segunda-feira, 25 de julho de 2011

“Existe uma luz no céu acima de nós que apenas quem ama consegue ver.”

A morte da Amy não me chocou. Me entristeceu muito, me chateou indescritivelmente. Mas não me chocou. O que me chocou mesmo foi o festival de mau gosto que se seguiu ao fato.

Na internet, nas redes sociais, aquele festival de piadinhas que é bem tradicional neste país. Como bem pontuou minha amiga Sheilla,“se o povo brasileiro fosse tão proativo pra cuidar de seu país quanto é pra fazer piadas trash, o Brasil seria outro”. Gente que ri de morte, eu nunca vou entender isso.

Teve ainda o festival de donos da verdade em muitos blogs. Todo mundo com pérolas do tipo “ela não quis se cuidar, mereceu morrer”. Outra coisa que eu não entendo e nunca vou entender, gente que merece morrer. Será que tem gente assim tão melhor a ponto de merecer mais que o outro estar vivo? E falar o que uma outra pessoa quis ou não quis fazer, como era ou não era a vida dela é muito fácil, né? Ainda mais quando ela não está mais por aí pra se manifestar.

A imprensa sensacionalista me chocou, mas menos, porque dessa a gente não esperava outra coisa. Mas me chocou muito o mau gosto das “homenagens” do “Fantástico”, por exemplo. Precisava da Daniela Mercury gemendo “Back to Black”? E aquele festival de matérias moralistas? E aquele papo manjado dos 27 anos, quem ainda aguenta?

Agora, o que provavelmente mais me chocou foi a rapidez do Submarino.com em tentar lucrar em cima da tragédia da cantora. Amy foi declarada oficialmente morta no Brasil por volta das 13.40h. Às 17:09h eu recebi um email marketing do site, com a promoção “Tributo a Amy Winehouse”. Olha, eu não sou inocente e sei que vivemos há centenas de anos num mundo capitalista, como diria a outra lá. Mas é de uma estupidez sem precedentes esse tipo de ação. É o cúmulo da indelicadeza

E neguinho ainda enche a boca pra dizer que a louca era a Amy. Ah, façam-me o favor.


P.S.: Aos amigos todos que foram particularmente carinhosos comigo por conta disso, gostando ou não da Amy, muito obrigado mesmo. Confesso que nunca havia me sentido tão triste pela morte de um “célebre”, mas acho que tudo que já escrevi sobre ela aqui no blog diz muito sobre minha história com ela. Abraços.
P.S.2: Ah, dos muitos textos bacanas que eu li sobre o ocorrido neste fim de semana, sugiro este aqui, do Marcelo Rubens Paiva, que foi o mais pontual a respeito.
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16 comentários:

Caroline disse...

Nossa...as homenagens do Fantástico foram de doer...

Abs,

RAFAEL disse...

a minha homenagem a Amy, é justamente não ver nada do que estão falando...nem ao menos vi o fantastico pq sabia que vinha merda...

Amy me deixou triste com a sua partida tb...prematura demais...

Já entrei em conflito com o povo que falou mal no facebook...então vou me calar. Quemnão tem capacidade de entender que a dependencia quimica é uma doença e que ninguem chega ao estado que ela morreu por que quer, então não merece que eu perca tempo tentando explicar...que fiquem com seus idolos de plastico...que cantem com Luan santana....

abração Humberto.

FOXX disse...

tb achei as críticas a vida dela de extremo mal gosto

Dan disse...

eu fiquei bem triste tbem!
=(

Lorena disse...

É, eu não amo Marcelo Rubens Paixa à toa. Não mesmo. Até na morte da Amy o cara consegue escrever o que eu penso a respeito.
Sobre Fantástico e demais coments sem a menor noção: dava pra esperar outra coisa? E o pior: O Fantástico ficou fazendo suspense dizendo que teria uma homenagem no final do programa e era uma cover bem trash cantando muito mal. Naonde que isso é homenagem eu não sei, mas, no fundo, não esperava outra coisa.
Besos!

Janaína disse...

Humberto, também recebi este e-mail do Submarino. Fiquei de cara! Não só pela rapidez, mas muito mais pela completa falta de noção.
Cheguei a comentar com meu irmão, que me lembrou que, infelizmente, situações como essa, fazem jus àquele ditado de mau gosto, mas verdadeiro: "Na guerra, uns choram, outros vendem lenços."
Infelizmente, o mais triste disso tudo nem é a morte em si, que já nos deixa suficientemente consternados, mas muito mais a COMPLETA FALTA DE NOÇÃO da maioria dos veículos de comunicação na abordagem dos fatos. Tá todo mundo querendo vender lenço, jornal, revista, coletâneas, acessos na rede... tudo! Menos algum ensinamento válido, alguma mensagem de consolo, ou alguma homenagem verdadeiramente digna. Acho que é porque essas coisas não são mercadoria, né, meu caro! E se fossem, nesse mundo cão que a Amy acaba de deixar, esse tipo de produto certamente encalharia na maioria das prateleiras.
Lamentável!
Em todos os sentidos.

Diego Rebouças disse...

Eu vou discordar. Acho que o texto peca justamente ao tentar glamurizar o fato, como tantos outros textos, ao dizer que "sua autenticidade era maior do que as vozes da razão e lucidez. E que, na sua arte, nos fascinava exatamente a resistência em ser comum."

Amy fascinava porque cantava bem. Sua música, como produto final, era boa. Ponto. Não havia gesto político.

Prefiro o texto de Rosana Hermann, que fala de um ponto de vista, obseva um sintoma da nossa contemporaneidade, em vez de tentar oferecer interpretação ou explicação:

http://noticias.r7.com/blogs/querido-leitor/2011/07/23/pobre-amy/

o Humberto disse...

Rafael, eu percebi pelo seu Face, pelo seu blog, que você estava se sentindo exatamente como eu. Eu te digo que eu fiquei um tanto desapontado com um festival de besteiras que eu li, sobretudo vindo de gente que eu não esperava.

Mas a gente tem de deixar pra lá. Com espírito de porco é meio difícil discutir.

Enfim, meu amigo, é se apegar à música e à lembrança da pessoa. O resto, deixe para o resto.
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Foxx, Dan, Carol... enfim, tudo isso é muito chato mesmo. :/

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Lorena, que bom ver vc por aqui. Olha, tinha tempos que eu não lia nada do MRP. Mas de uns dois meses pra cá voltei a ler, por acaso, e tenho gostado cada vez mais.

Quanto ao Fantástico, eu vi pouco pq, né?, difícil alguém dar conta do programa normalmente, e aquilo de ontem é inclassificável.

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Jana, vocês disse tudo. Uma coisa que não me deu sossego no pensamento foi não só os urubus querendo ganhar em cima dela agora, como o fato de terem passado todo esse tempo fazendo isso. Toda essa coisa da cobertura dos barracos e tal -- quem tava interessado em cobrir outra coisa? Falar da música espetacular? Pra quê?

Tenho uma amiga jornalista no Rio, e ela contou que mesmo ela ficou impressionada com a frustração dos fotógrafos pq ela estava de boa por aqui. Queriam era ela caindo bêbada, subindo o morro pra comprar droga... enfim, mundinho cão da porra.

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Diego, eu tenho OJERIZA de rosana herman. Mais que do Faustão.

E eu tenho certeza que a Amy não estava preocupada com gesto político nenhum, só em viver a vida dela.

Não sei para o os outros: pra mim bastava a música. Mas além da música eu admirava todo o conjunto. Muito fácil ficar julgando a Amy pela imagem fácil que a mídia achou pra vender.

Enfim, sua discordância, ainda mais a sua, é sempre bem vinda. Mas eu mantenho o que eu acho. E mantenho minha concordância com as palavras, todas, do MRP.

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Queridos, grande abraço a vocês todos. Obrigado pelos comentários todos.

o Humberto disse...

Mais uma sugestão, a quem se interessar:
http://migre.me/5lx26

Fernando disse...

Tanta tristeza, maior delas é ver o que o Submarino fez... sem desmedido esse tal capitalismo selvagem.

Sarah disse...

E ela é das musas do blog, né Humbert!Sempre foi.

M disse...

ridículo foi o pánico na tv ter sido flagrado no funeral da amy. as vezes brasil da vergonha alheia.

enquanto a amy, não fique chateado pelos comentarios podres, quem sabe faz quem não sabe ensina.

Ta aí, amy fez em 27 anos um legado musical que esses babacas que adoram repetir "ta aí a ensinança que droga mata" não vão fazer em 70 anos de vida sadía e mais 20 de fraldas.

denovo, disculpas pelos erros ortograficos k

Rafael Paschoal disse...

Eu estava num mercado popular aqui no Rio, e na hora em que sua morte foi declarada nos auto-falantes, eu não tive como segurar o riso: há poucos minutos, eu havia experimentado uma peruca da cantora, na lojinha de fantasias.

Fiquei nervoso ao saber que não se tratava de uma pegadinha, mas concordo que também não foi um choque. Infelizmente, Amy estava numa espiral e acabou sendo tragada para o fundo do poço...

Saiu dessa vida como um mito, sempre com aquela carinha marota de quem acabara de fazer uma merda. Só nos resta curtir sua herança musical, além da fantasia no Carnaval.

o Humberto disse...

Eu vejo o quanto eu realmente sempre gostei da Amy quando eu sinto um arrepio só de ler o que vocês dizem.

Adorei tudo o que você disse sobre a Amy aqui em comentários, Rafael. Definitivamente, não morreu, virou um mito.

Grande abraço.

Gim. disse...

Me emocionei com seu depoimento, simplesmente.
Hoje ela completaria 28 anos, definitivamente não foi um dia bom pra mim, a todo momento me lembrava, das vezes em que Amy era meu único "abraço", em seguida dos comentários maldosos e, por ultimo, da vontade tão grande que eu tive de morrer junto à cantora.
Eu já sabia que isso aconteceria, já sentia esse peso só de assistir pela internet as últimas apresentações da petit. Era quase óbvio. Mas nós, fãs, (acredito que) esperamos de verdade que ela melhorasse, esperei tanto. Como se Amy Winehouse fosse um membro da nossa família, seus problemas eram nossos. Todavia seu desinteresse pela vida estava estampado em tudo o que era seu, eu acho...
Cheguei ao seu blog pesquisando uma coisinha ou outra, algo bonitinho, algo que me apoiasse. É claro que eu morri de medo ao faze-lo, medo de trombar com outro comentário agressivo e me desanimar mais ainda. Assim que li, chorei.
Talvez pareça idiotice, mas acho que tenho meus motivos.
Enfim, muito obrigada, por escrever algo tão belo, por se importar. Obrigada mesmo.

o Humberto disse...

Emocionado fiquei eu com seu comentário, Gim. Vejo que a Amy significa para você tanto quanto sempre significará para mim. É uma pena mesmo que se tenha ido tão cedo, mas sua luz e sua voz estarão sempre por aí conosco.

Beijo, apareça sempre. :)

P.S.: digite AMY no buscador, tem MUITOS posts sobre ela aqui.