quarta-feira, 25 de agosto de 2010

post bem grande

Os dias têm sido estafantes e corridos e tensos. Mas não são os mais intensos que eu já vivi. Nesses 30 anos, sabe Deus tudo que já passei. Fato é que uma hora a gente acaba dando um tempinho pra pensar. Porque simplesmente correr insanamente porque tem que resolver tudo pode até ser eficiente (o que nem sempre acontece), mas não deixa de ser uma estupidez.
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O que eu pensei hoje foi o quanto a gente acaba se afastando das pessoas que ama pela simples desculpa de que tá sem tempo. É realmente foda dar conta de tudo em 24 horas hoje em dia. Mas tem gente que se "ocupa" de coisas que realmente não precisa ou que realmente não servem de argumento pra não dar atenção a alguém. Ficar pendurado no Twitter o dia inteiro? Não precisa, né?
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Nessas de ficar deixando pra depois a oportunidade de ver alguém de quem você sente falta, perdi de uma vez por todas a chance de rever uma criaturinha que eu vou amar sempre. Quando tiver uma foto boa dele eu farei um post sobre o Nicolau. Nicolau, singelo gatinho siamês que viveu, olha só, 18 aninhos na maior classe. Passei as últimas semanas adiando uma visita ao meu enteado safado, como eu costumava chamá-lo, e daí soube no domingo que ele morreu mês passado.
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Foi um gatinho que eu deixei de abraçar. Mas e se fosse um amigo?
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Isso me fez pensar muito no quanto as relações hoje em dia podem ser estúpidas. As redes sociais e a internet seguramente podem ser excelentes (veja este blog mesmo, quantos amigos faço e mantenho aqui). Mas o que houve com as relações interpessoais? É muito chato interagir? Vale mais ter um trilhão de conhecidos (ou não) nos Facebooks da vida do que estar com que você ama e quem te ama?
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As relações se tornaram uma coisa distante. Mesmo quando se está próximo, vive-se numa falta de carinho tão grande que não se sabe nada de quem está com você.
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Hoje eu ouvi um comentário a meu respeito, que normalmente passaria por bobagem. Praticamente fui chamado de inútil, à tõa e acomodado. Eu nem liguei muito na hora. Mas daí, como numa daquelas epifanias dos contos da Clarice Lispector, eu lembrei de um caso que aconteceu no Texas.
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Fala-se sempre dos defeitos dos estadunidenses, como se todos os outros cidadãos do mundo fossem desprovidos de falhas. Enfim. Um dos hábitos que eu amava no povo daquele país é o do respeito à propriedade. Uma encomenda pode ficar semanas na sua porta sem que ninguém roube. Nessas, uma sacolinha passou uns 10 dias na porta da minha casa por lá. Eu tinha certeza que não era pra mim, então esperei que meus colegas de apartamento recolhessem. Como eles não pegavam nunca, e estressadinho que eu era, peguei aquilo e joguei na mesa. Ao que caiu da embalagem um livrinho e o cartão abaixo:
Eu fiquei tão sem palavras hoje quanto fiquei no dia, dez anos atrás. Tão afundado que eu estava nas milhões de coisas que tinha pra fazer enquanto trabalhava e estudava naquele país, demorei dias até ver que minha amiga alemã tinha deixado o melhor presente de aniversário que já ganhei bem na minha porta. É ou não é de chorar?
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E como presente bom não perde efeito nunca, quando lembrei disso hoje (afundado nas milhões de coisas que tenho pra fazer), lembrei que não sou inútil, não sou à tõa e, nossa, tô muito, mas muuuito longe de ser acomodado. Ôh.
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Quem quer que tenha me magoado muito dizendo uma bobagem dessas devia na hora estar muito infeliz com alguma coisa que certamente não é minha culpa. Só gostaria de deixar claro, não que eu tenha que fazer isso, mas enfim, que eu já vivi muita coisa e já convivi e amei muitas pessoas. Que com certeza gostaram e talvez ainda gostem muito de mim também.
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Enfim, o mundo segue, as coisas vão mudando e a gente tem que se adaptar mesmo pra não ficar pra trás. Mas delicadeza, atenção, bom senso e um pouco de amor próprio e pelos outros são coisas que costumam atravessar os tempos. s
Eu posso não entender, mas respeito a opção de algumas pessoas de se (esconderem?) relacionarem só virtualmente. Mas pelo menos pra mim, sempre vai valer mais uma conversa amiga ou fiada, um abraço dado com vontade, um mísero olhar de companheirismo. E é por conta disso que, por mais atolado em compromissos que eu esteja, ainda vou tentar estar ao lado de quem é importante pra mim e se importa comigo.
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É isso.
Beijos aos meus amigos, sempre queridos.
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P.S.: Wherever you are on Earth, Nadine, never forget that YOU are a wonderful person!
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8 comentários:

Caroline disse...

Nossa amigo que post legal. Sinto a mesma coisa. Essa corretia toda é de matar. Também tó nessa de não perder meus amigos de vista.

Seja quem for que não souber respeitar e receber o seu carinho, saiu perdendo. Um amigo como você é para vida toda.

Um forte abraço.

Janaína disse...

Endosso tudo o que a Caroline disse. É realmente complicado manter contato com as pessoas que amamos nessa correria do dia a dia. Mas eu sinto que grande parte das complicações que a gente vive, são criadas por nós mesmos. E quando não o são, nos cabe a escolha de estar ou não envolvidos nelas e até que ponto isso pode nos permitir ou deixa de permitir viver... o amor, a amizade, a família. Penso em quantas pessoas eu deixei ao longo do caminho de propósito. E também naquelas que foram ficando por aí por causa da falta de tempo, de oportunidade, de aprofundamento mesmo das raízes que mantinham viva a amizade, o carinho e o contato. O que me conforta é saber que esse não é um dilema individual, que não estou sozinha nisso. E nesse turbilhão cotidiano me é inevitável não lembrar Maria Bethânia a me confortar com o argumento de que "eu te amo nas horas infernais e na vida sem tempo, quando sozinha, bordo mais uma toalha de fim de semana". Se até Bethânia ama sem tempo, eu posso também!
Mas no fundo eu sei que Bethânia é só uma muleta, uma desculpa usada displicentemente prá sustentar a idéia tola de que as pessoas que amamos (e justamente porque amamos) sempre vão poder esperar a gente ter tempo. Porém, quando eu te leio, Humberto, e penso sobre os seus escritos e sobre a vida, eu vejo que certo mesmo está Herbert Vianna: O amor não sabe esperar.
É por isso que eu tenho que ressuscitar Cazuza: "Eu preciso dizer que eu te amo", querido! E espero que a gente possa atravessar os tempos juntos. Oxalá que eles sejam generosos comigo como foram contigo. Estávas lindo há 10 anos e estás ainda melhor hoje!
Beijos, querido!

xico Arantez disse...

nossa! post grande mesmo, mas li tudinho! mas o comentario da janaina foi ainda maior! rsrsrs
Penso muita coisa sobre isso, mas prefiro algo real , já que estamos falando sobre relações virtuais. Te falo pessoalmente naquele barzinho que vc adora no padre eustaquio! kkk

Fernanda disse...

Humberto, nossa me emocionei!!!Sabe a 3 anos atrás quando meu filho nasceu e inesperadamente ficou 24 dias no CTI e poucos dos que eu considerava amigos me procuraram, seja por telefone ou pessoalmente, me dei conta que muitas coisas são colocadas à frente de pessoas.Uma "amiga" da infâncioa e adolescência que morava colada em minha casa, um belo dia me ligou enganada, achando que estava ligando para outra pessoa e se surpreendeu com o meu alô...Mas o que mais fiquei chateada foi que ela falou: Nossa, Fê liguei enganando, mas como está o Davi? Nossa!!!Nunca me vi tão frustada e nervosa, disse a ela coidas que eu precisava falar, do tipo: Internado já a 13 dias correndo risco de vida.Aí ela me disse que também estava passando por momentos de transformação e comparou o que eu estava passando com a troca de emprego dela, ela estava saindo da Vale do Rio Doce...É amigo!Nunca senti tamanho desprezo eentão disse algumas outras coisas a ela e falei que quando ela fosse mãe ou quando acontecesse algo inesperado com alguém que ela considerasse bem próximo dela, ela sentiria o que eu estava sentindo naquele momento.
Qual foi minha surpresa:Logo que meu filho, abençoado saiu vitorioso do CTI, sem nenhuma sequela o marido dela sofreu um acidente de carro e ficou imobilizado muitos meses e afastado do emprego e ela correndo sem parar para poder estar presente. Eu fiz minha parte, de coração, não poderia ser diferete, pois eu havia passado momentors nebulosos a pouco e sabia muito bem o que ela estava sentindo, então liguei e fui ao hospital visitá-lo, ela não precisou me dizer nada...Senti atraves dos olhos dela a vergonha que sentia em me encarar e hoje ela tem uma filha de 1 aninho e já me disse que compreende o que senti naquele dia em que ela ligou por engano para minha casa...E ainda comparou uma troca de emprego ao estado de inanição de um filho no CTI. O que vc falou me fez recordar dessa história, nós não podemos deixar jamais nada ficar acima de quem amamos e consideramos, pois a distância não separa amigos de verdade...É no que eu acredito, apesar de saber que sou uma pessoa de poucos amigos verdadeiros.Mas faço por todos os amigos e colegas tudo que posso sempre, não deixo nada para amanhã...Apredi isso com muita dor.Bjs!!!!Estou muito emocionada!!!!

Mariele disse...

Humbeeeerto, nao resisti, depois desse post tive de comentar...Vc disse tudo, infelizmente as pessoas se esqueceram do mundo real, lamentavel isso...deixam sempre para depois, e o depois nunca chega, qdo chega as vezes pode ser tarde...É amigo, pouco tempo q conheço vcs e lendo o blog seu, do xico e nas conversas as sextas a noite pelos bares, so confirmo: pessoas como vcs são raras...nao fique triste com o comentario q ouviu, nem tudo q dizem te pertence. Como vc mesmo falou no texto, a pessoa nao deveria estar muito bem, e vc foi apenas um motivo pra ela conseguir transformar o q ela nao tem coragem de fazer ou falar com quem de fato merece escutar...As vezes e muitas vezes, somos obrigados a ouvir coisas q nao sao para nós, por varios motivos, cabe a nós vestir a carapuça ou nao. Se vc acha q o q foi dito faz sentido (nao acredito q serve pra vc), reflita e mude, caso contrario ignore, segue seu caminho, e te falo,q se por preocupar com outros, viver a realidade, estar com os amigos, ajudar as pessoas, ouvir e escutar quem te procura,ir atras dos seus objetivos e ao mesmo tempo conseguir manter as pessoas por perto e ser divertido, ter personalidade enfim, se ser feliz, atencioso,ter bom senso, etc é ser atoa,acomodado, estao vc faz é muito bem, nao saia desse comodismo nunca...defeitos todos nós temos e se estamos aqui na terra é para aprender mesmo, feliz dos q reconhecem e sabem disso, a cruz fica muito mais leve e divertida em muitos momentos, nao fique magoado, sempre vai ter um de mal com a vida para fazer determinados comentarios por tras, se a pessoa acha isso e gosta de vc pq ela nao falou diretamente e de forma q ajudasse vc a sair do q ELA acha q vc é, pq ela nao procurou ver, saber se vc é isso tudo mesmo q ela diz?!...Infelizmente tem muita gente insatisfeita com a vida, frustrada e desconta nos outros o q nao da conta de aceitar e mudar na propria vida...Compartilho com vc esse sentimento gerado pelo excesso de maquinas e falta de calor humano sincero, autentico, q pode ser encontrado num "simples" abraço, sorriso, olhar, conversa ou simplesmente a compnhia silenciosa de alguem, a presença.
Bjo e ate a proxima !!

Anônimo disse...

dizus craisty!

Sarah disse...

olha, que post hem!
eu penso tanto nisso Humberto, como essa coisa da gente deixar pra depois pra visitar alguém, ver, abraçar, dizer o que precisa ser dito, como isso atormenta! Porque a gente quer fazer, sabe que deve fazer mas no fim das contas acaba boicotando a oportunidade.
Vc deve ter antas histórias boas pra contar, e essa época na terra do Tio Sam?
Olha, isso que vc citou é a pura verdade, quando a gente tem algum contato com o pessoal de fora, até se envergonha diante da honestidade deles, aliás, diante da falta de escrúpulo do brasileiro, essa questão da propriedade é exatamente assim!Achei uma citação perfeita!!
Quanto ao comentário que fizeram a seu respeito, fala sério, essa pessoa sai]u da Charcot, só pode kkkkkkkkkkkk. Dá pra levar a sério tal asneira?
"Eu posso não entender, mas respeito a opção de algumas pessoas de se (esconderem?) relacionarem só virtualmente. ". Quem me viu, quem me vê...logo eu, um ser tão baladeiro ....o mundo, o trabalho,a internet vem me transformando numa sociopata...juro.
"...Essa vida me maltrata, tô virando psicopata..."GOLD, Dinho black

Tati Jubi disse...

Lú, saiba que você é definitivamente inesquecível e amadamente necessário para nós que te amamos. O Nicolau sabia disso e respeitava... do jeito dele... mas, respeitava! Eu te adoro!