domingo, 7 de outubro de 2012

Fora Lacerda!


Nunca tive medo de chuva. Pelo contrário, eu era daqueles que adoram tomar chuva, especialmente na volta pra casa. Coisa de muleque -- ou, como sempre argumentei, simplesmente porque dava uma sensação de que lavava a alma.

Nunca tive medo de chuva até o da 31 de dezembro de 2008, quando, no fim da tarde, saí da casa de minha irmã a caminho da minha, numa distância de uns 12 quarteirões -- e me vi no meio de uma enchorrada absolutamente violenta, com direito a árvores e portões caindo, uma coisa de pavor mesmo, bem daquelas que a gente vê em jornal em dia de catástrofe.

E foi o que houve em Belo Horizonte naquela noite, uma catástrofe, um estrago em diversas regiões de TuBHcanga. Pra quem viu pelo jornal foi muito feio. Pra quem estava na rua na hora foi aterrorizante. Pra quem perdeu casa, Deus do céu, não consigo nem imaginar.

Essa não foi a primeira tempestade que causou toda sorte de estrago e tristeza na cidade, e infelizmente nem foi a última (mas, ao menos pra mim, foi a mais traumática). 

Não se pode lutar contra a fúria da natureza, eu imagino. Mas é de se esperar que a administração pública trabalhe em função de evitar que essas tragédias sigam se repetindo. No dia seguinte à coisa horrorosa que foi essa chuva, tomou posse o prefeito da capital. Um senhor que ninguém nunca nem tinha ouvdo falar, um poste que foi colocado no governo da cidade graças aos Neves, ao Pimentel e ao Tom Cavalcanti, que não mora na cidade.

Era de se esperar que esse senhor-poste-prefeito, dentro dos quatro anos que ganhou como prefeito, fizesse alguma coisa no sentido de buscar uma solução ou criar meios de evitar que a história se repetisse. E tudo que o digníssimo fez foi espalhar plaquinhas como essa aqui, ó:


Em português tão claro que chega a ser ofensivo, elas dizem "Se começar a chover, corre mané, que o máximo que a gente vai fazer é te lembrar que aqui rola enchente quando cai água"

E é esse o senhor prefeito que espera ser reeleito hoje. O mesmo prefeito que adotou uma política higienista na cidade, que não desenvolveu nenhuma política social minimamente relevante e que nada mais fez que quebrar avenidas, impondo obra atrás de obra no mesmo lugar, nequele velho esquema que enriquece construtoras e faz o povo achar que o governo tá trabalhando (sobretudo quando fica horas parado no trânsito a caminho do trabalho).

Esse governo foi a maior vergonha que eu vi nessa cidade. E apesar de todo o aparato, especialmente midiático, pra tentar reelegê-lo, até o último minuto terei esperanças de que isso não aconteça. Ainda mais quando o principal oponente é um homem como Patrus Ananias  -- que infelizmente vem com o mesmo Pimentel por trás, não sejamos tão inocentes, mas ainda é, acredito, a saída mais digna para essa tentar pôr fim à calamidade que se tornou a administração pública em Belo Horizonte.

Esse é o meu ponto de vista. Eu não sou ligado nem defensor de partido nenhum, mas também não escolho candidato em época de eleição -- escolho administradores ao longo dos quatro anos entre um plebiscito e outro. 

Vote com consciência. A responsabilidade pelo cenário político deste país não é só dos políticos, corruptos ou não, mas também de cada um de nós, que damos a eles o direito de nos representar.

No dia de hoje estarei particularmente tenso, acompanhando a votação aqui  na roça, na cidade do Rio de Janeiro e na capital de São Paulo. Três lugares que eu amo e que, a meu ver, correm sério risco de serem administradas por gente da pior espécie nos próximos anos.

Oremos. Votemos. 
E que no futuro eu possa voltar a transitar pelas ruas de TuBhcanga sem medo de chuva.


P.S.: Queria ter feito um post à parte sobre a campanha para vereadores. Até quando elegeremos nossos representantes municipais baseados em carros de som com musiquinhas que não dizem nada e em campanhas televisivas que apelam pro grotesco? Até quando vai se dar menor importância a isso?


2 comentários:

Caroline disse...

Me lembro deste dia. Foi dureza mesmo viu!! Vamos aguardar o que o destino que escolhemos nos reserva....

Bjo

Alan Raspante disse...

ah, Humberto, é complicado mesmo. Eu, por exemplo, votei nulo e fiquei por isso mesmo...