segunda-feira, 10 de março de 2014

not ready, but maybe, possibly, perhaps, willing to be



Dias atrás consegui me dar ao luxo de ouvir música durante o café da manhã, despreocupadamente, como eu amo fazer e como há milênios não fazia (nem lembrava o quanto eu adoro isso). É uma coisa que eu gosto de fazer sozinho, especialmente porque em algum momento eu acabo cantando e a última coisa que eu quero é o susto de alguém aparecer pra censurar minha voz medonha (trauma de infância, by Gilda -- como 90% deles, aliás).

Eu nunca lembro das músicas na hora que quero ouvir, mas eu vou pelo mood e o Youtube se encarrega de me sugerir algo que eu possa gostar. Dessa última vez o Santo me convenceu de que eu queria ouvir "Fidelity", da Regina Spektor. Lá fui eu ouvir.

Como eu estava comendo ainda, acabei de fato assistindo ao clipe (aí acima) e prestando atenção na letra. Exceto pela primeira frase, que não se aplica ao meu caso, todo o resto da canção vale pro que se tornou uma realidade pra mim desde 2010 (ironicamente -- ou não --, só agora, pensando em tudo que me fez ficar assim, é que fui entender o nome da música). Eu confesso que ali num ponto do finalzinho do clipe eu engasguei um pouquinho.

Vez ou outra, apesar dessa sensação maravilhosa de fulfillment que só a solteirice me proporciona, eu acabo, lá no fundo, me perguntando se não vai mesmo, nunca mais, acontecer de eu ser feliz também por estar com alguém que eu goste. Eu acho muito, muito, muito difícil aparecer alguém pra preencher aqueles tacones, e tudo que apareceu depois só confirmou isso, mas ainda assim sempre fica o questionamento: acabou? Fechou a fábrica? Era aquilo mesmo o máximo que eu merecia? Vou ter que passar os porrilhões de anos que me esperam só com o vinho mesmo?

Quando eu penso no quesito "fidelidade" eu penso que vou ficar só com meu companheiro de uva mesmo. Porque foram as trauletadas da falta dela que me deixaram assim. Meu amigo Edu falou ainda hoje sobre ceticismo e desconfiança e, sábio como sempre (tenho tanto a aprender com esse moço), disse que a cura vem. Eu sou muito, muito, muito cético, e a vida só piora isso. Mas eu não sou do tipo acomodado nem do tipo que joga a toalha. Eu sou do tipo Sue Heck. Então, mesmo cético e duvidando quase num nível certeza de qua alguma coisa vá mudar, se existe uma mínima possibilidade de ela mudar (e eu acho que mudança é sempre pra melhor), então eu vou fazer o que der pra mudar.

Enfim. Tem muito chão ainda, e se algum momento dessa caminhada toda eu tiver a sorte de encontrar alguém que valha caminhar comigo, alguém que consiga a proeza de me fazer confiar de novo, que venha. Se não, terei pelo menos caminhado -- bem, tomando vinho e ouvindo minhas músicas.


P.S.: Sdd Edu, sdd VaKa, sdd Leo, sdd Lucas, sdd dos bons todos.