quinta-feira, 29 de julho de 2010

saia justíssima

Eu gosto do Brasil. Dificilmente trocaria este país por qualquer outro, pelo simples fato de que nasci e me fiz aqui. Eu sou do mundo, aprecio e respeito as belezas de todas as nações, mas gosto é dessas terras aqui mesmo.

Entretanto, há uma característica cultural do brasileiro com a qual não me identifico: o tal do "jeitinho brasileiro". Na verdade, se for considerar isso como uma maneira de administrar problemas, vá lá, não deixa de ter um quê de "proatividade" que tornaria a coisa interessante. O foda é que jeitinho brasileiro é mesmo aquela coisa da "corrupção boazinha", do querer se dar bem de qualquer jeito, do "no meu ninguém toca, o do coletivo que se foda".
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Acho que passou meio batido (não por mim), a história de uma senhora brasileira que demonstra bem isso (mas com requintes de cara-de-pau e velho-riquismo brasileiros). E não é que Dona Maitê, aquela mesma indefectível do "Saia Justa", atriz, musa, poetisa, fina, meiga, bateu seu pezinho pra garantir míseros R$ 13.000,00 por mês?
edstadual básica
Salário da Globo? Nãããão. A história é outra. Maitê recebia do Estado de São Paulo uma pensão nesse valor desde a morte de seus pais. Até aí, uai, normal, né? O curioso é que, pela lei, essa pensão é paga às filhas solteiras dos funcionários públicos estaduais. E Maitê, brasileirinha que só ela, passou anos "juntada" com o empresário Paulo Marinho (o que, no fim das contas, é casamento). Daí cancelaram a pensão dela no fim do ano passado. E Maitê, super pobrinha, autora de best seller, apresentadora de "Saia Justa" e estrela de novela das oito que é, correu atrás de seus direitos de órfã solteira e conseguiu seus R$13.000,00 mensais de volta.
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Não é digno? Eu acho. Queria bem ver o que a Maitê do "Saia Justa", tão viajada, teria a dizer sobre esse lapso de personalidade do brasileiro, esse estilo "João Grilo" de ser.
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São esses casos que dão uma desanimada quando a gente pensa em Brasil. Não há óleo de peroba que baste pra esse povo daqui. E aí a gente pensa naquelas velhinhas que penam pra receber R$ 400,00 do INSS e dar conta de remédio, SUS... Dá vergonha.
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7 comentários:

Janaina disse...

Ai.. ai... Humberto! Depois esse povo tem a cara de pau de aparecer na TV me pedindo pra dar dinheiro pro Criança Esperança!
Quando vejo uma coisa dessas e me lembro que minha avó fez milagre e criou 17 filhos e 9 netos com a pensão miserável de meu falecido avô, que era militar, o que, na época, era considerada "uma fortuna" e que hoje mal dá pra comprar os remédios e pagar o plano de saúde dela... nessas horas, meu querido, não há muito o que fazer. Só deixar baixar o Xico: "ACHO UM ABSURDO!"

xico Arantez disse...

Acho mesmo um absurdo essa bunita ai, reclamando dos 13 mil e a gente aqui catando as moedinhas pra ir ao cinema.. rsrs ( acho que exagerei, nem é tanto assim né?)

xico Arantez disse...

Jana, vamos protestar mesmo!!

RAFAEL disse...

cara, brasileiro ainda vai demorar mais 500 anos pra tomar vergonha na cara...

Um cara que prestava serviços a empresa que trabalho, passou meses na fila do INSS para garantir uma pensão por invalidade e acabou recebendo. São 1.200,00 por mes.

Bem, não estaria contando isso, se esse cara não tivesse 28 anos, fosse saudavel, desfilando numa caminhonete dessas gigantes que nem sei o nome, com uma belissima casa na cidade e outra na praia. Viaja todos os anos de ferias para a Europa. Ninguém nunca questionou sua pensão.

Aí uma coitada que gannha um salário tem que ir a cada 3 meses ao INSS para provar que continua pobre, doente, e que não tem como se manter...

Retrato do Brasil.

Abração...

o Humberto disse...

janaína, cuidado com esse negócio de baixar o xico, hhahahaha! Mas é uma vergonha mesmo. E quando a gente pensa em pessoas como a sua avó aí é que dá mais raiva mesmo. E depois vem essas Maitês pagarem de intelectual, de budista, de desprendida. Sei.

Xico, vc que adora a Maitê, pede ela pra doar os 13 mil pra caridade. Só um mês, ela ainda pode ficar com os outros 12 pagamentos mais 13o.

E (novo)Rafael,deve demorar mesmo MUITO pro brasileiro tomar vergonha na cara. COmo esse caso que vc contou a gente fica sabendo de vários. Quando eu estudei na PUC (aff) era chocante o número de ricos, com carrão e tudo mais que recebia bolsa integral (sem contar aquele moço que matou aquela atriz). Era de doer o fígado de raiva.

Torcer pra essas coisas mudarem um dia, né? Quem sabe daqui a 500 anos?

Sarah disse...

Hum...bom, ela conseguiu novamente a pensão, o amparo da lei vem do fato de ser lei especial, que prevalece sobre a geral.Só pode ter sido isso.
Bom, se eu tivesse perdido uma pensão dessa eu ia querer de volta também rs.
Tá aí uma mulher com uma história de vida tão interessante, difícil, admirável e de sucesso, adoro ela, muito inteligente e, claro, linda.

o Humberto disse...

Sarah, além de tudo você debate. :)
Espetáculo de leitora.

Então, vc entende mais de leis que eu e isso já é ponto pra vc. Quanto a correr atrás de uma pensão dessas, também correria.

Mas eu acho que destoa um pouco do discurso que ela costuma ter no "Saia Justa", por exemplo, e não deixa de ser meio escandaloso quando a gente pensa na dificuldade que pobre de verdade tem pra conseguir as coisas neste país. E também isso de ela não casar no papel pra garantir a pensão, vamos combinar, muito jeitinho brasileiro né?

Eu sei que Maitê Proença tem muitos méritos (e muitas capas das mais lindas :P), talvez por isso mesmo eu tenha me sentido meio decepcionado.

Mas, enfim, é legal ver a defesa que vc fez dela. Como você sabe bem, o blog está sempre aberto ao contraponto (e agradece por isso!)

Beijos!