quarta-feira, 28 de agosto de 2013

pai também só tem um

Uma coisa que sempre, sempre mexe comigo e que quase sempre me faz chorar é cena de pai e filho (ou filha ou filhos). Acho uma sacanagem sem tamanho o quanto ao amor paterno é dada menor importância. Eu entendo que a mãe carrega o filho dentro de si por nove longos meses, eu não conseguiria nem avaliar o tipo de ligação que isso cria entre a mulher e sua cria, mas entendo que isso não minimiza a beleza e a grandeza do sentimento do pai pelo seu filho. Não fosse o pai nem haveria filho.

Já falei aqui no blog sobre o quanto desmerecem o amor paterno e sobre essa ideia errada que ainda existe de que ao pai cabe apenas prover o necessário para que o filho tenha alimentação, conforto, educação. Esse tipo de entendimento torto priva pai e filhos de uma relação que só pode fazer bem aos dois.

Uma outra coisa que me fez pensar nisso de que privam os pais do carinho e das demonstrações de afeto foi o comentário de uma aluna de 12 anos, enquanto falávamos sobre telefonemas. Ela perguntou por que todo mundo só liga pra mãe (e, quando muito, pede pra ela mandar um abraço pro pai). Eu fiquei sem resposta. E um tanto chateado, confesso.

Pra completar, hoje cedo acordei com a notícia e o vídeo de jovem pai sírio reencontrando seu filho, que ele acreditava ter morrido naquele ataque pavoroso na Síria. Assistam (vocês já devem ter visto). Como ver uma cena dessas e achar que dá pra pensar que um dos pais pode amar mais o filho, apenas pelo gênero? Amor não tem gênero. Eu nem preciso ser pai pra saber disso (bastou ser filho).

Acho que talvez não vá ter um outro filho na vida (eu tive meu Neném, lembram?). Mas tenho minhas sobrinhas (e sobrinhos, e alunos). Já tenho por elas esse sentimento incondicional. Espero que elas saibam que eu sempre estarei por perto. Então vou acabar sendo pai, de alguma forma. E eu até gosto da ideia.


domingo, 25 de agosto de 2013

revista fe-menina

As coisas andam tão corridas que eu mal tenho tido tempo de escrever aqui, mesmo querendo muito e mesmo cheio de assuntos. Este post que escrevo, por exemplo (e que escreverei de forma bem corrida, infelizmente), é o complemento muito adiado do último post publicado, lááá no dia 07 deste mês.

O assunto é a tal edição da TPM onde a revista tira onda com a cara (e a capa) da Nova. Leitores mais antigos devem saber que apesar de até gostar da revista, sempre achei que a TPM é só mais uma feminina no mercado, talvez a menos interessante para as mulheres (na verdade não posso afirmar, porque mulher não sou, apenas observo); Devem saber também que me cansa bastante isso de ela querer pagar de diferente (e melhor) que as demais publicações do gênero.

Enfim, daí lançaram a tal edição, e como foram mais explícitos desta vez, comprei na hora. Queria ver o que vinha de bombático, o que ia deixar claro essa diferença (e essa superioridade toda) da revista da revista em relação à Nova (e às outras todas).

Devo dizer que com a revista em mãos, olhando com calma e lendo as chamadinhas o que senti foi constrangimento. Parecia aquelas piadas de tio sem graça em festa de família, sabe como? Ou então coisa de adulto-adolescente, do tipo que não cresce nunca e precisa ainda de atenção. Mas OK, até aí, apenas uma sensação. Então abri a revista pra ver o que a adulta-adolescente tinha tanto a falar da prima adulta piranha.

Logo na segunda e terceira capas, um editorial do diretor da revista, Fernando Luna. Ele repete todo o discurso de que as leitoras das outras revistas todas são enganadas por essas publicações, que, segundo ele, vendem ilusões. O primeiro parágrafo: "Se o Procon lesse as revistas femininas, não sobraria quase nenhuma nas bancas." O curioso (e o ato falho) é que, bem, a TPM tá incluída nesse balaio, né? Ou ela não é revista feminina? Seria a TPM uma revista masculina para mulheres (bem, é mais ou menos isso o que eu sempre achei da Trip Para Mulheres; com o importantíssimo detalhe de que a versão para mulheres nunca me pareceu ter metade da qualidade da original masculina). Daí o diretor segue o texto falando que as revistas femininas (as outras, não a dele) vendem ilusões sobre beleza, trabalho, relacionamento. Fecha com a "capa" cool da revista, Alice Braga sorrindo, relax, "tamo aí, meu", cool pra sempre.

Termino a leitura desse manifesto contra as más intenções capitalistas que conseguem a proeza de enganar mulheres adultas, viro a página e vejo:

Um anúncio de produtos de beleza que vão te deixar mais bonita, querida leitora. By the way, produtos de beleza da marca que patrocina o evento anual da revista (falo dele adiante). By the way também, a mesma marca que anuncia nas outras revistas más, que querem te enganar, mulher.

Viro o anúncio e vejo:

O anúncio de uma academia, cheio de imagens de corpos sarados, pra você malhar e ficar com o corpo IGUALZINHO o das modelos, cara leitora adulta, cool, que não se importa com o corpo e que acha que isso é coisa das revistas femininas mentirosas.

Viro mais esse anúncio e vejo:

O anúncio de um carrão que você, cara leitora preocupada com o meio ambiente e com o transporte público e com questões de interesse da coletividade, tem que ter pra mostrar que tem dinheiro, status e estilo.

Estupefato, viro a página e vejo:

O anúncio de um banco (o mais singelo deles, diga-se de passagem), estrelado por gente loira e lisa. Porque não é porque você é cool que não vai poder gostar de dinheiro, não é mesmo, cara leitora adulta que não é enganada por revistas capitalistas que só querem te iludir e fazer você consumir?

Insisto, viro a página e vejo:

O anúncio de uma marca que diz: "Todo mundo usa". Não é você que vai querer ser diferente, né leitora da TPM que é diferente de todo mundo?

Quando viro a página, enfim, vem o índice (e outro anúncio).

Precisa dizer mais alguma coisa? Precisar não precisa, mas lá vai (e vai que só tenho tempo de voltar a escrever daqui a um mês?). O conteúdo editorial da revista (que no frigir dos ovos é mínimo) segue a mesma ladaínha de que as ooooutras revistas são publicações interessadas apenas em estimular o consumo e iludir as leitoras e de que a TPM é diferente e bem intencionada e cool e que as mulheres que leem são as mais inteligentes. Olha, é uma coisa que beira o "belém, belém, nunca mais fico de bem". Continuo com aquela impressão de que é uma revista bacaninha, mas que não alcança mulher nenhuma. Não uma mulher real. É uma revista feita pra uma mulher idealizada. Se as outras vendem uma ilusão, TPM com certeza vende (veja bem, VENDE) outro tipo de ilusão. No fundo são todas iguais.

Pra falar mais eu acabaria repetindo tudo que já disse sobre a revista aqui no blog. Então seria ideal parar por aqui. Mas daí, porque os amigos daqui são um brilho só, recebi do Augustto Paes esta maravilha de link. Este aqui! Se não der pra ler hoje (porque meu texto já foi enorme, eu sei), volta aqui, clica, e lê uma outra hora. É absolutamente preciso, coerente e necessário. Fala sobre esse "feminismo de farmácia" da TPM. E encerra o assunto.

Eu não encerro porque eu adoro a troca de ideias. Pelo que observo, ninguém que eu conheço, sobretudo as mulheres, lê a revista. Mas se alguém lê, se alguém leu essa tal edição, enfim, quem quiser comentar, vamos lá. Vamos conversar. Eu fico interessadíssimo em saber, especialmente das mulheres, se elas leem revistas, quais, por quê... se tem alguma leitora que realmente se sente enganada por elas... Me contem!
:-)

Abraços pra vocês, sempre que tiver um tempo eu volto aqui, sim.
Beijos.


P.S. Grande:
A tal capa/edição deste mês da TPM é praticamente o anúncio de um evento da revista, chamado "Casa TPM", o qual tive o prazer (??) de participar (como público, evidentemente).

Apesar do nome, que remete a uma imagem da dona de casa, que, prendada, recebe em seu lar (e o local, finíssimo, era mesmo uma casa muito aconchegante), o evento foi descrito pela revista como sendo "para quebrar os estereótipos femininos que estão aí desde o tempo da sua avó". Sei.

A primeira coisa que me chamou a atenção lá foi o público. Achei que iam me pedir pra sair. Nunca vi tanta gente branca na minha vida. Não serei racista ao contrário (aliás, de jeito nenhum), mas olha, quanta mulher caucasiana. E quanta gente ricamente vestida. Me desculpa, mas se tinha pobre ali, essa pessoa vive das melhores permutas. Infelizmente eu não consegui fazer uma foto do momento em que a única mulher negra que eu vi recolhia o lixo das elegantérrimas mulheres brancas enquanto essas discutiam as injustiças contra as mulheres... Coerência é tudo nessa vida.

Cheguei bem na hora em que ia começar a palestra de Didi Wagner sobre casamento. "Mas, Humberto, quem é Didi Wagner? Especialista em casamento?". Bem, Didi Wagner é essa intelectual aqui, vocês devem lembrar. E pelo padrão TPM, ela é bonita, é cool e é casada, logo parece suficiente pra formular questionamentos e elaborar respostas sobre a realidade do casamento hétero e homossexual no século XXI. Eu nem vou descrever as sábias palavras ditas em pouco mais de quinze minutos. Sugiro que vocês assistam. Olha, sem palavras mesmo. (Observação: vi que não disponibilizaram o vídeo: HAHAHAHA! Adoro).

Depois vi um debate sobre moda. De novo, festival de pérolas e clichés. Ao menos uma das palestrantes, Cris Zanetti, fez boas ponderações, até pra equilibrar com todas as bobagens proferidas pelas outras duas. E pra fia que falou que só as redes de fast fashion recorrem ao trabalho escravo, beijo da Le Lis Blanc.

O ponto alto pra mim foi a palestra mais esperada, sobre feminismo, com a feminista número 1 do twitter. Aquela mesma que costuma responder com um "Aff!" aos diferentes pontos de vista. Aquela mesma que tava criando um tumblr com fotos de homens barbados, "que é como todo homem deve ser", poucos dias depois de marchar numa passeata contra os estereótipos de beleza feminina. Enfim. Daí veio a moça, super aplaudida, super aguardada. Ela disse que estava maawwwlllnnn, que tava passando maaaawwwwlnnn..., fez uma manha, sentou... não disse nada... foi aplaudida... não disse nada de novo, foi aplaudida... daí soltou que foi abusada aos 13 anos (oi?), foi aplaudida (oi???)... não disse mais nada de novo, foi aplaudida... foi embora. Desculpa a franqueza, mas tománocu, né? Muito, mas muito fácil viver da fama de feminista desse jeito. Ainda bem que eu fui tachado de machista por uma coleguinha do Twitter.

Mais tarde houve um debate sobre sexo contando com a presença da Regina Navarro Lins, Léo Jaime e uma outra feminista de Twitter. Regina salvou a noite (e meu único dia de folga na semana) com seu bom senso. Em determinado momento, e sem medo de apanhar do público cool, afirmou categoricamente que é feminista, mas que é contra esse feminismo que luta contra o homem. Foi tão aplaudida que eu acho que até os mais cools ali presentes tavam de saco cheio das baboseiras que a gente ouviu a tarde toda (ninguém consegue ser tão cool assim).

O evento foi apresentado pela sempre bacana Sarah Oliveira e, apesar das incoerências todas, valeu. Confesso que tava com um leve medo de apanhar ali, mas no fim já tinha gente ao meu lado concordando comigo. De toda forma, certeza que ano que vem serei barrado, rs.

Inté, gente.
Público da 'Casa TPM': Gente fina, elegante e sincera.


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

TPM tira uma onda com a NOVA. Mas, espera...

A TPM é uma revista bacana. Eu já falei muuuuito dela aqui, em vários outros posts. Ela é uma revista feminina muito bacana. A única coisa que sempre me incomodou nela, e ainda não mudei de opinião, é essa coisa que ela tem de querer se vender como diferente (e muito melhor) que as outras revistas femininas no mercado. (na verdade me irrita bastante também as escolhas que eles fazem pra estrela de capa, mas sobre isso eu falo noutra ocasião).

Daí que a TPM deste mês fez uma capa muitíssimo bem bolada, justamente zoando com a Nova. A Nova, aquela revista que a gente ama zoar (e ela não cansa de dar motivo pra isso), mas que também é aquela revista que completa 40 anos de sucesso mês que vem.

Então a TPM soltou uma capa com a Alice Braga fazendo pose demulher da Nova, com cabelão de Nova e aquelas chamadas todas que a gente até gosta, pode confessar. E soltou também uma outra capa, com a mulher num jeito TPM de ser. A propósito, lindas as duas capas.

(antes de prosseguir, ressalto que só vi as capas na divulgação pela internet e confesso que nem entendi ainda como funciona, se a revista vem com as duas opções, se a primeira é fake... de todo modo vou sair agora e adquirir a minha, até pra fazer um outro post depois com mais propriedade -- sobre essa edição específica da revista, não sobre revistas femininas, porque sobre isso vocês já sabem que eu tenho alguma propriedade pra falar, não é vero?).

Anyways, penso que quando a TPM insiste nessa contraposição de ideais femininos, ela deixa muito claro como ela acha que a mulher deve ser (e como NÃO deve ser). De forma que estamos lidando de novo com estereótipos femininos. Uma é sexy, a outra é "cool". Não acredito que deva haver uma melhor que a outra. Não acredito que deva haver um ideal. Imagino que as mulheres a esta altura do campeonato já possam ter liberdade pra viver, parecer e agir do modo que melhor lhes convir.

Ainda sobre essa mulher bacaninha da TPM, já disse e repito que não creio que ela seja assim tão diferente das mulheres das outras revistas. Acho, na verdade, que ela esconde um certo preconceito contra as outras, ou até contra si mesma. Esta semana, por exemplo, o portal da Trip Para Mulheres apresentou sua especialista em decoração (que vai dar dicas cool para você deixar o seu lugar legal). Claudia Casa mandou um beijo. E a Claudia Cozinha mandou perguntar quando é que sai o primeiro fascículo de culinária da TPM com alguma atriz que ninguém conhece ensinando como preparar uma massa instantânea descolada pra servir pro namorido barbudão.

Enfim, se continuar falando aqui, agora, estarei chovendo no molhado (afinal, vocês sabem bem o que eu penso das revistas envolvidas) e estarei correndo o risco de ser preconceituoso (e Deus me livre disso, ainda mais falando do trabalho dos outros). Vou comprar a revista, vou ler. Assim que der um tempinho volto no assunto aqui no blog.

Leitoras que tiverem a oportunidade de ler também (ou não, sei lá), estão mais que convidadas a comentar.

É isto por ora. 
Beijos.

E aí, vai de sexy cool ou de cool sexy?


nos olhos de Di

Esta é a Vanity Fair de setembro. Absolutamente linda capa. Absolutamente inesquecível Diana, em sua melhor fase, pelas lentes de Mario Testino, não muito antes de morrer naquele acidente estúpido, dezesseis anos atrás.

O tempo corrido não me permite, por ora, escrever tudo o que gostaria sobre Lady Di. Vivemos em tempos onde qualquer criatura é chamada de diva. Qualquer sub-celebridade funkeira com nariz de plástica é tida como linda. Diana viveu e morreu com os holofototes apontados para ela. Uma googlada deve confirmar que ela foi a criatura mais fotografada (imagina que inferno) de sua época. Uma outra época, que começou a acabar naquela noite infeliz.

Nunca fui de ter ídolos, nunca fiz bem o estilo fã. Mas sempre adorei Diana. Era coisa de carisma mesmo. Era a única figura naquela realeza britânica ridícula que eu realmente gostava (e muito provavelmente porque ela destoava daquela babaquice toda).

Quando o plantão da Globo anunciou que o acidente tinha sido fatal parecia que era parente que tinha ido, tamanha foi a minha chateação. Por mais ridículo que soe, às vezes eu acho estranho pensar que ela não está mais por aqui.

A princesa que tentou viver feliz longe daquela vida tosca de gente que acredita ser melhor que os outros por conta de um direito divino.

De verdade, saudades Lady Di. Você continua despertando em mim os melhores sentimentos. E a mesma fascinação de sempre.


P.S.: Veja bem que quase 20 anos depois de ter partido, ela emplaca a edição de estilo da Vanity Fair. Acha que é todo dia que nasce alguém assim, né?



eu sei



Sabe quando você vê uma coisa e fica olhando pra ela, pensando que aquilo deveria te lembrar de algo? (mas você não lembra)

Pois semana passada eu fiquei com aquele "2 de agosto" na agenda martelando na minha cabeça. Mas não lembrava o que poderia ser. Aniversário de alguém? Dia de alguma prova que eu devia fazer.

Hoje, agora neste momento, eu me lembrei que na madrugada daquela sexta-feira dia 2 de agosto eu acordei porque no meio do meu sono eu lembrei de uma música. Uma música que eu não ouvia há anos. Uma música que eu nem gostava muito, mas que alguém adorava e que alguém vivia dizendo que era pra mim.

Na época eu não ligava muito, porque eu tava meio emputecido e meio duvidando daquele amor todo. Mas daí, hoje, pensando no esquisito fato de que eu ter acordado do meu sono profundo de inverno e lembrado dessa bendita dessa música, bem no dia 2 de agosto... daí eu sinto um misto de aperto no peito e alegria sem medida... porque eu finalmente entendi que a música (e o sentimento) eram de verdade.

Eu já sabia que da minha parte era por toda a vida mesmo. E agora eu vou tomar mais esta coincidência (ou será que não, caramba?) como certeza de que do lado de lá vai ser mesmo por toda a vida. Toda a vida.


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

mãos de zumbi

Daí eu abri o UOL e dei de cara com a chamada: "Terror de Famosas, Mãos e Pés Entregam Idade." E eu não consigo evitar a pergunta: qual o problema dessa gente?

Então tem que esconder a idade, é isso? A pessoa não pode amadurecer, não pode envelhecer? Já tá valendo a máxima "morra cedo e não envelheça" e ninguém me contou?

Assim que o link abriu dei-me conta de que se tratava de uma matéria no 'UOL Mulher', ou seja, o problema de envelhecer e apresentar sinais de idade é, portanto, um problema para a mulher. Quem tem que se incomodar com as marcas do tempo, pra variar, é a mulher (que seja a Madonna, A Sarah Jessica Parker, a Xuxa ou a Rosiellen que ainda está com 15 anos).

Isso me leva lá naquele ponto que eu toquei uns dois posts atrás, quando falei da Susana Vieira: a mulher que envelhece se vê, cada vez mais, num beco sem saída: ou assume as mudanças naturais do seu corpo e é tida como uma "velha acabada" ou e tenta adiar tudo isso é considerada uma "velha ridícula que quer parecer mais jovem". Mas, gente, faz o que então, se enfia dentro de casa e sai só no caixão? É isso?

A matéria horrorosa ainda se acha engraçadinha o suficiente pra descrever os tais sinais do tempo como "mãos de zumbi". Francamente, acabou-se tanto o respeito pelas mulheres quanto pelo jornalismo. Que raio de termos são esses?

O mais curioso nisso tudo, pra mim, está no fato de que o artigo foi publicado num site feminino. Portanto, em tese, deveria ter ao menos uma abordagem que atendesse aos interesses da mulher. "Mãos de zumbi"?? "Entregar a idade"?? E o pior, foi uma bonita duma jornalista, mulher!!!, quem escreveu isso? Pode isso, mulherada?!

Sério, eu fico me perguntando mil coisas: Precisa partir pro ridículo, perder a noção? A moça que escreveu a matéria ao invés de escrever sobre o assunto numa perspectiva que interessasse à mulher, faz uma coisa de um modo que só reprime a mulher de novo. Juro que não compreendo. 

Sei bem que o jornalismo feminino se baseia muito na imagem idealizada da mulher, e sei também que, infelizmente, a leitora gosta disso. Mas será que as coisas já não mudaram um pouquinho? Será que os novos tempos já não permitem matérias com um pouco mais de bom senso, que apelem para a beleza e também para a inteligência das mulheres que as vão ler? Já dá pra fazer melhor, não dá? Dá sim.

'UOL Mulher', as mulheres conseguem ser bonitas e inteligentes, pode acreditar. E a gente já sabe dissomuuuito tempo.


P.S.: E olha que eu já zoei os pezinhos da Véia aqui, vocês talvez se lembrem. Mas não pelos sinais do tempo, e sim pelas unhas aparentemente mal cuidadas.
P.S.2: Leitores antigos também sabem que eu me refiro à Véia como Véia por amor, e não por escrotice.