domingo, 24 de junho de 2012

pie with a heart in the middle

"Dear Baby, I hope someday somebody wants to hold you for 20 minutes straight and that's all they do. They don't pull away. They don't look at your face. They don't try to kiss you. All they do is wrap you up in their arms and hold on tight, without an ounce of selfishness to it."


Algumas semanas atrás, um desses que se convencionou chamar de parente adentrou meu espaço e começou a falar. Teoricamente era dos mais próximos. Começou falando de algum outro exemplar da espécie, porque falar uns dos outros é o esporte favorito de qualquer família, nós sabemos, mas não levou mais que um minuto pra eu ver que queria mesmo era falar de mim. E com jeitinho foi desabafando, falando mil coisas.

Quanto mais falava mais eu me calava, apesar de eu balançar a cabeça e até grunhir alguma coisa no automático. Mas é que eu ia me chocando mais e mais com o quanto quem estava ali falando de mim não conhecia nada, mas NADA de mim ou da minha vida. Eu fiquei completamente estarrecido com a ideia de que não há um único filho de Deus entre essas pessoas que me conheça. E eu senti uma solidão tão grande naquele minuto que, mais uma vez, e mais uma vez por conta deles, eu só queria sumir. Evaporar.

Eu não ia falar desse caso, pra não parecer esses marmanjos de 40 anos que ainda não aprenderam lidar com a família, como eu, mas daí hoje assisti um filme, indicado por alguém com quem eu nunca estive, mas que lê minhas bobagens neste blog. Ele disse que o filme era a minha cara. Não foi o primeiro filme que ele me indicou com esse mesmo argumento -- e não foi a primeira vez que ele acertou.

Daí não pude evitar de pensar o quanto é curioso isso: uma pessoa passa quase 30 anos ao seu lado e não te vê. Daí vem outra, que pra ter 30 anos ainda tem mais de 12 pra viver, que nunca te viu de perto (nem falou com você ao telefone) e já sabe bem um bocado de você. Como pode isso?

Eu não sei. Só sei que assim como as fotos que eu postei outro dia, isso me reanima. Dá um alívio na alma. E lembra que não importa quão bizarra seja a caminhada e quão esquisitas sejam as pessoas no meio desse caminho, sempre vai haver outras pessoas e histórias que vão te fazer sorrir também -- e não vão te deixar se sentir sozinho por muito tempo, ainda que estejam a quilômetros de distância.

Obrigado a você que me indicou "Waitress".
: )

Indico o filme a vocês também.
Bom domingo.


P.S.: E esse diálogo/monólogo que eu tive que ouvir, que sirva de alerta a todos nós, pro caso de também a gente estar vivendo com alguém sem conhecer nem um pouco essa pessoa.
.

6 comentários:

Atilas disse...

Te entendo com a minha vida com o drama dos monólogos.

Passei por uma dessas esses dias também. Ultimamente meus parentes tem me perseguido querendo saber de mim, mal sabem eles porque eu fujo.

Dar corda pra que?

Mas a internet tem dessas coisas boas, apesar dos milhões de contras. Dá pra conhecer mais gente parecida com a gente espalhada por ai, que em outras épocas não conheceríamos nunca.

Talvez só viajando. Muito :p

Alan Raspante disse...

É realmente engraçado isso, né? Não tem contato pessoal, não tem quela coisa de ficar contando segredos e mesmo assim, o santo bate e ponto final.

Acho que a internet também ajuda bastante. Querendo ou não, creio que seja mais fácil a pessoa ser ela mesma na internet do que na vida pessoal. Afinal, você não tem que ficar medindo suas palavras, atitudes e etc para não passar outra imagem. Sei lá. Algo assim...

Tenho amizade com poucos, mas sei que é o bastante para me fazer bem.

E, "Waitress" é um absurdo de tão bom :D

Preciso frisar que amei o post??

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

família normalmente é assim mesmo ... a verdadeira família é aquela q construímos e escolhemos ao longo de nossa caminhada e nem sempre a de sangue ...

Mr. TV disse...

Hoje eu conversei com alguém, via Facebook, que me deixou muito feliz! :) A atriz do filme é a Felicity né? Vou ver!!!

aH, O TEXTO está perfeito, como sempre! e é aquela coisa, pra F... com o cara tem um monte né?

abraço

Cores da Crise de meia idade! disse...

Quem tem olho sabe reconhecer um NARIZ! rs...
bjs

Edilson Cravo disse...

O Humberto:

Tristes tempos de tantos julgamentos e prê-conceitos...enquanto isto deixam de ver a essência do outro (que é infinitamente mais importante e especial).
Linda semana querido. Abraços.