sábado, 8 de março de 2014

8 de Março, "O" Dia das Mulheres

A cada ano que passa eu acho esta data mais estúpida. Nem adianta vir com aquele papo de "homenagem às mulheres que foram mortas na fábrica blábláblá...". 8 de Março é só uma data comercial como quase todas as celebrações, mas com o agravante de que ela serve também pra lembrar às mulheres quem é que manda -- e, ao contrário do que a Beyoncé pode ter feito você acreditar, não são as mulheres.

OK, Honey B perguntou quem "run the world?", não quem "rule the world?". E quem "rule the world" não são o Pink e o Cérebro (que vivem tentando). E nem as mulheres. Entra ano, sai ano, taí o 8 de março pra lembrar que quem manda nessa porra são os homens, justamente por isso nós demos a vocês, mulheres, um só diazinho pra chamar de seu. Os outros 364 nos pertencem.

No 8 de março, cara mulher, você pode se sentir especial, por sua delicadeza, por sua beleza, pela maneira que só você sabe como cuidar da família, dos filhos, do marido, do modo como só você sabe usar um sabão em pó. Daí, nesse dia, te damos rosas, para simbolizar nosso respeito por você. Não necessariamente pelo ser humano que você é.

Em 2014, a digníssima emissora mais assistida no Brasil decidiu prestar uma dessas "homenagens" às mulheres, e PELA PRIMEIRA VEZ EM 45 ANOS vai deixar que seu principal jornal seja apresentado por duas mulheres. Vejam só que honra, por UM DIA, um SÁBADO (quando normalmente ninguém vê o jornal), duas mulheres vão poder fazer o que dois homens podem fazer desde que o jornal estreou, em 1969. Eu não sei quem tem mais motivos pra se orgulhar, se as mulheres de modo geral ou as mulheres jornalistas, em especial, já que as escolhidas para representá-las são Patrícia Poeta e Sandra Annemberg, dois bastiões do jornalismo nacional. Todo este evento super especial, todo este marco na história da televisão do Brasil só no dia 8 de Março. No dia 10 volta tudo ao normal. E o normal, claro, diz respeito aos homens.

Du-vi-do que o jornal repita essa dobradinha feminina num dia regular. E quero só ver se acontecer alguma tragédia, alguma guerra na Ucrânia, se vão bancar essa "homenagem" ou se não vão chamar pelo menos um William Waack pra apresentar. (não custa reforçar que eu, obviamente, prefiro que não ocorra tragédia nenhuma -- a "homenagem" do jornal já é o suficiente).

Enfim, é isto. E para não correr o risco de ser tachado de machista por alguma feminista de farmácia de plantão/leitora do Uol (isso já aconteceu no Twitter, então vai saber), deixo abaixo alguns links, com posts antigos publicados a respeito desta mesma data ou das homenageadas por ela, neste mesmo blog. Entra ano, sai ano, e não muito mudou. E eu nem creio que vá mudar. "Parabéns mulheres". And I'm sorry.



2 comentários:

Eduardo de Souza Caxa ש disse...

E assim caminha a "homanidade", meu amigo.

Perfeita reflexão!

Ro Fers disse...

O mundo ainda continua muito machista, e preconceituoso.