terça-feira, 4 de dezembro de 2012

heterofobia no Brasil do século XXI

Do Portal R7:

Um heterossexual foi agredido por dois homens na zona oeste de São Paulo. Os suspeitos foram detidos e indiciados por tentativa de homicídio. Segundo testemunhas, ataque teria motivação heterofóbica.

A vítima foi atacada, por volta das 19h desta segunda-feira (3), na rua Henrique Schaumann, no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. Segundo as testemunhas, a agressão teria sido gratuita e com motivação heterofóbica.

Uma testemunha, que viu a cena ao sair do trabalho, disse que a vítima andava pela calçada com o fone de ouvido quando um carro diminuiu a velocidade. As pessoas dentro do veículo começaram a insultar a vítima, que retrucou. Nesse momento, os homens desceram do automóvel e a confusão começou.

Populares conseguiram separar os envolvidos e policiais que realizavam patrulha na região levaram o caso para a Central de Flagrantes do 91º Distrito Policial. A vítima ficou com o rosto ferido.


Absurdo? Com certeza. 

Mas o que é mais absurdo? Que em 2012 ainda haja gente que desce de um carro pra espancar os outros? Que em 2012 ainda haja gente em Pinheiros, São Paulo, que desce de um carro pra espancar os outros? Que em 2012 ainda haja gente em Pinheiros, São Paulo, que desce de um carro, às 19h , com a rua movimentada, pra espancar os outros, certos de que não vai acontecer nada? 

Eu acho tudo isso absurdo. Assim como achei muito absurdo o portal jornalístico descrever a vítima não pelo nome, não pela profissão, mas pela orientação sexual. É importante no caso, porque o crime foi motivado por ódio sexual? Sim, claro. Mas limitar o indivíduo (e é limitar mesmo) a um detalhe de sua vida particular como esse, pra mim, é quase tão violento quanto chutar sua cara até sangrar. E pra mim é algo que ao contrário de noticiar só ajuda a alijar porque, afinal, "não foi um homem, um cidadão, uma pessoa que foi vítima de violência -- foi um heterossexual".

Claro, talvez alguns de vocês estejam achando mais absurdo ainda nessa história toda o fato de ele ter sido descrito como heterossexual. Só que obviamente não foi isso que ocorreu. Eu que tomei uma licença literária aqui no post, trocando os prefixos homo por hetero -- já que ler sobre homens homossexuais vítimas de violência já não mais assusta nem parece tão absurdo pra muita gente, não é mesmo?

Até quando isso?


P.S.: Verdade seja dita, láááá no fim da matéria tem um vídeo, da Record mesmo, mostrando que um homem foi vítima de violência por conta da sua opção sexual (e aí vem nome de todo mundo, inclusive dos trogloditas).
P.S.2: Observe que o André estuda e trabalha. (ainda que, mesmo que fosse um vagaba, isso não daria a ninguém o direito de espancá-lo). Vocês entenderam o ponto.
P.S.3: Lembram das risadinhas, né? "Apanhou de besta", veja bem, podia ter seguido ouvindo as risadinhas e em segurança, ora bolas.
P.S.4: Ah, os valentões, sempre em dupla... Gente sempre tão segura de si, da sua vida.
P.S.Final: André recebeu ajuda de desconhecidos. Impressionante, ainda há sinais de humanidade.



9 comentários:

Everaldo Vilela disse...

De todos os absurdos que vemos por aí, sem dúvida nenhuma, a violência é a coisa que mais me assusta.

A violência gratuita, fruto de da estupidez humana me assusta ainda mais.

Lembro de uma entrevista de uma cantora que disse que o problema dos dias de hoje é que a vida é muito tudo ou nada.

Ano passado, no dia dos pais, um amigo da família perdeu um filho. Não sei até hoje o sentimento que fica diante dessa situação: http://www.everaldovilela.com/2011/08/14/dificil-e-acordar/

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

Uma vergonha e sua contextualização foi perfeita ... assim como se condena a homofobia a heterofobia tb tem q ser condenada e punida ... coisas de trogloditas q não sabem viver em sociedade e com a diversidade ... tudo isto é falta de educação e corre por conta da impunidade generalizada ... uma vergonha mesmo ...

bjão

o Humberto disse...

Oi Bratz,

Então, eu coloquei "heterofobia" pra reforçar o absurdo mesmo (pq a gente sabe que nem existe tal coisa).

O ponto todo é que a violência, especialmente nesta altura do campeonato, ela sim é absurda. Justificá-la, ainda mais sob o péssimo pretexto de que o cara é gay e merece apanhar, é uma coisa que não pode continuar acontecendo, não tem como.

Uma pessoa saindo do trabalho, andando pelas ruas, ser agredida apenas por SER, isso não pode continuar impune, não pode continuar passando como coisa normal, TEM que continuar causando espanto e sensação de absurdo (como normalmente causaria uma matéria sobre "heterofobia"), por isso a gente tem que continuar atento. CHEGA de violência, chega, não tem mais cabimento.


Ufa, até passei do tom. É que essas coisas me tiram do sério, eu não consigo entender COMO ainda acontecem.

Obrigado Bratz, sempre por aqui, sempre dialogando, muito bom!

E obrigado Everaldo, parceiro do Twitter, é um honra seu comentário aqui no blog também.

Abraços aos dois.

Atilas disse...

Sinceramente?

Sinceramente mesmo?

Vem fim do mundo. Mas vem a galope.

Você já cobriu todos os pontos que eu tinha pra falar. Só o que eu posso adicionar é gente que faz isso com certeza é gente que não está em paz. Não falo nem em questão de ser enrustido. Mas tem que ter algo muito errado na sua vida pra você se achar no direito de agredir alguém por nada.

E aí e que tá: por mais que eles mereçam ser punidos perante a lei, uma carceragem por exemplo faria pouquíssimo para chegar na fonte do problema. Ou até agrava o caso.

Solução, não tenho. Mas que o sistema não é nada humano e não funciona, não funciona.

Serginho Tavares disse...

é chocante que a cada dia vemos coisas assim acontecendo e sem falar naquelas que nem tomamos conhecimento!

Edilson Cravo disse...

Humberto:

A única palavra que me vem a cabeça: VERGONHA, VERGONHA E VERGONHA...país de selvagens.

Abraços.

Art Robson e Afins disse...

Realmente, assisti essa matéria pela manhã... sua contextualização mexe com nossa mente, que mundo é esse não é?

Edilson Cravo disse...

Humberto:

Fiquei tão passado com esta historia que precisei fazer uma postagem externando toda a minha indignação e revolta.

Abraços, querido, seu texto é genial.

Alan Raspante disse...

Cara, que coisa! Realmente, se você não tivesse trocado o "gênero" (é certo falar gênero nesse sentido?) na matéria a mesma não teria a mesma importância. Pelo contrário: seria apenas mais um caso.

Que ponto chegamos. Cruzes!