terça-feira, 30 de março de 2010

what love has done

Eu tenho certa dificuldade de me desfazer de papéis. Já devo ter mencionado isso por aqui.

Tudo que está escrito pra mim é um pouquinho de História e me parte o coração ter que me livrar disso por motivos como falta de espaço. Mas uma hora não tem jeito.

Hoje, agorinha mesmo, estou tentando diminuir o conteúdo de uma caixa enorme, que contém material que vai do meu primeiro vestibular (em 1996) ao final da minha segunda graduação (em 2007), passando por um intercâmbio (em 1999).

Não é apenas papel. Não são só o meu esforço e a minha esperança durante anos que estão guardadas nessa caixa. É todo um período de transição da minha vida. É justamente o momento divisor de águas que está ali. É onde nasceu esse Humberto que vocês conhecem -- e onde ficou pra trás um outro, saudoso, que cairia duro (não sem lutar muito) se descobrisse o fim que teria toda aquela trabalheira de vida.

Nessa caixa está o primeiro amor de verdade. A primeira grande frustração. A primeira grande conquista. O primeiro amigo urso, o primeiro chifre. A primeira viagem sozinho no mundo. Os estágios. Os NÃOs. Os SIMs. A primeira encarada no espelho. Nessa caixa estão todos os amigos que cresceram por aí e que nunca foram esquecidos. Há muito mais nessa caixa do que eu estava preparado para rever hoje.

Não vou dar conta de terminar o trabalho. Não nesta noite. E não quando eu resolvo fazer o trabalho ouvindo essa música. É demais pro meu coração (ainda) pisciano.

Se você aí tem uma caixinha de recordações guardadas, deixa ela assim mesmo. Porque se as lembranças estão guardadas é porque são importantes por algum motivo. Mas também, se estão guardadas é porque a vida segue -- e pra vida seguir, o melhor é que recordações fiquem guardadinhas mesmo. Porque o que já foi, por melhor e pior que seja, já foi. E é graças a isso que a gente adquire força e coração aberto pra deixar vir o novo, sempre -- seja pior ou melhor.

Porque, no fim das contas, é tudo vida. E tudo ainda vale.
s

6 comentários:

xicoarantez disse...

ADOREI O POST, QUANDO EU ERA UM POUCO MAIS JOVEM TB TINHA PROBLEMAS EM ME DESFAZER DAS COISAS ANTIGAS, QUE MARCAVAM MINHA HISTÓRIA. AGORA , ACABEI APRENDENDO QUE TENHO QUE DEIXAR ELAS ( AS COISAS ) IREM, E DAR ESPAÇO PRAS OUTRAS COISAS NOVAS FICAREM. NÃO CABE TUDO NA MINHA CASA, SÓ NA LEMBRANÇA E NO CORAÇÃO. APRENDA VC TB ! VAI VER O QUANTO É MAIS GOSTOSO!
OBS. VOU TER QUE TE GONGAR AQUI.. U2 NÉ???? VC FALOU QUE ODEIA O BONO , QUE ELE NÃO CANTA NADA E TAL, MAS TÁ QUE ESCUTA NE?? ADMITA, ELE ´E O MELHOR!!

Janaína disse...

Ai, Humberto! Conheço muito bem o que se passa contigo, meu caro! Vivi esse drama no fim do ano passado. Mas, aproveitando o clima de virada e de renovação, tomei coragem e dei um limpa. Na casa, nas caixas, nas gavetas, no coração, na vida em geral. É difícil mas é bom, porque abre espaço pro novo. Como diria Adélia Prado: "O que a memória ama, fica eterno!". E tudo o que foi bom mas é passado, a gente guarda na memória e no coração. E o seu coração é imenso. Eu sei que vai dar e vai sobrar espaço!
Beijo, querido!

R. Paschoal disse...

Eu guardo TONELADAS de coisas que não tem mais utilidade, mas possuem um imenso valor sentimental. Aqui, são incontáveis caixas. Uma pra cada estação da vida. E é logico que tem aquela pornografia básica escondidinha embaixo do armário.... rs

Sarah disse...

Naaassaaa, olha a montanha de coisa!
Eu tabém tenho minhas velhacarias, claro, acho que todo mundo tem, mas eu sempre faço uma triagem rs. Hoje a caixinha tem só o indispensabilíssimo, uma caixinha rosa que se falasse...

Polly Sapori disse...

MARA, MARA, MARAVILHOSO ESTE POST!
Tenho uma caixa de recordações, algumas fotos, inúmeras cartas e bilhetes de um passado que se foi, mas que faz parte dos capítulos anteriores da minha história. Detalhes da minha vida que me fizeram como sou.

Não dá pra desfazer, desnecessário remexer, mas importante deixá-los guardados que é pra não se perder e nos manter adiantes.

RODRIGO disse...

O primeiro chifre a gente nunca esquece mesmo ne? rs