segunda-feira, 17 de setembro de 2012

it's all coming back to me now

Eu me lembro bem quando, aos 10 anos, minha professora me tirou no amigo-oculto de fim de ano da turma. Todo mundo achava que ela tinha tirado outra pessoa, então quando eu vi que era o sorteado foi como se eu tivesse ganho na Mega-Sena -- porque ela foi provavelmente a professora mais perfeita que eu tive na vida.

Os alunos todos morreram de inveja, porque ela me deu uma caixa de Faber Castell com 36 lápis de cor (não sei como são as crianças de hoje, mas naquela época isso era o cúmulo da felicidade, ainda mais pra mim que vivia desenhando). Mas mais importante que ter sido tirado por ela, que ter ganho um presente como aquele, foi o que veio escrito no cartão que ela me deu. Um "Eu te amo".

Ninguém nunca tinha me dito aquilo, ainda mais sendo verdade. Foi desconcertante pra mim; eu não tinha sido preparado pra lidar com carinho, muito, muito antes pelo contrário. Foi tão especial pra mim que ainda tenho esse cartão, 25 anos depois. Nunca mais vi a Maria Emília, mas eu guardo no coração todas as palavras que ela me disse e todas as ações que ela tomou para me ensinar que eu não era só um saco de pancadas, mas um mocinho muito especial.

Contudo, aos 10 anos a vida estava só começando, e ainda que eu já tivesse passado por um bocado de coisas, tinha muita coisa pra viver, muito toco pra levar, muita cara pra quebrar. Eu fui me embrutecendo. Daí veio a minha preta, e a família da minha preta, e eu experimentei de novo essa coisa de receber carinho.

O tempo passou, mudou tudo, muito, e eu cresci. Daí veio muito do que vocês já leram neste blog. Com uma outra pessoa eu dei uma de Roberto Carlos, e emoções vivi, ainda que sofrendo e chorando. E essas emoções me tornaram um ser arredio como bicho e mais desconfiado que a população do estado de Minas Gerais inteira.

Agora eu já estava lidando super bem com isso. Só que aí, quando eu menos esperava (ou não), o carinho apareceu de novo. Me deixando desconcertado de novo, com sorriso bobo na cara. E lá vou eu reaprender. O mais curioso é que o professor nasceu bem naquele natal em que a Maria Emília me deu a primeira lição. Eu vou me esforçar pra ser um bom aluno dessa vez. De repente, uma hora dessas, eu passo a ensinar também... : )

Boa semana pra vocês.


P.S.: Guardo, como se tivesse valor histórico, as cartas que recebi na vida. Quando fui procurar o cartão achei umas que, Nossa Mãe... eu adorava escrever e receber cartas. Amo a tecnologia, mas quem vai se lembrar dos 4 milhões de emails que cada um de nós manda por dia? Cadê dedicação e carinho em dez mil toques, hum? :P
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15 comentários:

Caroline disse...

Nossa muito bacana mesmo!!
Boa semana.

Bjo

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Bacana isto!

Edu ardo disse...

Eu guardo os livrinhos, diplominhas, medalhinhas que ganhei como "melhor aluno da classe" do Jardim à 5a. série (depois pararam os presentes).

Eu guardo as cartas todas (poucas, eu que escrevia compulsivamente) que recebi do meu melhor amigo, Clodoaldo, antes da invenção dos blogs e emails.

Eu guardo cópias (xerox) de faxes que recebia da Dinamarca, só porque ficava feliz quando os/as colegas de lá rabiscavam uma carinha feliz ou escreviam um recadozinho mais pessoal, amigável.

Eu guardo todos os emails da pessoa especial numa conta de email especial. E lembro deles, porque sempre os estou relendo.

Continue a guardar e relembrar os carinhos que a vida e algumas pessoas que por ela passam te dão, pois. Faz um bem danado!

Clenio disse...

Fico muito feliz em ver que a vida voltou a ser gentil contigo, porque vc merece. :-)

Mas espero que o senhor saiba que existe MUITA gente que te ama e que tem como um amigo precioso e raro..

Beijos, querido.
Clênio
www.lennysmind.blogspot.com
www.clenio-umfilmepordia.blogspot.com

Edilson Cravo disse...

Quando estava no ensino na 8º serie minha professora de Português sugeriu que todos os alunos fizessem um livro de tema livre e q nós mesmos o ilustrássemos...escolhi fazer poesias, e não parei mais...rs.

Belo historia. Linda semana. Abraços.

Tainá disse...

Na minha época pelo menos Humberto, era popular quem tinha lápis metálico e fluorescente. Depois passaram pras canetas signo de brilho e de cheiro =)

o Humberto disse...

Amo vocês, seus fofos. :)

Anônimo disse...

;)

Alan Willian disse...

Na minha época, ter lápis da Faber Caster era a mesma coisa que ter um Tablet hoje. Ou seja? HAHAHAHA

Leidi Callegario disse...

Adoro guardar essa velharia!
As minhas estão distribuídas em 2 caixas de sapato. Alguns bilhetes e cartões são de pessoas com quem eu mantenho uma grande amizade até hoje, outras, são de pessoas que passaram na minha vida e sabe-se lá porquê, dela já se foram.
Mas todas as pessoas estão lá. E todas cabem dentro das minhas caixas.

P.S. Humberto, não sou puxa saco, mas não canso de dizer que teu blog é incrível. Sucesso sempre, querido!

Flor de Jabuticaba disse...

OI Humberto! Essa professora era de qual escola?! Tenho uma tia com esse nome que dava aula em duas escolas aqui em BH... Letra bem parecida... Mas seria muita coincidência, hein?
Adorei seu Blog!Ácido, sensível, humano!

o Humberto disse...

Leidi, muito, muito obrigado pelo carinho. Também não sou puxa-saco, mas vc tem o dom de comentar nas horas certas (eu aprecio quem comenta sempre tb, tá gente?, rs). Mas de verdade, obrigado pelas palavras. sempre me fazem feliz. :)

o Humberto disse...

Flor de Jabuticaba, espero que vc leia esta resposta!
A Maria Emília em questão me deu aula na Escola Santo Afonso. Se for sua tia mesmo, POR FAVOR, me fala! Guardo essa professora no coração desde 1987. :D
Muito obrigado também pelos elogios ao blog.

grande abraço, volte sempre. :)

Flor de Jabuticaba disse...

Oi Humberto... Postei um comentário ontem, chegou para vc?

Flor de Jabuticaba disse...

Acho q o comentário de ontem não foi mesmo publicado... Sei que minha tia deu aulas em duas escolas daqui de BH, mas não com esse nome... Tentei falar com ela e ainda não tive retorno... Quem sabe? Devo encontrá-la no próximo domingo. Mas, se vc tiver FB a página dela é essa: http://www.facebook.com/mariaemilia.labrito Veja se é ela! Se não for, quem sabe buscamos pelo nome completo da sua professora e ano em que ela te deu aula? Será que conseguimos isso na escola? Hoje o Google nos dá notícias de tanta coisa e... Essas redes sociais... Bom, estou torcendo para que vc a reencontre logo e que de repente, seja mesmo, a Maria Emília, do link que te passei!!! Grande abraço!