domingo, 2 de setembro de 2012

dejé mi amor en Buenos Aires

Um post que eu prometi e nunca fiz é aquele sobre minha viagem a Buenos Aires, em janeiro do ano impronunciável. Este post que agora escrevo não tem o objetivo de cumprir a promessa, mas, de alguma forma, acaba por remeter àqueles 16 dias inesquecíveis (por bons e nada bons motivos).

Eu amo Buenos Aires. É uma cidade linda, muito metrópole (como eu adoro) e muito cheia de cultura -- as livrarias daquele lugar, pra quem gosta de ler, são algo desesperador. A noite é animadíssima; as pessoas são mais politizadas; as ruas são largas. Há problemas na cidade, claro, mas enfim...

Uma das coisas que mais amei em Buenos Aires (y en Rosario, y en Colônia del Sacramento y en Montevidéo, as duas últimas no Uruguai) foi a identificação que eu senti, a sensação de pertecimento (veja bem, eu morei bem e fui muito feliz no Texas, por um ano, mas sempre sabendo que eu era um estranho ali; em Bs As eu me senti latinoamericano, e orgulhoso disso, pela primeira vez).

A cidade, entretanto, sempre significou uma dor pra mim; porque foi na véspera de minha viagem pra lá que a maior ilusão que eu vivi na vida se acabou, e de forma bem cruel. E nisso, ainda que a cidade e as experiências vividas por lá fossem ótimas, foi impossível evitar o gosto muito amargo que eu senti naquele momento. Começou ali a ser construído o muro que me tornou um paredão, concreto muito difícil de ultrapassar.

Apesar de eu ter insistido pra não deixar que essa barreira se criasse, não houve como impedir. Eu acabei me tornando um desconfiado, incapaz de acreditar no desejo e nos bons sentimentos de outra pessoa por mim. Qualquer promessa, qualquer palavra, vinha sempre pra mim com uma placa luminosa bem grande escrita: "É TUDO MENTIRA."

Eu sempre soube de que não é bom se fechar tanto. Também sempre tive consciência de que não permitir que ninguém se aproximasse de mim só coroaria a estupidez que fizeram comigo, só reforçaria o estrago que ele fez. Mas eu andei realmente muito machucado, e antes que deixasse outro alguém chegar junto eu precisava me refazer, me curar, reaprender o que é ter amor próprio (eu acredito que ninguém está pronto pra amar ninguém sem que se ame primeiro).

Enfim, reaprendi a ser carinhoso comigo. Voltei a ter respeito por mim. E já até aceito que tenham motivo pra me achar gostosinho, rs.... eu ainda quero alguns meses mais só pra mim, mas não preciso mais esconder que o muro está ruindo. Em algum momento em breve eu já estarei pronto pra deixar alguém entrar (olha, bem a bem da verdade, alguém quase chegou lá, mas a distância física acabou atrapalhando).

Buenos Aires volta pra fechar este post porque eu acabei de assistir "Medianeras" (que se passa lá e revisita magistralmente a arquitetura da cidade). Se você não viu o filme, assista. E se você viu, já entendeu o quanto ele tem a ver com esse espírito que vai voltando a fazer parte de mim. Além de muito lindo, "Medianeras" conseguiu a proeza de me fazer perder o medo de voltar a Buenos Aires e sentir toda aquela dor de novo; pelo contrário, me fez pensar que veneno também pode se tornar antídoto. Quando eu voltar à cidade vai ser como deveria ter sido da outra vez: só amor (nem que seja só por ela mesmo -- e por mim, claro).

Boa semana a todos.
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10 comentários:

Laila Seabra disse...

Deu vontade de visitar Buenos Aires rsrsrs... Apesar de popular, me identifico muito com a frase 'melhor amar e perder (sofrer), do que nunca ter amado'. E sempre tem um lado bom para lembrarmos.

o Humberto disse...

Também super concordo com a frase, Laila. E concordo com vc também.

No mais, se não conhece BsAs, junto os homens da sua casa e vai lá que vc vai adorar! Bjão! :)

Alan Willian disse...

Nunca tive a mínima vontade de conhecer Buenos Aires, mas até que você me deixou bastante "intrigado" com a cidade. Enfim, ao menos, a viagem serviu para algo melhor do que apenas turismo.

Não tenho nada a dizer sobre o tal caso, mas, claro, fico feliz que já esteja restabelecido. Se bem que, por mais doloroso que seja, acho que tudo apenas contribui para a pessoa que você vai se tornando lá na frente...

Acredito naquela máxima de "sofrer pra ser". Acho que ajuda sim! rs

E se não era pra ser, não era, oras. Melhor assim.

Enfim, vou correr pra ver "Medianeras" :)

Edu ardo disse...

Difícil superar o ceticismo depois de uma história intensa. O tempo que você se deu é muito importante e você o fez pelo motivo certo: voltar a se amar! Sei que o muro vai cair na hora certa, porque você tem a cabeça e o coração no lugar! Beijão!!

Reginaldo disse...

Para mim BUE tem uma coisa de Déjà vu, às avessas. Já estive algumas vezes a trabalho e também a passeio e todas as vezes detestei. A última foi com um ex, aí é que a cidade ficou com um "ranço" de coisa ruim.. Mas enfim,desculpas!! divaguei agora, justamente sobre este contraponto.

Caroline disse...

Sem comentário...texto maravilhoso...

Bjo

Edilson Cravo disse...

Morroooo de vontade de conhecer Buenos Aires e ainda vou lá (ah vou...rs).

Linda semana. Abraços.

Marcelona disse...

Vamos já para BsAs comer uma pizzinha alí no Cuartito e discutir esse seu problema....

:D

Anônimo disse...

Ah, você é apaixonante!!!
Vou ver Medianeras.
Rodrigo

o Humberto disse...

:)