sexta-feira, 24 de setembro de 2010

capa preciosa

Sem dúvidas a revista mais comentada deste mês (na verdade, edição de outubro) é a ELLE estadunidense, que comemora 25 anos. O grande lance é que a estrela da capa é a atriz Gabourey Sidibe, a Precious do filme de mesmo nome.
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Eu achei absurdamente maravilhosa a ideia. É de uma libertação tão grande ver uma figura tão diferente do que se costuma ver nas capas das ELLEs da vida que pra mim chega a ser histórico.
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Infelizmente, como pra tudo há uma turma que reclame, caíram de pau, alegando que clarearam a atriz na capa. Olha, de fato, parece bem mais clara, sim, como se pode ver pela comparação na internet aí abaixo:
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Eu só acho o seguinte: clareada, photoshopada, retoque, isso rola em qualquer capa. E, pelo menos pra mim, parece que deram uma "dourada" geral na capa, não só na pele dela. Também não puseram ela loira e branca, como costumam fazer com a Beyoncé, por exemplo. Mas enfim.
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Agora, um outro detalhe que deu o que falar é que a edição tem quatro capas diferentes (odeio essa mania de revista com mais de uma capa, falarei sobre isso num outro post). Cada uma dessas capas da ELLE veio com uma atriz. Todas elas, magrinhas e branquinhas, ganharam foto com corpo inteiro. E a Gabourey não.
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De novo, eu sou obrigado a ficar um pouco do lado da revista. Por mais que realmente seja uma coisa meio sem graça (e, na minha opinião, uma bobagem da revista, já que Gabourey já fez capas bacanas de corpo inteiro também), não deixa de funcionar como um destaque. As outras três opções me parecem todas a mesma, e todas a mesma coisa de sempre. Pra uma edição comemorativa, definitivamente eu compraria a edição com a capa da preciosa.
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É aquela coisa, racismo nos Estados Unidos é uma história complicada (aqui também, eu sei). Todo mundo tem razão e não tem. Eu achei interessantes os argumentos de "defesa" da ELLE. E, na verdade, acho que o povo gosta mesmo é de ver o circo pegando fogo, daí tanta conversa.
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Pra mim, com todas as questões envolvidas, continua sendo uma revista de moda das mais importantes, com uma atriz negra e bem gordinha na capa. E isso, vamos combinar, não é coisa que se vê normalmente.
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(ainda mais na ELLE Brasil, reduto das anoréxicas. Né?)
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Parabéns Gabourey, parabéns ELLE USA!sssss
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5 comentários:

Janaína disse...

Atitude, hoje em dia, é o que faz toda a diferença. É o que faz a gente fazer diferente do padrão, já que ser negra e/ou gorda é ser considerada totalmente fora do padrão. Parabéns pra Elle USA!
E o filme Precious é lindo. Quem ainda não teve a oportunidade de assistir, assista. É um soco no estômago, mas é um sacode muito pertinente pra nos fazer pensar em como nos posicionamos no mundo, nos nossos sonhos, em buscarmos fazer o melhor daquilo que somos e, principalmente, como RESPEITO e AMOR PRÓPRIO fazem toda a diferença nesta vida.

o Humberto disse...

Falou tudo, Janaína, falou tudo.

Fernanda disse...

Não assisti ainda esse filme,mas com certeza fará parte do meu cineminha caseiro proximo.Quanto a capa,acho que é o sinal dos tempos,afinal ainda mais nos EUA a maioria das pessoas são obesas e quase a totalidade negra,inclusive o presidente...Então já estava na hora da ELLE se mancar e fazer uma capa coerente com a nação...Não é mesmo?Só acho uma pena não terem colocado ela de corpo inteiro como as demais atrizes,ser gordinha também é ser sexy e como disse a Janaína tendo atitude é isso que faz a diferença.Aposto que ela é bem feliz com ela mesma,e não faria feio sair na capa de corpo inteiro afinal a danada é atriz e se espoem em seus papeis não é a toa.Se não tivesse uma bela auto estima nem de casa sairia, imagine só em uma capa de revista.FELIZ DAQUELE QUE SE ACEITA COMO É NA VERDADE!!!

Sarah disse...

Olha a Elle, surpreeendendo muito!!
Porém, concordo, as outras capas estão normalecas demais.

Mimo disse...

não concordo com esses argumentos "porque a nação seja assim a revista tem que ser" que nem o pessoal que asiste novela e não acha um personajem com quem se identificar, reclama porque quer se ver espelhado na ficção...

Existem mundos e mundos, e ninguem tem a obrigação de aceitar todo o mundo, desde que não falte o respeito ao outros

Acho meio mentiroso esse lance de revista de moda fazer uma capa com uma gorda, negra e feia se dentro da revista não vão nem vender, nem ser pro, nem falar nada disso (além da materia com a menina)

Tambem acho mentiroso o povo cobrar dos outros que sejam super open, e que nas novelas revistas etc, cobrarem que apareçam negros, pobres, gays, asiaticos, e todas as divergencias só porque as divergencias existem. Sim, elas existem, mas não, elas não convivem todas full time. E a moda é basicamente comandada pela europa, logico que eles vão escolher como padrão de beleza seu padrão de "normalidade"... logo quem se vincula com moda saberá que é um mundo restrito pra pouca gente, e que a ~diversidade~ quase não existe lá, e estão em todo seu direito. Afinal, todos escolhemos com quem queremos nos vincular, não rola essa de forçar os outros gostarem de nos por "sermos feios" rsrsrs

Entendo e respeito essas ideias de que "todos aceitemos todo o mundo", e não nego que seria um mundo muito mais bacana, mas acho fantasioso e eu não consigo seguir em frente com a ideia porque eu não conseguiria cumprir...