quarta-feira, 16 de março de 2011

my own Toy Story

Em 1995 eu tinha 18 anos. As chances de eu assistir "Toy Story" eram tão poucas que eu passei outros 16 anos sem ter a menor vontade de ver.
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O fato é que quando os mais diferentes amigos meus, todos muito inteligentes, começaram a falar muito de "Toy Story 3", eu reconsiderei. Pensei em só ver o último filme mesmo, mas fui convencido pela Tainá, uma entre esses amigos (e ainda mais jovem do que eu era quando saiu o primeiro filme), a acompanhar a trilogia toda.
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Eu vou tentar passar neste post a dimensão do sentimento que me tomou logo no primeiro filme. Este post foi programado pra entrar no meio da tarde, mas não se enganem, foi escrito de madrugada, logo depois que terminei de ver "Toy Story 3".
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Então... Primeiro assisti aos dois primeiros filmes numa mesma noite. Logo no primeiro senti um milhão de coisas diferentes. Primeiro, pensei que foi melhor mesmo esperar tanto tempo. Em 95 eu já era oficialmente adulto, mas ainda era muito inocente. Ver uma coisa dessas, depois que já endureceram meu coração foi a melhor coisa que podia acontecer (justamente porque amoleceu um pouquinho de novo).
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Eu não pude deixar de lembrar, logo no primeiro filme, que eu, como provavelmente qualquer criança, abria os olhos várias vezes durante a noite porque eu tinha certeza que os brinquedos mexiam e falavam enquanto a gente dormia. Esperei tanto pra ver isso... "Toy Story" tem tanta coisa, mas tanta coisa da minha infância que chegou a ir num estado de vida meu que eu já não lembrava mesmo.
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Aqui em casa fui criança, junto com minha irmã mais nova, depois que sete (isso mesmo, sete) outros filhos já eram adultos e adolescentes. E sendo filhos de "avós", a gente só tinha a gente mesmo e os brinquedos pra brincar. Não podia sair na rua, não podia receber nem ir na casa de ninguém. Então era bem como no filme. Todos os brinquedos "tinham vida", eu lembro que a gente tinha essa cidade fictícia, era igualzinho em "Toy Story", até os cubinhos de madeira falavam.
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Todo dia todos tinham de ser guardados numa caixa à noite, mas ao amanhecer, a cidade (lembrei agora, era um Estado, e cada parte do quintal era uma cidade -- com prefeitos, escolas, empresas, tudo), enfim, ao amanhecer, tudo era montado de novo (adivinha por quem).
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Eu tinha dois terrores nisso: um, que achassem que eu estava brincando de boneca. Agora vê que merda, era igualzinho o Andy, sem maldade nenhuma, mas em se tratando da realidade atrasada daqui, aquela coisa inocente toda ao mesmo tempo já era motivo da minha própria censura, aos, sei lá, 6 anos de idade.
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O outro terror tinha até nome: Gilson. Meu irmão adorava falar com a minha mãe que a gente (eu) tinha brinquedo demais e que ela tinha que dar aquilo pros outros. Ele mesmo já virava a caixa no chão pra mostrar pra ela que "tava tudo velho" e passando da hora de jogar fora. Ou seja, aquele terror todo do filme, ah sim, vivi na pele quando era bem novinho.
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Eu me pergunto que fim terá tomado o Pluto, um cachorro de plástico que eu tinha desde muito neném... neste momento aqui eu lembro de muitos, muitos do "cidadãos" da minha cidade fictícia, mas nem vou ficar descrevendo pra não passar por ainda mais louco. Ah, a gente tinha dois Cabeças de Batata!
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Restaram aqui comigo minha ambulância do Dr. Saratudo (eu queria ser médico), meu bombeiro do Snoopy e o Lino, um urso (tinha que ser um urso), que era algo como o meu Woody. Fizeram muita companhia a mim até eu ficar bobo e passar a gostar de revista.
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Enfim... o fato é que a trilogia "Toy Story", pela qual eu não dava nada, mexeu num baú de recordações que eu nem lembrava que tinha mais. Não sei se eu chorei no 3 tanto quanto me falaram que eu ia chorar, mas, né?... (acho que este post dá uma ideia do quanto o filme mexeu comigo. Na verdade, acho que não dá não, rs...).
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Obrigado, Tainá. Por depois de tantos, tantos anos me fazer sentir um pouco do Humbertozinho que fui há muito tempo. Só que desta vez, sem medo, sem culpa, só com carinho.
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Chorei pra caralho.

12 comentários:

Mr. TV disse...

sabe o tipo de gente que a gente quer e precisa ser amigo, apenas porque a gente admira de montão, pois então, desde que comecei a ler seus comentários (sempre bem-vindos)sinto essa vontade. vc é humano, (todos somos humanos né não? rsss), humano com todos os seus sentimentos e pensamentos. chora, ri, se emociona, fica triste, feliz, e qdo fica feliz... ilumina a todos. grande abs viu? fica cm Deus!!!

Dan disse...

que lindo amigo!
é bacana ver o quanto vc é sensível e apaixonante!
Fico feliz que saiba viver suas emoções assim, com um simoples filme pra crianças (que aliás é demais!!!)

continue assim!

bjo grande!
Dan

Tainá disse...

Ai que lindo Humberto! Vejo Toy Story desde pequena, e depois do dois nunca achaie que fossem fazer outro. Se vc tivesse visto só o 3 vai olhar e pensar 'grandes coisa', e não ia perceber o tanto de emoção e recordações que a história carregava principalmente para o Andy. Se olho pro outro lado, acho que não deviam ter feito o 3 só pra história não ter acabado. Mas acho que as coisas são assim, elas não acabam, mas sim começam coisas novas. Você sabe que amizade é meu ponto fraco, e nisso Toy Story não podia ser 'pior', porque lá uns gostam dos outros principalmente pelos defeitos. Sem contar que eu cresci vendo Toy Story 5464884984897354 milhões de vezes, sempre com meu pai (fãzasso de carteirinha do Buzz)que tá SEMPRE passando no Dsney Channel hahaha.
Só isso. http://tinyurl.com/6zqoxoa
Engraçado como que a mesma coisa adquire significados tão diferentes para duas pessoas, mas que ao mesmo tempo tem muito em comum.

Cris disse...

Humberto, como mãe, só posso dizer uma coisa: que bom que vc foi feliz na fase mais importante da sua vida: infância.

Meus filhos cresceram indo para o sítio, convivendo com a natureza e o mundo faz-de-conta.
A vida do imaginário tinha apenas uma fonte: eles mesmos e isso foi a melhor coisa que eu podia ter feito por eles: pouca tecnologia e muita natureza, imaginação, brinquedos comuns.

Sua experiência é um reencontrar novamente com essa magia divina que todos nós guardamos: infância!

Sua amiga foi realmente genial; abriu a porta de tudo isso novamente.

beijo para os dois!

* As fotos dos brinquedos emocionaram-me. Lembro-me deles !

Tô Ligado disse...

Cara... acredita que nao vi nenhum dos 3 pelos mesmos motivos seus? irei repensar o assunto

Caroline disse...

Nossa amigo, esse filme é ótimo. Já assisti várias vezes. Sempre que passa na TV paro para assistir. Adoro desenhos.

Ah! Eu também tinha o cabeça de batata rsrsrs...

Abs,

Juliana Romano disse...

Eu também não dava tanta importância para os filmes anteriores.. Até já tinha assistido e gostado.. mas não super vangloriava igual faziam meus amigos nerds... Mas depois de assistir o 3º me apaixonei!
Certamente essa trilogia contraria aquela máxima de que o primeiro filme é sempre o melhor. Neste caso.. o terceiro ganha em disparada, pelo menos pra mim
:)

david era uma vez... disse...

Nossa Humberto, me admira muito vc ter resistido a esse filme por tanto tempo.
Conheci o Clark na época do Toy Story 2 e o animo gigantesco dele animou tanto a mim quanto ao meus filhos!
E sempre foi os filmes queridos de casa. Não da pra não se colocar na figura do Andy e nem sentir a vontade que aquilo que sonhamos realmente acontecesse como no filme.
Que bom que vc assistiu e se rendeu!
Bem vindo ao time!

Beijos mon ami

DO disse...

Muito bacana esta sua "entrega". Eu tbem só assisti a este filme muito recentemente.Um pouco de prevonceito faz com que a gente perca muitas oportunidades de sentir estas sensações,estes sentimentos.
abração!

gra disse...

q sensivel. num choro num cine desde piaf

o Humberto disse...

Nossa, um comentário mais bacana que o outro. :)

brigadão, todo mundo. Brigadão mesmo!

railer disse...

gostei do seu texto.
mas eu fui esse filme no cinema, em 3d, e não achei isso tudo que comentaram. aliás, gostei mais de 'enrolados', cuja crítica eu escrevi no blog.