terça-feira, 31 de julho de 2012

Brutus

"Não, Humberto, ainda não inventaram nada pra fazer crescer barba. Não, Humberto, ainda não entendi pra quê você quer ter uma. Bom dia, Humberto."

Todas as vezes que eu chegava ao consultório do Dr. Leonardo, dermatologista, era recebido da mesma maneira, essa aí acima. Daí eu sorria, a gente conversava sobre o que tinha que ser conversado de verdade, ele falava da minha genética, eu tentava uma última perguntinha e ele me mandava dar graças a Deus por só ter de fazer a "barba" de 15 em 15 dias.

Ter barba já foi um grande problema pra mim. Melhor dizendo, não ter. Com quatro irmão barbados, pai, primos, tios, cachorros, todo mundo com a cara peluda, eu dava os pelos faciais como certo. Aí eu fiz 14 anos e nada, 16 e nada, 18 e nada. Me conformei.

Só voltei a esquentar com o assunto quando, aos VINTE E UM ANOS, uma vaca amiga minha, que fazia um curso comigo, parou uma conversa que a gente estava tendo com a turma toda no intervalo para, aos berros, chamar a atenção de todo mundo para o fato de que eu não tinha UM único pelo na cara. Eu fiquei tão chateado com a repercussão do assunto que, juro, no outro dia nasceu meu primeiro pelo na cara. UM fio! Voltei ao curso no dia seguinte mostrando com orgulho minha "barba".

Então a vida seguiu, eu descobri o significado da palavra imberbe, e achei que eu tinha mais com o que me preocupar do que ter barba. O motivo pelo qual eu queria tê-la, e pelo qual eu aporrinhei tantas vezes o Dr. leonardo, era vaidade mesmo, só pra poder mudar um pouco a cara de vez em quando. Porque ao contrário de 95% das ursas que eu conheço, eu posso me apresentar de cara limpa sem causar espanto/decepção em ninguém.

Minha barba hoje em dia, na casa do 30, se resume a um cavanhaquinho no queixo e umas penungens nas bochechas. Bigode é aquilo que os gatos aqui de casa têm mais que eu. E como ninguém, ninguém mesmo, percebe diferença nenhuma quando eu estou com esse cavanhaque ou sem, eu o vou deixando. Não me irrita, não me dá trabalho, tá ótimo.

Daí sábado agora, sabe lá Deus porque cargas d'água, depois de uns 10 meses, eu resolvi tirar tudo ("tudo", rs), e ficar com a cara limpa. Evidentemente, ninguém que anda comigo notou nada. Mas nessa história, o legal mesmo foi dar-me conta de que eu tirei minha pseudo-barba bem às vésperas da última bobagem que inventaram, um tal "Barba-Day", que é uma espécie de dia do orgulho barbado. Hahaha, eu me divirto. Porque se tem uma coisa que eu aprendi nesses anos todos é que não, a barba NÃO faz o homem. E, vai por mim, se um cara depende de uma barba pra garantir sua masculinidade, ele não deve ser exatamente o que você está procurando.

Parece texto de recalcado, eu sei. Mas, como diz o Bratz, essa história é o que tem pra hoje.


P.S.: Se quem convive comigo não nota diferença nenhuma quando estou sem pelos na cara, quem não me conhece acaba me divertindo bastante. Esta tarde uma jovem senhora exigiu minha identidade antes de me deixaar entrar. Hahaha, aos 34 ainda ter que passar por isso, olha, ganhei o dia.
.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

pra se matar mesmo

Já li o tal "O Céu dos Suicidas". A leitura é rápida, em menos de duas horas vai.

Escolhi esse livro por conta da indicação de uns intelectuais que eu sigo (e gosto) no Twitter. A promessa era de uma obra riquíssima, profunda, e um dos twites que eu li me deixou tão interessado que eu comprei o livro no mesmo dia.

Minha análise sobre "O Céu dos Suicidas" vem em duas observações:

1) Um grande mimimi de coxinha.
2) Um grande bem-feito pra mim, que saio acreditando em intelectual de Twitter.

Não é nem de longe o pior livro que eu li. É até legalzinho, mas legalzinho não vale quando você está esperando uma obra que vai mexer com você. Não recomendo, ou recomendo sem que se crie grandes expectativas.

Fiquei muito mais interessado em saber quem é o autor e porque tanta pagação de pau prum livrinho tão pouco a ver.
.

sábado, 28 de julho de 2012

Ana Paula Arósio, mais uma vez

Quando vi a Ana Paula Arósio pela primeira vez eu tinha acabado de fazer 11 anos. Foi um pequeno estardalhaço pra quem acompanhava a Capricho (porque parecia muito com a Cláudia Zardo, que era uma das gatinhas da revista na época, e porque a Ana também era muito novinha, não era comum uma menina de 12 anos na capa).

Dois anos depois, quando eu tinha acabado de fazer 13, a Ana Paula já era Ana Paula Arósio e já era conhecida como modelo de sucesso. Um ano depois disso, então, só dava ela.

Mais três anos, e em 1994 ela estreou como atriz no SBT (e eu não vi, porque tenho ojeriza dessa emissora desde sempre), mas continuou modelo/estrela. Em 1998, dez anos depois daquela primeira capa, Ana foi emprestada (veja bem o poder da mulher) pelo SBT à Globo para protagonizar (lindamente) a minissérie "Hilda Furacão". O resto acho que todo mundo sabe um pouco.

Daí, muitos anos depois, às vésperas de começar a gravar "Insensato Coração" (aquela chatice sem fim), Ana, que seria a mocinha, se delisgou da Globo, sem divulgar motivo, e sumiu. Su-miu. Fez a Lídia Brondi e não quis mais saber de TV, de nada, foi se enfiar no interior com os cavalos que ela sempre adorou.

Ontem o site Fuxico, do portal Terra, publicou essa matéria aqui, de onde tirei a foto que ilustra este post. Só reforçou a admiração que eu sempre tive pela Ana. Ela continua linda. É aquela típica italianinha, um pouco mais rechonchudinha agora, o que pra mim parece totalmente coerente, e o sorriso, se isso é possível, está ainda mais lindo -- talvez porque vem carregado de sinceridade, eu acho.

A Ana passou por boas na vida (lembram do episódio do noivo que se suicidou na frente dela?). E fez muito sucesso muito cedo, e só faria mais sucesso ainda se continuasse a carreira. Nem acho que era hora de ela parar, mas desde que soube da decisão dela de parar com tudo, tirei o chapéu. Porque ela fez aquilo que eu vivo falando que as Madonnas e Xuxas da vida deviam fazer, que é parar e ir viver.

É óbvio que não dá pra regular a vida dessas pessoas pela minha (nem a de ninguém, hello?!). Elas são superestrelas, a ir-realidade delas é outra. Mas eu não acredito que essa vida vigiada 24 horas por dia, com cobras do (baixo) nível de uma Fabíola Reipert na sua cola, faça alguém realmente feliz. Enfim.

O objetivo do post era só declarar mais uma vez o respeito que eu tenho pela Ana Paula. Numa época em que neguinho faz de tudo pra ficar famoso (menos trabalhar), ela vem e dá essa sambada bonita, com galocha, na cara da sociedade. Espero que esteja realmente bem, que ela faça bom uso do dinheiro que ganhou ralando muuuito por muitos anos sem parar, e que siga feliz. Se quiser voltar no futuro, pra interpretar talvez uma mamma numa dessas duzentas novelas de italiano, terei prazer em revê-la. Se preferir continuar quietinha no meio do mato, ierei admirá-la do mesmo jeito.

E é isto. Bom fim de semana a todos!
.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

MBA em Gestão do Tédio


Aquele momento bacana em que, em pleno começo da noite de sexta-feira, depois de passar a tarde toda tentando escolher uma pós-graduação pra fazer (e descobrir que nenhuma lhe diz absolutamente nada), você se dá conta de que a sua vida virou uma música do Biquini Cavadão.

Diretor, pode morrer?
.

por um pouco menos de burrice

Segue bem o plano de ler mais (literatura) este ano. Ainda vou devagar, porque gosto de ler à noite e, por N motivos, tenho ocupado minhas noites com sabe lá Deus o quê. Também gosto de ler com calma, degustando a trama. Mas vai indo. Vai tão bem que quando não estou lendo estou sentindo falta de ler. E também tive que de me controlar pra não começar a comprar livros como um dia comprei revistas, pois estou precisando economizar milus*.

Já li o "Tia Júlia e o Escrivinhador", como tinha prometido (e sigo apaixonado por Mario Vargas Llosa e literatura latino-americana). O livro é muito bom, mas fica devendo alguma coisa se comparado com "Travessuras da Menina Má". Eu não criei simpatia por nenhum dos protagonistas (e confesso que sou desses que leem viajando na história, tipo tia velha) e os capítulos pares, com as novelas do escrivinhador, são (e vão ficando mais) canseira, apesar de brilhantes. Mas eu super indico.

Depois, pra descansar do Vargas Llosa antes de ler seu "A Cidade e os Cachorros" (indicação da amiga Luisa Brasil), li "The Picture of Dorian Gray", do Oscar Wilde. Li em inglês mesmo porque eu sempre priorizo o original (infelizmente estou limitado aos originais em inglês. Na verdade, acho que consigo ler bem os livros em língua espanhola também, talvez levaria mais tempo. Mas enfim...)."The Picture of Dorian Gray" foi ótimo, porque havia um tempo considerável já desde a última obra que li em inglês (coisa muito feia de se admitir). E o livro é excelente!

Eu tenho um hábito tosco também que é o de assistir filmes baseados em obras da literatura -- mas tem que ser depois de ler o livro, senão leio já imaginando a personagem com a cara do ator. Enfim, assisti à versão de 1945 do filme e é bem pior que o livro. Dizem que a versão mais recente, de 2009, é igualmente ruim. Enfim, sugiro muito o livro, um clássico, leitura tranquila (mas trama tensa!) e absolutamente envolvente. Obra magnífica.

Antes do próximo Vargas Llosa ainda vou ler "O Céu dos Suicidas", do Ricardo Lísias -- Começo domingo... Hoje é sexta, né?, amanhã é sábado (me senti a Rebecca Black agora), deixa eu socializar um pouquinho, domingo eu me jogo no livro. E depois desse vou ler "Trem Noturno Para Lisboa", do Pascal Mercier. Tá bom, né?

Vamos ver se tantos bons trabalhos me ajudam a me tornar menos ignorante e iluminam essa cabecinha cada vez mais oca.

Besos, bom dia!


P.S.: Milu (ML$) = cotação que eu criei pra me lembrar que preciso regularizar minha situação com o banco da Dona Milu Villela, senão ela fica cada vez mais Milu e eu cada vez mais Mifu.
P.S.2, urgente!: Fuçando no Google para achar o link logo aí acima, descobri que já inventaram uma nota de Milu há muito tempo! Damn it, neguinho não me deixa nem ser hipster!
.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

a regra é clara

Tem muito tempo que não troco uma ideia diretamente com o Sr. Paulo Faysano, mas de ontem pra hoje ele deu duas demonstrações de que a sintonia continua intacta.

Uma delas é esse post maravilhoso aqui. A outra é a mensagem abaixo, postada no Face (beijo Augustto!) dele, e que tomo a liberdade de colar neste blog.

Acho um porre e uma falta de noção sem precedentes esses caga-regras de Facebook que ficam avisando que "quem fizer isso ou aquilo será sumariamente excluído". É pra ter medo?

Caralho, o perfil de cada um é de cada um, as crenças (ou não-crenças) de cada um são as crenças de cada um, o que entretém uma pessoa não tem de entreter a outra, então cresça e lide com isso. Ninguém é obrigado a seguir o perfil de ninguém, então se tá ruim pra você exclui ou, se precisar ser educado, dá só um unsubscribe. Fico de cara com o quanto caga-regras de rede social é uma gente chata, eu hein.

Leiam o texto do Paulo. E depois passem lá no blog dele pra dar os parabéns -- olha a regra! :D
Abrazos.


"O novo papo aqui no Facebook é a galera reclamando de que quem postar sobre política será excluído dos amigos. Entretanto, são extremamente bem vindos qualquer coisa sobre Rita, Carminha, foto do Mussum, keep calm, etc, etc e etc.

O engraçado é que provavelmente estas mesmas pessoas que reclamam de política aqui no Face são as que vão reclamar daqui a alguns meses da falta de segurança, que foram assaltadas, que o ensino é uma droga, que só tem corruptos na política, etc.

Enquanto no Oriente Médio as redes sociais foram fundamentais para os movimentos pró democracia, quem tenta fazer o mesmo uso aqui é tachado como chato, pentelho...

É, tá certo mesmo. merecemos todos os políticos que temos!"
.

uma sugestão:

Vamo começar a assumir o recalque aí, gente?
.

pra tudo

,

the great escape


"Afaste-se daquilo que não é belo... Feiura contamina a alma como vírus... a gente fica exposto e cria rejeição ou consegue adaptar-se (nem sempre um bom caminho)."


Há um contexto em que essas sábias palavras me foram ditas por um amigo fino. Mas mesmo assim, "soltas", elas resumem bem um objetivo que eu defini nesta longa semana de gripe (estou bem agora, thanks!).


Um outro amigo, mais cedo, tirou onda com a minha cara dizendo que eu mudo de plano toda hora. Eu podia tê-lo mandado à merda, o que seria ótimo porque eu tô morrendo de saudade dele por aqui. Mas enquanto eu o respondia eu acabei, sem querer, dando-me conta de um traço da minha personalidade que eu nunca tinha parado muito pra prestar atenção: eu tenho muitos planos, toda hora, porque além de eu ser hiperativo (o que adia um pouco a conclusão deles), eu preciso disso pra me manter vivo. Não teria razão, pra mim, viver sem que eu tivesse algo pelo qual me mover.


De volta à gripe, nesses dias todos em que eu passei deitado mesmo (odeio muito), eu pensei bastante em tudo isso e concluí que, ótimo, posso ter três milhões de objetivos -- mas vou realizá-los. Preciso de closure. Como eu me impus a obrigação de concluir as coisas, isso me fez reduzir a lista de planos, de modo que eu fui peneirando, peneirando, até chegar na UMA grande meta que eu quero alcançar -- e é aí que entra a citação que abriu este post.


Eu não preciso contar qual o objetivo X. Sou mineiro, pisciano, e mais cansado de guerra que Teresa Batista, então pra mim está de bom tamanho apenas registrar esse turning point aqui. Porque só isso já será o bastante pra ficar me lembrando.


O mais curioso é que eu falo isso tudo, falo sobre concluir as coisas, e agora não sei como fechar este texto. Bom começo pra mim! E péssimo final pro post.

.