quarta-feira, 27 de julho de 2011

sobre zés e marias

Qualquer um que lê este blog há mais tempo sabe que são muitos os posts com um tom fortemente feminista. Desde o comecinho, tenho sempre falado por aqui dos direitos das mulheres, especialmente aqueles que às vezes nem elas se dão conta de que têm.

Mas apesar disso, eu nunca me declarei um feminista. Porque eu acredito que mulheres e homens têm suas diferenças – graças a Deus! –, mas se tivesse que dizer que “luto” por alguma coisa, diria que é mais por uma questão de igualdade de direitos (seja para homens, mulheres, o que for, por isso até esse selo aí à direita da tela).

Anyways. Semana passada acompanhei por alto o caso do jogador de futebol Zé Elias. Ele era um jogador fodinha do Corinthians, quando eu era adolescente, e depois, como acontece com vários, deu uma bela sumida (quem lembra daquele gato do Paulo Nunes do Grêmio? E do Amaral?).

O fato é que dia 23 o próprio Zé Elias se apresentou à delegacia para ser preso pelo único motivo que dá cadeia neste país, o não pagamento de pensão alimentícia.

Não que eu não ache que o pai não tem que pagar. Óbvio que tem que pagar, filho é filho e pronto. O que chama a atenção é o valor da pensão: R$ 25 mil, para dois filhos. Valor atrasado desde que o pai pediu revisão da quantia mensal, cerca de R$ 1 milhão. Sério, que tipo de despesa essa mãe tá tendo com esses meninos?

É claro que eu sei o tipo de vida de esbanjação que esses caras levam quando estão no topo. Claro que sei também das Marias-chuteiras e claro que sei que eles se fartam delas porque querem (e elas deles). Mas tudo isso não impede o questionamento do papel que a sociedade reserva para o pai na vida de uma criança. É o responsável financeiro. Ponto final. É só isso??

Eu não consigo deixar de achar esquisito esse tipo de coisa. O casal se divorcia e automaticamente a mãe passa a ter mais direitos sobre o filho, assim como o pai passa a ter mais deveres. Se o filho é dos dois, e os dois têm saúde, por exemplo, não deveriam ser iguais os direitos e os deveres? Tudo bem que hoje em dia seja mais comum a guarda compartilhada, mas ainda se pressupõe que o pai é que tem que dar conta do dinheiro pra bancar o filho e pronto. Soa pra mim como "comeu, agora pague".

Acompanhando essa história toda, não pude deixar de lembrar de um grafite que tinha na UFMG quando eu estudava lá. Dizia: “Os homens são todos iguais, mas crianças e mulheres primeiro”. Isso sempre me martelou. Afinal de contas, que droga de igualdade é essa? Minha vida vale menos porque eu sou um homem adulto? Quem decidiu que é mais correto que o homem vá à guerra? Por que tem todo rapaz de 18 anos de se alistar nas forças armadas do país?

Esse na verdade não é assunto pra post, isso é caso de discussão. Porque pede espaço para pontuações e para diferentes pontos de vista (eu sei, por exemplo, que tem pai que não quer pagar pensão mesmo tendo condições, assim como tem mãe que não quer a guarda do filho, assim como tem mãe que gasta essa pensão e por aí vai).

Tenho certeza de que nem expus parte do meu ponto de vista como gostaria. De toda forma, ressalto que para mim esse episódio vale ao menos pra levantar a discussão. Afinal, ainda que o homem, heterossexual, seja “a maioria dominante e opressora”, dá pra lutar por igualdade esperando apenas mudar o poder de mãos? É isso que a gente quer?


P.S.:A Dominação Masculina”, do Pierre Bourdieu e "A Construção Social da Masculinidade", de Pedro Paulo de Oliveira. Valem muito mais pra discutir tudo isso do que este post, claro.
P.S.2: Lembrei também deste vídeo aqui, de uma campanha pela licença- paternidade, que daria ao pai o direito de se afastar do trabalho para cuidar de seu filho recém-nascido ou adotado, lançada em março deste ano.


Se minhas palavras foram confusas e sem uma conclusão decente (porque não tenho mesmo), ao menos ficam esses dois P.S.s pra alimentar o diálogo.
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9 comentários:

Paulo disse...

Já vi alguns casos parecidos, e sempre achei um absurdo essas pensões astronômicas. Como você falou, a mãe fica com os filhos e os pais com os deveres! Bem errado isso...

Mr. TV disse...

cara, eu quero comentar isso aqui cm mais calma, passo aqui depois blz? de todo modo, solto um caralho!!! um sonoro caralho!!! e outro vlw Humberto. até depois...

FOXX disse...

adorei o seu texto
e me pego com as suas mesmas duvidas
mas tb não tenho uma resposta...

Fernando disse...

Que belo post! Que reflexão interessante sobre as igualdades entre os sexos. Muito, mas muito mesmo se diz sobre os direitos das mulheres, o que é válido, mas existem tb diversos momentos em que o homem está em desigual para pior em relação a mulher e isso pouco se discute. Mas deixa eu parar por aqui, antes que me xinguem de machista. Parabéns!

Ro Fers disse...

Lembro- me muito bem do Paulo Nunes e do Amaral....eles jogavam tão bem que eu detestava-os...

Infelizmente muitas "marias chuteiras" aproveitam, e muitos "tontos" abusam sem ter a noção do futuro transtorno...
Forte abraço!

alan raspante disse...

25 mil paus? Desse jeito até eu dava um jeito de engravidar de qualquer jogador... É, óbvio que ela não gasta tudo isso com essas crianças, se é que gasta, né?

Excelente texto Humberto e concordo contigo: Direitos iguais em todos os sentidos!

Mr. TV disse...

Todos merecem ser tratados com respeito e dignidade. Hoje se vê direitos para negros, para mulheres, para crianças, para gays, para os idosos, para os animais, e que bom que haja esse tipo de lei. Mas eu pergunto: e os direitos dos homens brancos héteros? Ser homem no Brasil já é difícil, agora vai inventar de ser branco pra tu ver? Experimenta colocar um branco que sente atração só por meninas. Piora tudo. Muito se fala em feminismo. Alguém já ouviu falar de masculinismo?
Masculinismo (ou também masculismo) designa um movimento social que saí em busca de direitos iguais e contra toda forma de discriminação ou rebaixamento do Homem, seja pelo sistema legal, cultural ou de qualquer outra aplicação sexista (seja contra o Homem ou a Mulher).

A atriz da Globo Stefany Brito pediu a prisão de seu ex marido, aquele Pato lá que agora namora a Berlusconi. Pede uma pensão de mais de cinquenta mil reais. Ela não tem filhos, alega que o casamento foi um empecilho para sua carreira. Eu tenho que rir disso tudo, nem que um dia ela se torne uma Glória Pires - pouco provável - eu voltaria a respeitá-la. E o pior: a lei está toda do lado dela. Eu também não gosto do Pato, mas nessa ocasião, tenho pena dele.

Um negro é tão inteligente que um branco. E vice-versa.

Se é para se ter direitos iguais, não faremos nenhuma distinção.

Abraço Humberto. Lindo post.

Caroline disse...

Amigo,

Muito interessante o post. Concordo com vc que a luta não é pelos direitos somente das mulheres, mas sim pelos direitos iguais independente do sexo.
Acredito que mudanças irão ocorrer somente através da educação, pois os costumes e crenças são passados de geração para geração, sem ao menos uma análise crítica. Os tempos mudaram, mas infelizmente as pessoas não. Pior que pessoas paradas no tempo, são pessoas que se dizem esclarecidas sobre determinadas posições de direitos e deveres como: opção sexual, preconceito de etnia, social e econômico, mas que em uma mesa de bar, num encontro com amigos, não conseguem sustentar suas verdadeiras opiniões por sentirem-se deslocadas no resto do mundo porque pensam de forma diferente. As pessoas precisam lutar pelos seus direitos e opiniões, pois passar por essa vida como só mais um no meio de vários é muito pouco. Bom...pelo menos pra mim.

Abs,

Anônimo disse...

Olá.
Primeira vez por aqui. Tudo muito bom.

Há demandas de pensão alimentícia que são dignas de serem comentadas na mídia. Poxa! 25 mil? É mais fácil pleitear a guarda e ficar com os guris, que homem tb é uma boa mãe.

E só pra fechar: há ex-mulheres que só entram com pedido de pensão não pensando nos filhos...

Abraço,
Richard Mathenhauer