a mesma coisa, acostumaram-se a deixar as negras e negros para segundo plano. Se até a Naomi que é poderosa, com a carreira pra lá de consolidada, relata sua dificuldade diante da concorrência!
A questão do surgimento das cotas não remete à lei da inércia aplicada a uma situação? A tendência a manutenção do movimento uniforme a menos que forças externas atuem modificando o curso dos fatos. Ou ainda, se algo está em equilíbrio é porque a resultante das forças que atuam sobre este algo é nula.
Se o sistema de cotas instituído aqui ou ali vai adiantar algo a médio ou longo prazo, não se sabe ao certo mas, que algo precisava começar a ser feito, isso precisava.

Janaína disse...

Era só o que (e onde) faltava, cotas raciais no mundo da moda! Affffff.
Racismo é um assunto tão complexo que eu, que sou negra, não consigo, por mais que eu tente, entender o porquê de tanta discussão e embate acerca de um tema e de um fato que é tão universalmente presente na sociedade. Não entra na minha cabeça a necessidade de ter que, forçosamente, "abrir espaço" para os negros nos divesos campos da sociedade. Numa dessas, vale a máxima de meu tio Alcides: "Isso é Brasil!"
E o pior é que não acontece só aqui, né? Porque se assim fosse, não existiria todo o frisson em torno da eleição do Obama. Uma pena que aqui (e justo aqui!), muito se discute, muito ainda se pratica o racismo e pouco se resolve. Por essas e outras estou lendo " A cabeça do brasileiro". Pra tentar entender esse e outros embates e pra abrir mais ainda a minha cabeça. Porque no Brasil, Humberto, tendo a mente aberta a vida já é difícil e a maioria das portas ainda se mantém fechadas para o negros. Imagina se alienando? Deus ajudando, e a gente se ajudando também, daqui a umas 10 gerações essa celeuma se resolve!

Humberto disse...

Eu não tenho como comentar os coments de vocês, são tão completos que deveriam ser posts aqui no blog.

Aprecio de verdade as palavras, a opinião e o acesso de vocês, amigas.

Muito obrigado!