sexta-feira, 8 de março de 2013

da lealdade

"Eu te amo."
Quão banal se tornou dizer isso?

Eu confesso que eu sou dessses que fala "AMO isso!", "Amiga, amo você" toda hora. Mas eu sei, e mais importante, as pessoas sabem quando estou dizendo isso de verdade. Quer dizer, eu sempre digo de verdade; Mas tanto meus amigos (e isso inclui meus bichos) quanto quem ouviu esse "eu te amo" vindo da alma sabem o tom que eu quero dar.

Não sei dizer por que cargas d'água, depois de assistir o terceiro episódio da primeira temporada de "Dexter" (atrasado? imagina!), eu me peguei pensando nisso. Na verdade sei sim, a culpa é de umas postagens que vi no Facebook no intervalo até o quarto episódio (e da insistência de alguém que me fez ir ao hospital hoje).

Eu me peguei pensando que em 36 anos de vida (que às vezes me parecem muito pouco, mas no geral me parecem muito), apenas quatro criaturas ouviram, e viram nos meus olhos, esse "eu te amo". Eu acho um número honesto.

Descontando meu filho, que (desculpem a franqueza) foi meu primeiro e maior amor nessa vida, eu vivenciei amar três pessoas. Eu acho um bom número.

Então eu pensei com muito carinho nesses três "sortudos". Enquanto escrevo este post é só o que sinto, muito carinho. E muita gratidão também (então não é carinho, eu sei).

Cada uma dessas três pessoas passou um tempo comigo, grande, bem menor, ainda menor. Mas tempo é nada nesses casos, sobretudo porque, pra mim, amor não acaba. Ele se transforma, se reinventa, mas não acaba. No momento que você o identifica e o sente, sabe que é uma coisa que desconhece limites, sejam de tempo, físicos ou sociais. Se você não sentiu amor, meu caro, então segue firme que você ainda tem o que fazer em vida.

Evidentemente não falo do amorzinho romântico de filmes (na verdade pode até incluir esse amorzinho, é bom até que inclua, mas é muito além disso). Falo daquela completude, daquela sensação de estar vivo, de estar crescendo, de estar evoluindo. De tirar os olhos do umbigo e de se sentir realizado numa pequena alegria do outro. Falo do companheirismo.

Nem sempre amar alguém, especialmente namorado/namorada inclui recíproca (isso é chato), mas se inclui, então você não pode reclamar da sorte.

Eu amei (amo) três pessoas. Uma seguiu seu caminho e foi crescer ainda mais, outra partiu pra um plano superior, a outra ainda me alegra com sua luz. E como na cegueira da convivência e do dia a dia a gente acaba deixando passar (e como eu tenho um blog pra deixar isso registrado), gostaria de dizer aqui, a cada um dos três, de todo coração:

Muito obrigado. Muito obrigado pelas lições que vieram me ensinar, pelo apoio que vieram me dar, pelos momentos todos de alegria, pelos momentos difíceis, pela paciência com meus conflitos, pela alegria de me permitir participar de momentos importantes de suas vidas. Certamente não sou uma criatura fascinante ou cheia das coisas que se usa para avaliar o sucesso de alguém hoje em dia, mas de qualquer maneira, muito do que sou hoje devo ao amor que vocês me deram, e ao que eu sinto por vocês.

Obrigado por terem me dado a sensação de que eu nunca estarei sozinho. Porque essa é uma paz que não tem preço. E talvez seja este o verdadeiro sentido daquela história de que o amor te completa.





10 comentários:

Tainá disse...

eu quem to amando esse post

Caroline disse...

Ah amigo...como já lhe disse...a vantagem de ficar mais velho é que a maturidade chega e vc descobre que existe várias formas de amar....é isso que dá sentido a vida e como, mas como é bom sentir um sentimento que palavras não conseguem descrever...

Bjo e bom finds.

Margot disse...

Una pessoa que recebeu e retribuiu o amor como voce Humberto, pode sim, ter a sensação de perfeição.. como vc mesmo disse, amor é completude. Quando estamos completos, estamos inteiros...perfeitos.

Eu continuo na busca.... quem sabe um dia.

Abraços

João Carmo disse...

Eu como bom libriano que sou, criei um principio do qual eu sempre fui fiel a ele.

Pra mim, a alusão que faço ao Amor é a seguinte.

Imagina você num clube a noite, lá no alto do trampolim, com uma piscina lá embaixo, e que você não consegue ver. Você sabe que ela tá ali, mas não enxerga. E você tem que pular. Ela pode estar cheia, e você dar um salto magistral. Mas ela pode estar vazia, e você se espatifar lá dentro. A escolha é sua, basta saltar.

Pra mim é mais ou menos isso. Toda relação que eu entro, eu pulo de cabeça. Eu me permito doar. Me permito participar. Me permito colher os louros da situação. As vezes eu me dou bem. Bem até demais. Outras nem tanto. Mas pra mim, o importante é ter tentado. Quanto ao resto...

O resto é ir tentando. As oportunidades passam, e não sabemos se elas vão tocar a campanhia novamente.

Eu vivo duas relações, e me entrego com total vontade as duas.

Em uma eu sou casado. Tenho filho. Uma casa que pra ser perfeita sinceramente não falta nada. Tenho um emprego excelente. Ganho bem acima da média da grande maioria da população. Sou feliz. Eu amo meu filho e minha esposa com uma força que desconheço.

Na outra eu namoro uma pessoa que vive a mesma relação que eu. Ele também tem sua relação séria. Uma profissão maravilhosa. É um cara centrado, e estamos juntos a quase 3 anos. Nos falamos todos os dias. Nos encontramos sempre que possivel, almoçamos sempre juntos. Somos felizes. E eu amo esse cara com uma intensidade que também desconheço.

Porque eu disse isso. Porque é possível amar sim duas pessoas ao mesmo tempo. Basta doar-se. Basta querer.

E como eu quero. E se a vida me der oportunidades de encontrar novas piscinas, com certeza vou pular.

É isso ai. Se alguem vai jogar pedra pra mim não vem ao caso.

Abraços e bom final de semana.

João.

Edu ardo disse...

Clap clap clap! tinha que ser quase meu irmão gêmeo, esse Humberto!

Fred disse...

Eu acho que as coisas somente se banalizam na medida em que são ditas somente "da boca pra fora". Se o "te amo" (seja para namorado, amigo, amante, parente, etc) é dito com (a nossa verdade) ele pode ser repetido incansavelmente que nunca perderá sua real consistência!
Adorei teu texto, Mr. Humberto. Bem como adorei contar com teu comment lá no TPM no post sobre as mulheres de cinema.
Sinta-se (sempre) à vontade para "plagiar" e fazer teu TOP10 das heroínas do cinema. Vou adorar ler!
Abraços e ótima semana!

PS: 36 é bem jovem. Eu - pelo menos - espero que seja... hahahaha!

Tô Ligado disse...

Tudo ficou tão banal...

Edilson Cravo disse...

Humberto:

Linda e emocionada declaração de amor a todos que lhe tornaram o cara lindo que és.

Beijooo e linda semana.

wair de paula disse...

alguém disse que um homem adulto é a soma de seus amores. claro que era uma licença poética, mas cabe bem em seu texto.
e melhor do que repetir o poeta, com a famosa "tive uns amores - perdi-os" é a versão "tive uns amores - perdi-me."
abraços

wair de paula disse...

alguém disse que um homem adulto é a soma de seus amores. claro que era uma licença poética, mas cabe bem em seu texto.
e melhor do que repetir o poeta, com a famosa "tive uns amores - perdi-os" é a versão "tive uns amores - perdi-me."
abraços