quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

vai sem medo

Lembram da Fatima Ali? É a jornalista que fundou a Nova no Brasil, uma das pessoas responsáveis pela paixão que eu tive por revistas durante anos.
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Um dos textos dela que eu mais gosto nunca foi publicado. Pelo menos eu o conheci na internet. De tempos em tempos eu acabo relendo, e hoje, depois de uma visita ao blog do meu amigo Dan, deu vontade de ler de novo. E desta vez deu vontade de publicar aqui.
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Deliciem-se com as palavras de Dona Fatima. Depois me contem o que acharam.
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Abraços pro Dan, abraços pra todos!
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JOGO DE CINTURAs
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Quando, afinal, tudo estava certo, no lugar exato, se encaixando, tudo mudou. Outra vez.
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A história não era bem aquela, as coisas não eram mais bem assim, o caminho não é mais aquele, a pessoa não era tão legal, o namoro acabou, o casamento gorou, o emprego dançou. De repente, o susto de novo, a falta de chão. Tudo que era deixa de ser. Muda o panorama, o horizonte, a perspectiva, a vida. Canseira, preguiça, raiva. Quando chegará a minha vez? Nunca! Pelo menos não desse jeito que a gente fantasia "a nossa vez". Não existe um momento estático em que tudo fica de um determinado jeito: nem um determinado jeito ruim, nem um determinado jeito bom. O bom e o ruim mudam. O bom e o ruim passam. Só há uma coisa segura, certa e imutável na vida: nada é seguro, certo e imutável.

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Por isso, não adianta ficar esperando a vez de chegar. A vez já chegou, está sendo agora, e o melhor a fazer é aproveitar a mudança para ver, olhar, refletir, mudar o ponto de observação, considerar o mundo sob uma outra ótica, outra lógica, outros meios de conhecimento. Não adianta olhar para trás e curtir aquela dorzinha funda, por trás da mudança: infelicidade de agora lembrando da felicidade de ontem. Mais construtivo é viver com a mudança. Algumas reflexões que passam pela minha cabeça quando me vejo na situação de enfrentar a mudança.
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Não é bom controlar o mundo lá fora, segurar, prender, forçar para que as coisas se encaixem em um jogo de quebra-cabeças criado pela nossa imaginação. Controlar o de fora é impossível. Quebra! O negócio não é esperar que o mundo se adapte a nós. Nós temos que mudar para estar em harmonia com a nova situação lá fora.
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Ter flexibilidade. Jogo de cintura. Ser leve. Retirar peso. Flutuar como a pluma, dançar com o vento, sem resistência, sem oposição. Pensar que a mudança, por pior que seja, sempre traz com ela um certo alívio. Passado o período difícil de transição, cheio de incerteza e confusão, vem o prazer da descoberta do novo, o novo lugar, o novo ambiente, a nova alegria e a esperança da reconstrução.

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O movimento cai, levanta, constrói; cai, levanta, constrói, de novo, e de novo, enrijece o músculo, aumenta a elasticidade, a força, o jogo de cintura, a capacidade de viver melhor a vida.

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Sobretudo, não ter medo de perder. Com medo de perder, não se arrisca. Com medo de morrer, não se vive.

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Lembrar que, na praia, cada onda que cresce e se desenvolve deve a sua beleza ao desmanchar da onda que a precedeu. E considerar as perdas como batalhas, não como a grande guerra.

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Enfrentar o momento da partida, mesmo quando não se tem lugar certo para ir. Abrir para o desconhecido, deixar o desconhecido entrar e atrapalhar.

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Olhar a mudança como natural, e não a exceção, a surpresa, a coisa ruim. Viver é um processo. Mudança é vida! Só não muda quem está morto. E nós estamos vivinhos da Silva.

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Fátima Ali

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8 comentários:

Caroline disse...

Eu literalmente AMO ESTE TEXTO! Sempre releio quando estou passando por alguma situação difícil.
No momento estou passando por dilema,mas no final tudo dá certo.

Abs e bom final de semana.

Dan disse...

Ah, que bom começar o dia lendo isso aqui, meio que dedicado a mim! rs
Poxa, não conhecia o texto e cara, encaixou-se como uma luva.
Acho que de tudo que está acontecendo comigo, o mais difícil mesmo é aceitar que pra conseguirmos algo, precisamos abrir mão de outro: "Lembrar que, na praia, cada onda que cresce e se desenvolve deve a sua beleza ao desmanchar da onda que a precedeu."

Obrigado querido. Pela citação, pelo carinho e pelo texto que me fez respirar fundo e assumir estas mudanças já neste final de semana!

Bom fds pra vc!
grande bjo
Dan

Abraão Vitoriano disse...

adorei esse lugar,
e já me sinto na vontade de voltar outras vezes...

beijos,
do menino-homem

fique com Deus!

e CONTINUEMOS...

Janaína disse...

ADOREI esse texto, Humberto! Não conhecia ainda, mas agora já vai fazer par com o "Sobre o tempo e as jabutucabas", que adotei há algum tempo como mantra oficial da minha vida. Se tiver oportunidade, busque-o depois na internet, ou leia no meu prefil do Orkut. É de autor desconhecido, o que acho uma pena, pois se eu soubesse quem criou essa obra, lhe beijaria as mãos e perguntaria: "Será que somos gêmeos?" ... rs
Um beijo, querido!

Janaína disse...

Ops... desculpa! RETIFICANDO rapidinho: "Sobre o tempo e as Jabuticabas" é do Rubem Alves, de quem eu gosto muitíssimo, mas que não pode ser meu gêmeo pela clara e imensa diferença de idade. Já a semelhança de pensamentos e o beijo na mão estão mantidos... sem a menor dúvida nem cerimônia... rs

Mr. TV disse...

Não conhecia ainda o texto. Lindo! Agora correndo pra ler "Sobre o tempo e as Jabuticabas" que a Janaína falou. Google agora! hehehe... Abraço Humberto

Caroline disse...

Adorei o texto indicado pela Janaína. Muito bom...Já arquivei comigo,

Valeu pela dica!

Abs,

Heron disse...

Não conhecia, vou copiar e replicar a todos meus amigos e colegas de profissão.

Este texto é cru, sem nuances. É para nos fazer pensar na adaptação e nas certezas de que as incertezas são passageiras, mas cabe a você (eu) tomar a atitude de quer mais. E sempre.

Mesmo que a vida venha e lhe dê uma lambada. Obrigado Humberto, por este post.

Vou replicá-lo no meu blog agora.

Abraço.