terça-feira, 23 de julho de 2013

escola experimental

Eu não sei o que se passa. Mas eu acho que tô cada vez mais a gatinha do Pepe le Gambá. Não era pra estar assim, não acho bonito isso, nem acho muito saudável. Só acho que, assim como minha acrofobia e meu TOC de conferir se tô esquecendo as coisas, minha aversão a gente que se apega tá piorando.

É uma bela merda na verdade. Porque, sim, eu quero ter alguém comigo. Não, não quero ser aquele rabugento solitário que envelhece sozinho. Mas também, não tô no desespero não me caso de imediato com alguém que acabou de se apresentar pra mim.

Mês passado eu estava procurando emprego e aconteceu de eu fazer contato com uma jornalista bem no dia 13 de junho. Eu escrevi a ela, da forma mais profissional esperada. Daí ela me deu um retorno muito rápido (uma surpresa pra mim, inclusive). Só que em cinco minutos de conversa eu percebi (meio sem querer acreditar), que ela tava era me cantando. Mais vinte minutos e eu comecei a pensar que o bibômetro dela tava com defeito. Mais dez minutinhos e ela não teve o menor pudor de me dizer que não namorava há trocentos anos e que o fato de eu ter aparecido no dia de Santo Antônio não era uma coincidência. No fim do dia eu achei melhor (pros dois) eu parar de responder às mensagens da dita cuja.

Evidente que esse caso é um extremo (e penso que não apenas eu, mas qualquer pessoa pensaria em manter distância). Mas eu fiquei pensando o que falta pra eu voltar a curtir ser "amado" por alguém. Não sei se tudo isso é só o pé atrás, a preguiça de quebrar a cara de novo ou aquela velha batalha pra não deixar a pessoa me amar tanto a ponto de me anular, ou de me tirar dos trilhos. 

Fato é que eu, por acaso, ouvi uma música que eu adorava já aos 6 anos de idade, e que, mesmo sem entender direito do que se tratava, eu já dizia na época que era minha música. Daí pensei na maneira como fui criado, no quanto eu tive que me virar sozinho desde sempre, e no quanto isso acabou me fazendo ser autônomo demais. Acabei concluindo que eu sempre fui free desse jeito mesmo. Se eu quiser voltar a ter um relacionamento decente com alguém e se alguém quiser estar comigo, portanto, penso que ambos teremos que lidar com essa minha realidade. Então pode amar: mas não gruda, não espere que eu grude e, por favor, não tente me transformar numa pessoa que eu nunca fui, nunca vou ser é o melhor pra nós dois.

Soo exatamente como alguém que amei quando eu falo isso, eu sei. Mas foi com ela mesma que eu aprendi que a maior burrada num casamento é você se apaixonar por uma pessoa e depois ficar tentando moldá-la ao seu estilo de vida (ou, talvez pior, deixar que ela faça isso com você).

Enfim, relacionamentos, como tudo na vida, são um aprendizado. Mas a minha lição, aparentemente, eu já aprendi. Só falta achar a pessoa certa pra, enfim, colocar tudo em prática. 

Bom dia, bora lembrar da tal musiquinha.
;-)



P.S.: Virei freelancer mesmo, porra de música, rs.


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Susana é bonita e gostosa

Já falei de Susana Vieira outras vezes aqui no blog. Que eu me lembre, esta aqui e esta outra aqui. E todos nós sabemos da personalidade peculiar que ela se tornou nos últimos anos, algo que em alguns momentos beira o ridículo.

Apesar de tudo, Susana Vieira ainda representa pra mim uma grande atriz brasileira (como ela mesma passou a repetir). A verdade é que estamos falando de uma atriz de talento, com décadas de carreira bem sucedida e uma coleção de papéis marcantes na TV.

O que eu acho curioso é que as pessoas preferem esquecer tudo isso (junto com a geração de pessoas que não conhece nada disso e nem procura conhecer, como, alías, não procura saber de nada que veio antes). Virou via de regra tratar Susana Vieira como se ela fosse uma dessas subcelebridades que surgem do nada, não fazem nada de relevante e somem como vieram (Naldo e, agora, Anitta que não me deixam mentir). Daí sempre me pergunto, por que será que pegam tanto no pé da mulher? Será só porque ela resolveu se declarar diva e botar peitinho pra fora e viver do jeito que bem entende, fazendo a Lula 89 ("Sem medo de ser feliz")?

Sim, eu penso que é exatamente por isso. Mas o que tenho observado é que o que incomoda, e muito, é a ideia de uma mulher (ainda mais figura pública) envelhecer bem consigo mesma. "Donde já se viu uma mulher ficar velha e se achar bonita, não pode isso?! E uma mulher ficar velha e se relacionar/contracenar com um homem muito mais jovem, não pode de jeito nenhum!!" A reação à declaração de Susana na revista Joyce Pascowitch deste mês, de que sente falta de ser chamada para ensaios sensuais, só confirmou minhas suspeitas. Não, Dona Susana, o que se espera de uma senhora na sua idade, e com os sinais do tempo que a senhora já apresenta, é que você se recolha, se vista o mais coberta que puder e, principalmente, que não se ache bonita nem desejável -- mesmo que você ainda seja.

O "polêmico" episódio do banho de praia de Betty Faria confirma também que o que o público brasileiro espera das gostosas de outras épocas quando a maturidade chega é que elas sejam lembradas a todo momento, e da maneira mais pejorativa possível, de que a velhice chegou e de que a "beleza" acabou. 

A pior face desse machismo, do meu ponto de vista (e do meu amigo Vk., com quem sempre discuto a respeito), é que ao contrário das estrelas, os atores estão mais que autorizados a envelhecer, por mais embagulhados que fiquem. Eles são praticamente premiados por isso! Vide Antônio Fagundes, que contracena com Susana em "Viver a Vida", interpretando o sr. Pegador que come a secretária novinha (mesmo Fagundes que comeu outras novinhas em "Gabriela" e que comeu...). Quando é que uma gostosa dos anos 70 que tivesse se descuidado do aspecto físico como fez Fúlvio Stefanini estaria numa novela das oito, mesmo que fosse pra fazer uma dona de casa engraçada? Nunca.

A verdade é que há um preconceito, um temor muito grande com relação à velhice. Penso que pra muitas pessoas, o próprio medo de envelhecer faz com que elas repudiem a velhice feliz (e bonita e gostosa) das outras. Especialmente se as outras forem mulheres, sobretudo as famosas.

Não sei o nível do photoshop (saudades Torquatto na Quem), mas as fotos de Susana pelo sempre brilhante André Schiliró pra JP estão lindas. Lidem com isso.

Abraços, boa tarde.


P.S.: A questão da birra com o envelhecimento (e com o feminino, sempre) é também muito gritante no mundo gay. Nego enche a boca pra chamar o outro de "maricona" ao menor sinal de idade. Porque, né?, vai todo mundo morrer na casa dos 20 anos.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

que nada sei


Monica Geller. Não leva dois minutos, hoje em dia, pra algum amigo meu citar a limpadora compulsiva de "Friends" quando o assunto é personagem que se parece comigo. Mas já houve um tempo em que eu era muito mais parecido com outro personagem: Bing; Chandler Bing.

Mas como assim, Humberto? E por que isso agora?

Como assim,  nem eu sei. Aconteceu, porém, de eu estar vendo um determinado episódio da série esta tarde. E sempre, sempre, que eu assisto a esse episódio eu penso no quanto a vida da gente pode mudar, mesmo que você tenha tudo muito planejadinho na sua cabeça. A gente mesmo já muda de ideia e tal, mas mesmo quando os próximos passos estão traçados nada garante que a vida não vá vir e virar tudo do avesso.

Até treze anos atrás, quando eu era um Chandler Bing, eu tinha uma vida planejada pra mim (e isso incluía uma vida planejada pra nós). Tudo o que eu pensava que ia ser depois daquele maio de 2000 tinha sido muito pensado e esperado a minha vida inteira. Mas daí, quando eu menos me dei conta, e por todos os motivos que eu jamais teria imaginado, mudou tudo. Absolutamente tudo. TUDO. E eu tive que recomeçar do mais absoluto zero. Não tinha passado, e por isso mesmo não tinha futuro. Só tinha um presente muito, muito confuso.

Eu ainda choro todas as vezes que vejo esse bendito episódio final da temporada 6 de "Friends". Tanto pelo episódio em si, quanto pelo fato de que o Chandler da ficção conseguiu, quase simultaneamente, o que o Chandler da vida real acabava de perder pra sempre. Aquela Monica, então, jamais seria sua. Mas hoje percebo que eu choro mesmo é porque o episódio me lembra aquela sensação, na época, de que a mudança que viria seria grande e dolorida. Mas ela foi necessária. Para o quê?, mais uma vez, não faço ideia. Só sei que aquele turning ponit foi assim.

Outro turning point chegou. Hora de mudar de novo. Ao menos agora, como este post prova, há passado (e isso provavelmente vai ajudar a pensar num futuro). Vou me dedicar é ao presente. Aliás, talvez pra dar importância e valor a ele é que tenha acontecido isso tudo que me veio à memória revendo "Friends".

Nem Monica, nem Chandler. Agora é só Humberto mesmo. 
E coragem.


P.S.: Quando falo "choro" vocês sabem que é só uma lágrima escorrendo, né?
P.S.2: Sim, perdi a prática... Mas, sim, este blog está de volta. Lidem com isso.
= )