terça-feira, 27 de dezembro de 2011

consertar o barco ou se jogar ao mar

Uma coisa que acontece muito comigo, e à qual eu procuro prestar bastante atenção, é de eu receber alguma espécie de sinal ou recado por sonhos. Meu inconsciente é muito mais inteligente que meu "consciente".

Sonhos já me alertaram sobre pessoas, já me orientaram em decisões importantes e já me fizeram aceitar coisas que eu não queria.

Às vezes acontece de eu ter sonhos recorrentes -- foi assim com o pesadelo do lobisomem, que eu tive por sete anos na infância, e foi assim com as revistas difíceis de achar (como vocês devem se lembrar).

Eu tive um único sonho recorrente este ano. Sempre a mesma cena: eu, sentado num jardim, com esse moço que eu não conheço, nunca vi, nunca troquei uma palavra. Tal qual uma designer de empresa xulé, só eu falo (mas não há vaidade nisso, nenhuma); e eu falo, falo, falo e ele me escuta atento, de cabeça baixa, apesar de ser maior que eu. Bem, ele é maior, mas parece mais frágil.

Na verdade, no sonho eu falo muito, mas sempre perguntando se o jovem senhor me entende, e ele levanta rapidamente a cabeça, balançando-a em concordância, mais com vergonha de si mesmo que de mim. E o que eu tento dizer a ele, pegando em sua mão, é justamente isso, que ele não tem de ter vergonha porque nós havíamos entrado no mesmo barco furado. Éramos iguais porque tentávamos reconstruir o barco, como se houvesse alguém capaz de tal feito, e por tentarmos atravessar o oceano num barco fadado a afundar.

O Humberto do sonho conversa com esse pequeno Gulliver, um moço mais envelhecido e acabado do que deveria estar em sua idade, e diz pra ele não se anular. Diz pra decidir o quanto antes, se vai precisar ser forte pra tentar, talvez, ser aquele que vai dar jeito no barco e completar a travessia, ou se vai ser ainda mais forte pra saltar e seguir nadando até uma praia que lhe permita terminar vivo a história.

Confuso demais? Claro que sim, é um sonho (e dos meus). E sonhos podem fazer muito sentido pra psicanalistas, mas não pra leigos. Pra mim faz muito pouco. Esse sonho só me desperta a curiosidade mesmo por sua recorrência; Mas, enfim, eu disse que meu insconsciente é que é inteligente, o "consciente" leva meses pra entender a mensagem -- quando entende.

E é basicamente isso.

Boa noite, bons sonhos pra vocês.
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4 comentários:

alan raspante disse...

Fiquei até com medo de sonhar agora! Bem, isso comigo não acontece, ainda mais porque eu sonho apenas de vez em quando. Não é sempre. Eu sonho mais com eu quero que aconteça do que outras coisas... Meu inconsciente é burro! rs

Abs... E continue nos informando sobre sonhos!

Caroline disse...

Lindas palavras amigo! Precisamos ouvir mais nosso sexto sentido.

Bjos e bons sonhos.

Janaina disse...

Dizem que os sonhos são a manifestação do seu subconsciente, que podem ser a projeção do seus desejos, medos, ou das atitudes que tomamos em consciência mas que não sabemos muito bem as consequências. Coisas que a gente precisa pensar a respeito e que ás vezes são determinantes nas nossas decisões ou atitudes, sabe? Acontece bastante comigo ter sonhos assim, cheios de mensagens subliminares. E é impressionante como, cedo ou tarde, a vida me leva a situações em que sou obrigada a pensar e decidir coisas sobre as quais eu tenho a nítida sensação de já ter pensado sobre, vivido ou imaginado.. e era o sonho. É quase um dejavù, sabe? Ainda estou aprendendo a lidar com isso. Mas já que seu inconsciente é mais atento do que seu consciente, fique ligado aos sinais dele. Isso é o que o povo chama de sexto sentido. E dizem que ele nunca falha.

melo disse...

sonho, logo existo