domingo, 9 de março de 2014

entre uma (vida) e outra

Desde que, sem muitas expectativas, assisti a "Nebraska" e me apaixonei completamente pelo filme, fiqui com vontade de rever "Sideways", outro longa do diretor Alexander Payne.

A primeira e única vez que tinha visto "Sideways" (até dois dias atrás) foi em janeiro de 2005. Igualmente de maneira despretensiosa, numa sessão das 14 horas, só pra matar o tempo enquanto a gente esperava a estreia de "Closer", na noite daquele mesmo dia. E eu me lembro bem que mesmo tendo adorado "Closer" e saído um caco do filme (quem não?), eu tinha gostado de "Sideways" ainda muito mais.

Não sei bem o motivo pelo qual passei esses quase dez anos sem rever o filme. Mas posso chutar: "Sideways", filme simpático que só, conta o drama do ansioso, blue e coração-partido Miles. Parece alguém que você conhece? Parece. Mas parecia muito mais aquele alguém (que você não conhece) que ficou lá atrás, naquela vida confusa e em transformação ali pelos idos de 2004/2005. Transformação que, aliás, levou bem esses quase dez anos que não vi o filme. Talvez resida aí a tal explicação.

Em 2005 eu precisava aceitar que nada era mais como eu passei a vida acreditando que seria. E em 2005 eu tinha acabado de encarar, enfim (e bem uns quatro anos depois da hora), que não iria mais passar a vida ao meu lado quem eu achei que iria (pelo menos não mais como minha mulher, mãe dos meus filhos, parceira da minha alma, caralho a quatro). 

Curioso é que eu não lembrava disso. Lembrei enquanto revia o filme. Eu me lembrava mesmo que o protagonista tinha um gênio e uma história parecidos com os meus, mas não lembrava o quê. E eu precisei pensar um pouco pra lembrar de quem é que eu sentia falta naquela época, a saudade de quem me fazia sofrer então (e sabe Deus o quanto).

Foi bom. Porque eu vi que apesar da ansiedade e dos projetos frustrados e das aulas de inglês, eu não sou o mesmo daquele 2005. As histórias todas que eu vivi depois, então, fazem o drama de Miles parecer pouca coisa. Mas sobrevive-se a tudo.

Sobrevive-se, e transforma-se. E, tal qual o vinho, personagem central de "Sideways", a gente melhora com o passar do tempo. Bom, pelo menos os que valem alguma coisa.

E foi ótimo ver o filme e concluir que agora, mais do que vontade de me apaixonar de novo, sinto vontade é de encher a cara tomar um bom vinho. Se é pra ter dor de cabeça (o que nem sempre acontece com o vinho), que pelo menos o prazer seja certo.

Passar bem.


P.S.: Meu amigo Darke não vai ler isso e duvido muito que ele ao menos saiba que eu tenho um blog (espero, aliás, que não saiba). Mas deu saudade dele também. Lembro do quanto a gente riu da semelhança, minha com o protagonista, dele com o divertidíssimo coadjuvante. "Bundão" foi embora de Belo Horizonte pouco tempo depois do filme. E nossas vidas tomaram caminhos bem diferentes. Pro bem dos dois, eu acho.
P.S.2: Mas tava gostosa mesmo a Japa do "Grey's Anatomy", hein?


3 comentários:

Latinha disse...

Ah! meu amigo... as vezes é bom a gente para e se dar conta o quanto "mudamos" e continuamos a mudar... isso sempre me soa piégas, mas é uma dessas grandes verdades que a gente não consegue escapar.

Em algum ponto eu me dei conta que não teria a casa, a esposa e tudo mais... é sempre um baque. Mas acho que um dia a gente entende que não existe só uma maneira de se "fazer as coisas"...

Engraçado... tem alguns dias que olho uma garrafa de vinho na geladeira (não tão bom assim como o que você cita kkkk) e me questiono quando deveria abrir a bichinha. Acho que teu post acabou por me inspirar... quem sabe! kkk

Abração!

Clenio disse...

Sabe que eu não consigo gostar desse filme? Gosto do Alexander Payne - adoro "Eleição" e "Os descendentes" e amei "Nebraska" - mas não simpatizo com "Sideways". Sei lá, achei chato, os personagens não me cativaram e eu tenho certa resistência quanto ao Giamatti. Mas, enfim...

Abraços
Clênio
www.lennysmind.blogspot.com
www.clenio-umfilmepordia.blogspot.com

Eduardo de Souza Caxa ש disse...

Adoro Gianatti nesse tipo de papel e adorei Sideways (que deixei de lado um bom tempo porque nem gosto de "pinga"). Mas Nebraska não gostei não. Não é mal, mas daí a ser bom...

Adorei foi "À Procura do Amor"! Eu casava com aquele Albert fácil fácil. Fofo!