domingo, 10 de outubro de 2010

eu tenho vergonha

Em 2002, Regina Duarte disse que tinha medo. Isso virou um clássico da canastrice nas campanhas eleitorais no Brasil. Mas a escrotidão que envolve a propaganda de candidatos no país nunca parou de crescer, e este ano ela se superou, porque foi além da campanha em si. A bizarrice, o preconceito, o ódio, tudo isso tomou conta dos "debates" nas redes sociais e, principalmente, na imprensa "imparcial". E o pior de tudo: em 2010, vejam bem, 2010!, a campanha eleitoral para o presidente do Brasil, país laico, está girando em torno do aborto e da religião. Pode pedir pra descer, né?
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Junta toda essa podreira e dá isso aí acima, a capa desta semana da Veja. A Veja, aquela mesma revista que, 13 anos atrás, fez a capa aí abaixo, digamos, "a favor do aborto", a favor de um debate não-fundamentalista sobre um assunto de saúde pública extremamente fundamental no país.
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Eu tenho vergonha mesmo disso. Da imprensa brasileira, dos candidatos, do tipo de campanha que se faz, do não-debate, dos eleitores. Utrapassa a hipocrisia tudo isso, é mais uma falta de vergonha na cara mesmo que, ao que tudo indica cada vez mais, é traço cultural brasileiro.
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Que venha logo 2012.
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P.S.: Minha amiga Luisa chamou a atenção para um fato que eu tenho que destacar, ainda que me doa, a capa é escrota, mas em termos de design foi muito bem pensada. Taí minha cara a tapa.
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Um comentário:

Janaína disse...

Não dá pra esperar muita coisa da Veja mesmo não. Infelizmente. A isenção e o ponto de vista jornalísticos dela oscilam ao sabor das marés. E a memória foi engolida por uma tsunami.