quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Troféu Inocência Cega

Sempre que chega esta última semana do ano me lembro dos últimos dias de 2005. Eu era estagiário no lugar mais bacana onde trabalhei, mas a labuta não era brincadeira -- ralava o toba no cascalho com vontade ali, eu e a equipe toda.

Como vocês bem sabem, a semana que se situa entre o natal e o reveillón é sempre aquele cu, já que você está em clima de festa/folga, mas ainda assim tem que trabalhar. E no geral ou não tem porra nenhuma pra fazer ou tem muita coisa, é um caso de extremos.

Lá na empresa, no meu departamento, éramos dois estagiários. Minha parceira foi dispensada nessa tal semana, assim como outros quatro dos sete membros. Ficamos eu e minha amiga Perla*, que eu amo de paixão. E solo sabe Diós o QUANTO nós dois ralamos nesses cinco dias. Eu aguentava firme porque pra mim sempre foi uma honra trabalhar com a Perla*. E também porque eu tinha certeza que se a outra estagiária havia ganho cinco dias de folga, então também eu ganharia a outra semana, após o reveillón.

Eu me lembro que na sexta-feira a agência ficou toda vazia e ficamos nós dois, lá esperando a confirmação do recebimento de um material (eu lembro DO spot que a rádio tinha que confirmar. Aliás, eu lembro de nêgo na época me pedindo pra passar o spot por fax -- não fica difícil imaginar porque meu apelido era Humbert Saraiva e minha musa era a Nazaré).

Anyways, não dá pra descrever a intensidade da tabalheira, mas você que é publicitário pode imaginar. Fato é que, já no ano novo, recebi a notícia de que eu NÃO ia ganhar dia nenhum de folga. Aliás, o que não dá pra descrever mesmo foi o quanto eu me senti um otário aquela hora.

Quem convive em agência também sabe que muitas mesas são praticamente uma penteadeira de puta. E dos vários badulaques que tinham por ali na sala havia essa bonequinha aí da foto. Eu já tinha dado a ela o nome de Inocência, porque ela tinha essa carinha sorridente-boba de quem tem dificuldade de entender a readlidade das coisas. Na hora do susto ela ganhou o nome de Inocência Cega (e ganhou esses óculoszinhos aí, que estão incrivelmente bem conservados depois de tanto tempo).

A bonequinha virou um troféu, o Troféu Inocência Cega -- com o qual eu fui agraciado. Depois de vencer algumas vezes, virei hors-concours. Saí da empresa e o troféu ficou lá. Este ano, depois de muito tempo, acharam por bem que eu o mantivesse.

Agora a Inocência Cega fica aqui, junto às minhas revistas (ganhou um novo nome, Madonna, porque é muito magra, branca, velhinha e me assusta de madrugada). Depois dos muitos fatos vividos, me tornei mais merecedor do troféu do que nunca. Só já não sei dizer se essa inocência ainda é tão cega assim.


P.S.: Hoje eu rio da história da folga não dada, e guardo um carinho enorme não apenas pela minha então chefe, hoje boa amiga, como por toda minha história naquela empresa.
P.S.2: Pra quem você daria o Troféu Inocência Cega em 2011?

"É muita emoção! Eu dedico esse prêmio à minha mãe, ao meu pai, àquela amiga sincera e àquele cara que ficou de ligar semana passada! Thank you!"
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9 comentários:

Edu disse...

Estou prestes a dá-lo pra mim mesmo, por motivos mais que de sobra! Mas espero estar veementemente enganado!! (dizaê, esse "espero estar enganado", sozinho, já leva o troféu!)

Alan Raspante disse...

Eu bem que merecia ganhar esse prêmio. Estou aqui, como estagiário e sem direito a férias.

É.

Lobo disse...

Hahaha

Pois é, eu sou um que não mereço mais esse troféu hahaha.

Mas houveram tempos.

Beijo Humberto!

Caroline disse...

Durante um tempo eu era merecedora, mas não mais...não mais mesmo.
Bjos e um 2012 repleto de felicidades e realizações.

Diego Rebouças disse...

Ah, que delícia! Não adianta tentar apagar a História rebatizando de Madonna. O Inocência Cega tá no teu quarto!!!

Janaína disse...

Nossa... te falo que eu mereço esse troféu, viu Humberto! Trabalhei como uma mula de carga pra que outras pessoas pudessem ser promovidas e eu continuei ganhando uma míséria; fui conselheira-melhor amiga- muro das lamentações e direcionadora espiritual de alguém que amei muito e com sinceridade, pra depois ver a pessoa que ajudei a erguer nos momentos de crise me ignorar completamente e esbanjar aleluias de felicidade ao lado de outra nos murais do Facebook; fui "A gente boa" da família e no final, quando as coisas tomaram um rumo inesperado eu virei "A palpiteira autoritária que mal governa a própria vida e quer mandar nos outros"... Tenho ou não tenho motivos pra levar esse pra casa?! O bom é que agora eu sei exatamente o que não fazer pra ser bi-campeã nesse quesito!

Reginaldo disse...

And the winner is...
Eu mesmo!! Pelo conjunto da Obra. pode mandar a Madonna pra mim que será bem cuidada. Acho digno..rs

o Humberto disse...

Hahahaha, mas é tanta gente merecendo que ano que vem vou fazer o concurso de verdade!

melo disse...

eu ri..
cega é pouco