terça-feira, 12 de maio de 2009

patrulha

Eu andei lendo umas notícias sobre duas cantoras esses dias. Uma cantora era a Amy, ícone. A outra era a Kelly Clarkson, que ficou famosa por ter sido a primeira vencedora do “American Idol” – você deve conhecê-la por conta daquela música “Because of you”.

Anyways, as matérias que li não tratavam do talento nem do trabalho das jovens. Falava do corpo das duas. O que me leva à primeira pergunta deste post: o corpo de uma cantora é assunto assim tão imprescindível para analisar seu trabalho?

As matérias que tratam da Amy, a gente já sabe, falam do quanto ela está magra e do quanto isso é péssimo. Grande novidade.

As matérias que tratam da Kelly Clarkson falam do quanto ela está gorda e do quanto isso é péssimo.

Como diria uma outra cantora, um pouco menos talentosa que as duas supracitadas, so what?

Um post do site Papel Pop foi o que mais me chamou a atenção. Eu gosto do site, é muito engraçado na maioria das vezes, mas eu não entendo algumas críticas de seu autor. Na verdade, não entendo o por quê delas. Hoje o cara escrotizou tanto com o fato de a Kelly Clarkson estar gorda que eu cansei. Primeiro, cansei porque qualquer mortal minimamente atento já tinha sacado que a menina tem biotipo de mulher mais gordinha – e naturalmente devia ser forçada por agentes a se manter magra; Segundo, porque a voz da menina é ótima, e no fim é isso que importa. É uma cantora, não uma top model, ora bolas.

Esse tipo de nota me faz pensar no quanto a mídia e os comentaristas e muitas pessoas, de modo geral, são malas. Em vez de cuidar de suas vidas ou de algo que importe, ficam preocupados com a vida dos outros, com o corpo dos outros, preocupados em contribuir com a infelicidade dos outros.

É muito bizarro esse estilo de vida que aceitamos. É viver demais em função bisbilhotar e, se possível, importunar os outros. Deus do céu, será que é assim tão difícil ter um pingo de bom senso hoje em dia?

São os anos 2000, eu acho, é a década do “Big Brother”. É a naturalidade que ganhou a preocupação com o que não nos interessa.

A Amy tá magra? A Kelly Clarkson tá gorda? Problema das duas. Se é que elas consideram isso problema. Afinal, alguém se lembrou de perguntar se elas estão felizes como estão? Não lembrou, né? É que felicidade não interessa. Muito menos a alheia.


P.S.: Outra cantora, muito menos talentosa que Amy e Kelly, também vem sendo alvo da patrulha do peso alheio. Encheram tanto o saco de Jessica Simpson que ela acabou ganhando a (maravilhosa) capa deste mês da Vanity Fair, justamente por isso. Desconsiderando photoshops e roupinhas-que-ajudam, eu deixo aqui a pergunta que está na chamada da revista: Você chama isto de gorda?
s

8 comentários:

Lorena Pôssa disse...

Por isso que eu digo: eu tenho preguiça das pessoas!

Janaína disse...

Lamentavelmente, vivemos em um mundo onde curriculum é espelho, e onde estética tem muito mais valor que talento. Convivemos com isso todos os dias, muito próximo de nós. Então nem me assusto diante de situações como essa. Mas ainda consigo me entristecer.

Fernando disse...

O post é polêmico, hein Humberto... gostei! O fato é que se uma pessoa que canta engordar ou emagrecer demais pode prejudicar o tom de voz... porém, contudo, todavia... percebe-se um esforço de algumas pessoas de blog querendo parecer descoladas no mundo online que escracham outras para mostrar o quanto são corajosas ao criticar fisicamente, psicológicamente ou pela roupa que usam pessoas que conseguiram algum tipo de fama. Essas pessoas de blogs estão querendo exatamente aquilo que rejeitam nas outras: o reconhecimento, isto é, a fama...
São tão escrotas quanto...

Acho muuuito do mal isso, whatever

Humberto disse...

Pois é, Fernando, eu ia pontuar mesmo essa questão da voz.

Até achei que a Kelly Clarkson engordou um pouquinho demais mesmo e tal, mas o que eu não aguento, e esse era o meu ponto, é a felicidade que o povo fica com a possibilidade de detonar os outros. Eu também zoo os outros, mas nunca por pura maldade.

No mais, enquanto ela tiver fôlego pra cantar bem, mesmo que suas músicas não sejam as minhas favoritas, que engorde o quanto quiser. :)

Abração cara.

Fernando disse...

Disse tudo.

Sem mais,
Fernando

Sarah disse...

O que ocorre é que independente da profissão que se tenha, em primeiro lugar, antes que se abra a boca, é exigido de qualquer um que a aparência seja impecável.

Um bom exemplo é a Susan Boyle, como se só os belos fossem potencialmente bons em algo.

A Kelly eu nunca tinha visto a cara embora conheça algumas músicas. Ela canta muito bem.

Já a Jéssica, eu nunca ouvi nenhuma música, pelo menos não consciente de que era ela cantando, mas conheço a imagem das notícias que rolam na net. Acho ela lindíssima. Eu vi quando falaram da gordisse dela...tsc tsc, muita falta do que conjecturar.

Eu costumo afiar a língua pra falar do povo, mas considero que só quando merecem. Normalmente gente escrota que se acha o máximo ou que a mídia faz com que as pessoas achem o máximo.

Roberto Justus, por exemplo, não suporto aquele velho vermelho e ensebado dando pinta de galã.

Humberto disse...

Sarah, eu também não sou capaz de lembrar uma única música da Jessica Simpson. Mas eu lembro que quando eu morava no Texas eu achava ela a mais bonita dessas cantoras a la Britney Spinha.

Quanto à sua crtítica a gente feita pela mídia, concordo totalmente. Seu exemplo de Roberto Justus é hilário. O que é pior que esse homem cantando?

Besos!

marcella disse...

meeu, eu amo a kelly, e to pouco me lixando para o que pensam dela. o povo nao tem o que fazer e fica flando dos outros. e aposto que essas pessoas tem os seus defeitos :) RIDICULOS