terça-feira, 18 de janeiro de 2011

até onde você pode (ou pôde) ir?

Ontem assisti "A Rede Social", sobre o carinha lá que criou aquele belezura que quase não nos dá desgosto chamada Facebook.
s
Não tenho a pretensão de fazer uma análise do filme porque não gosto, se quiser ler alguma coisa a respeito, vai lá no Salada de Cinema do Fernando (link aí ao lado).
s
Minha opinião geral: um filminho bacana. Nada fenomenal que mereça ser premiado e ganhar Oscar (como VAI acontecer). É um filme legal, você se envolve, mas sinceramente, tem filme muuuuito melhor. E, ah, Justin Timberlake pra mim será sempre isso aqui ó.
s
De toda forma o filme mexeu comigo. Eu arrumei um hábito de assistir filme só de madrugada, sozinho, daí eu viajo melhor. "The Social Network" me fez pensar em muita coisa. Eu sei que você pode estar aí já pensando em me jogar na cara que "por isso ele é bom", mas eu esclareço que me fez repensar toda uma década de vida porque me levou de volta a 1999 (portanto, uma experiência individual).
s
Logo que começaram as cenas do campus foi impossível não lembrar da vida na Utexas. Estudar numa universidade estadunidense é diferente de qualquer experiência universitária que você possa ter no Brasil. Não me refiro particularmente aos quesitos acadêmicos em si, falo da vida mesmo, a experiência cultural. É uma outra coisa. As possibilidades e o aprendizado, de modo geral, ultrapassam qualquer coisa que a gente tem por aqui.
s
Quando entrou em cena o personagem Shawn Fanning (o do Justin) aí que fui pra Utexas mesmo. Eu estava lá quando o fenômeno Napster, criado por ele, tomou conta. Numa das bibliotecas, quem sentava na última fileira dos 500 computadores do seu laboratório, via todos os 500 usuários se dividindo entre os trabalhos acadêmicos e o Naspter. Eu lembro nitidamente de ter vivido essa cena, de parar, olhar e pensar "putaquipariu, todo mundo no mesmo site".
s
Das várias coisas que passaram pela minha cabeça enquanto via o filme, me pegou particularmente a pergunta: "Por que eu não fui mais atrevido, mais cara dura, menos certinho naquela época?". Claro que em cada momento da sua vida você sabe o que é melhor pra si mesmo, ainda que instintivamente. Não adianta eu, com 33 anos, olhar pro Humberto de 22 (inocência de 16) com meus olhos já mais vividos. De todo modo, pensei muito no quanto eu era um rapaz ralador, sério, comprometido, inacreditável, mas otário. Eu devia ter chutado o balde nessa vida muito tempo atrás.
s
Também fiquei pensando nessas redes sociais todas e nos nossos novos hábitos. Olhando por esse lado até acho que o filme tem seu mérito -- não deixa de ser um retrato do nosso tempo bizarro. Mas também me perguntei outras coisas, como "Por quanto tempo mais o Facebook vai conseguir evitar o triste fim que teve o Orkat?" ou "Quando será que as pessoas vão se cansar dessas relações impessoais e vai-se criar um movimento de retorno ao convívio de fato" e ainda "o que eu posso fazer, já contando com isso, pra ficar bilionário também?", rs.
s
Acho que vale assistir o filme, até pra ter sua própria opinião a respeito (óbvio, né?).
s
Pra mim, mesmo não tendo achado o melhor filme do mundo, valeu por tudo que me trouxe de lembrança e por tudo que me fez ter de ideia. Eu gosto disso.
s
s
P.S.: Só pra constar, "A Rede Social" levou o Globo de Ouro de Melhor Filme de 2011. E não apenas pra constar, mas pra comemorar bastante, Natalie Portman levou o de Melhor Atriz (pelo maravilhoso "Black Swan", claro).
s

5 comentários:

Tainá disse...

ô dó do Justin, Acho que é exatamente por eu ter pegado ele só na época pós NSync que eu gosto dele.

Heron disse...

Tô querendo ver se o assisto este sábado para fazer um post também Humberto!

E muito bom seu post. Fico vendo estas enquetes de 'quanto tempo você passa conectado' e reflito: poxa, umas 5 horas por dia...é muito!

É deixar de viver a vida offline né! A vida lá fora é muito mais bacana do que atrás de um pc, mesmo com toda a informação disponível.

Porém, cada vez mais as pessoas se escondem por trás da rede para não viê-la, sei lá por qual motivo. E pensar que tempos atrás nem sabia o que era net, hehe, como era bom.

Mas assim como o celular, ficar sem net é pedir pra chorar. Uma droga, vicia, mais do café. Mas ainda há tempo...vou ali buscar um cafezinho hahaha. Abraço!

Heron disse...

"...trás da rede para não vivê-la, sei lá por qual motivo." - corrigindo o erro de digitação ok!

railer disse...

que bom que o filme te trouxe lembranças boas. mas cara, quanto a coisas que a gente deveria ter feito, eu sempre penso que a gente faz o melhor que pode de acordo com a maturidade que a gente tem em cada época. é assim que as coisas acontecem.

Augusto César disse...

"A Rede Social" está na minha listinha de obrigações, rs.