sexta-feira, 25 de novembro de 2011

violência não mesmo

Era de lei: todo domingo, ali pelas 7h da manhã, começava o desespero. E era sempre a mesma cena (ou melhor, os mesmos sons): o marido chegava bêbado e batia no portão para a mulher abrir. Ela, apavorada e sabendo o que a esperava, gritava que não ia abrir. As crianças já choravam. Ele pulava o portão e aí começava o terror. Ela gritando, pedindo socorro, as crianças chorando e gritando também, e aquele manguaça filho da puta descendo o cacete na pobre. Do lado de cá do muro, outra briga: nós, os filhos e minha mãe, tentando falar com a polícia, e meu pai, criado nos anos 1920 (mesmo) brigando com a gente porque "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher" -- e a melhor, "ele deve ter motivo pra bater nela".

Só quem já presenciou, acompanhou ou soube de perto de casos de violência doméstica contra a mulher sabe o pavor que é isso. Durante meses a gente acordou tenso por aqui todo domingo porque aquilo se repetia.

"E por que ela nunca fez nada pra mudar a situação?"
, você pode se perguntar. É muito fácil ver a solução quando se está de fora, já diria Taty Piriguete. Mas para a mulher que é vítima dessa violência, há toda uma série de outras questões que fazem com que a solução não seja assim tão fácil. Além da dor e do trauma dela, há a dos filhos; há a vergonha; há a sociedade, que vai sempre achar que ela deu motivo pra apanhar. A mulher, sem fazer nada, já nasce culpada. Ao contrário do que eu li num blog semanas atrás (escrito por mulher, diga-se de passagem), a mãe que apanha não é uma fraca, covarde, que deixa para os filhos a tarefa de se livrar do pai agressor. Por pior que seja o pai, e eu digo isso por pura intuição, eu tenho certeza que a boa mãe ainda se preocupa com a imagem que os filhos vão ter dele, e com os traumas todos. Enfim, não é uma questão de se livrar sozinha de um demo, é afastar os filhos do único pai que eles têm. Olha, só quem já ouviu aqueles gritos pra saber, é muito, muito tenso.

Está rolando hoje um movimento de blogs pelo fim da violência contra a mulher. Vocês conhecem o blog, sabem que este espaço não depende de datas para fazer isso. Mas estou aqui fazendo a minha parte. Por outro lado, justamente porque eu sempre procuro levantar a questão da igualdade, gostaria de frisar que meu interesse é pelo fim da violência de modo geral. Odeio todo tipo de comportamento violento, seja contra a mulher ou contra quem for.

Não custa lembrar que os dados do IBGE divulgados há poucos dias chamaram a atenção pelo fato de que no Brasil os homens jovens morrem, vítimas de violência, quatro vezes mais que as mulheres. Então eu penso que se é pra juntar forças, que lutemos pela segurança de todos.

Eu compreendo que, de alguma forma, são questões diferentes. Mas ao menos por aqui, neste blog, fica a torcida para que a conscientização seja maior e que o direito de viver em paz seja de todos, independente do sexo.

É isto.


P.S.: Nunca mais soube daquela mãe e seus filhos. Sabe Deus que fim tomaram.
.

6 comentários:

Dan disse...

violência doméstica é realmente muito sério. mas será que pra aquelas crianças a imagem da mãe sendo agredida frequentemente não é muito pior do que perder um pai bêbado e agressivo?


adooooro vir aqui. vc já sabe disso né?
bjo e bom fds!

FOXX disse...

violência contra a mulher é sempre um problema, e é sempre resultado de muito machismo...

Edu disse...

Também sou contra qualquer violência, mas Gigantes de Aço é ótimo e se você e o Dan ficarem se paquerando quebro a cara de quem estiver mais perto!

Bobagem, brincar com assunto sério. Mas às vezes a brincadeira esconde ou ameniza o trauma.

o Humberto disse...

Dan, é tudo muito descontrolado, sabe? Difícil dizer o que é pior. Mas eu entendo seu ponto. Sério, eu fico puto só de lembrar daquele escroto. No mais, eu que adooro vc por aqui, vc sabe. ;-)

Foxx, meu caro, antes de mais nada, prazer revê-lo (thanks pelo presente!). Qto à questão do post, o mais foda é que a própria mulher interioriza o machismo e vai perpetuando...

Edu, hahaha, vai quebrar nossa cara? Eu já tenho o nariz quebrado, rs... e tudo bem a brincadeirinha, senão fica tudo muito pesado 9e hj é sexta, né?).

Abrazos a todos!

Caroline disse...

Qualquer violência seja contra quem for é inaceitavél. Agora pra mim, a pior violência é a psicológica, que muitas vezes fazemos com os outros, mesmo sem ter noção desse mal. Essa sim é difícil de superar.

Bjos

Paulo Braccini - Bratz disse...

violência, violência, violência ... uma marca vergonhosa deste nosso mundo ... isto é uma questão cultural mesmo ... precisamos é de educação ... só leis não resolvem este grave problema social ...

bjão