quarta-feira, 23 de abril de 2014

MEU cu



Existe uma piadinha sobre o menino que queria dançar e os pais não deixavam; queria pintar e os pais não deixavam; queria costurar e os pais não deixavam; queria cantar e os pais não deixavam; Por fim, o menino cresceu e, não sabendo fazer nada, morreu pobre e infeliz.

É piada. Apenas uma piada. Não aconteceu com ninguém. Nenhum homem gay teve todos os seus talentos (que não ficam só nas artes, não custa lembrar) podados pelos pais por medo de que o filho "virasse" gay. Pelos pais, pelos irmãos, até pela cunhada moderninha até a página 2 (onde o filho dela nasce muito mais gay -- se é que dá pra quantificar essas coisas, mas você me entende).

As pessoas não acreditam, e hoje em dia cago pra isso, mas até uns cinco anos atrás eu ainda era muito inocente. Então você pode imaginar a criança que eu fui. Ali pelos idos de 1984, 85, eu era só mais uma criança que, na cola das minhas irmãs (e verdade seja dita, de TODOS os jovenzinhos da rua) adorava Menudo. Mas mesmo inocente eu não era fã, não. Não era dos Menudos que eu gostava (pelo menos revendo o vídeo hoje, não como as meninas provavelmente gostavam). Eu gostava era da música mesmo, das dancinhas, da alegria toda. Eu não via nada de errado com aquilo (e, convenhamos, não tinha mesmo).

Enfim, depois de mais uma madrugada de terapia musical Youtubística, caí sem querer (a psicanálise talvez diria que não) nesse exato vídeo aí acima. A primeira coisa que me chamou a atenção foi o de sempre, o como mudam os conceitos de beleza: todos aqueles que eu lembro que achavam lindos (tipo o Rob Rosa, coitado) hoje me parecem feios pra cacete, da mesma forma como os mais feínhos (tipo esse moço de verde à esquerda) não me parecem tão medonhos. Na verdade o que importa neste post é a segunda observação: a letra da música. Não dá pra levar música de Menudo en serio, ainda mais 30 anos depois. Pero achei curiosíssimo a coincidência na relação das "bobagens" de que ela fala com o fato de eu andar me perguntando até que ponto o quanto me podaram (e o quanto me deixei podar) custa caro pra mim hoje.

Enfim, não dá pra voltar ou viver de passado. Nem é isso que eu quero. Mas como nunca fui de mentir, especialmente pra mim mesmo, nem de passar pra frente sem resolver as coisas, se eu tiver que dar uma fuçadinha nas cacuras empoeiradas da memória pra viver saudavelmente o que me resta, então vamos lá. Até porque, preciso confessar, tem sido divertido. E se, sabe Deus por quê, me deu vontade de fazer isso, vou me reprimir pra quê, né? Pra não virar gay?


13 comentários:

Paulo Roberto Figueiredo Braccini . Bratz disse...

É super bacana qdo damos conta de tudo isto não é mesmo? Não dá para voltar mesmo mas serve para tomarmos uma posição definitiva em nossas vidas para os dias q se seguem ... Não me reprimo em nada e por nada ...

Eduardo de Souza Caxa ש disse...

Oooowwwnnnn eu vi Menudos no estádio do Morumbi!!!

Perfeitas suas considerações (e adorei o "pra não virar gay?"), mas a gente sabe que falar é fácil.

Então mantenha o foco, mantenha na cabeça sempre a musiquinha dos Menudos (e o que ela representa), porque o cérebro é movido a hábitos e estes (mesmo os não-físicos, os pensamentos) requerem repetição constante pra "grudarem".

Beijão!!

o Humberto disse...

Cês dois são os mais supimpas. <3

RAFAEL disse...

Quem tem mais de trinta, tem teto de vidro. Não da pra dizer que não viu menudo no Chacrinha e nem que arriscou passinhos de Não se reprima...Fuçar no passado é ótimo Humberto, faço isso algumas vezes...é como uma bateria que se recarrega...e olha que não fui assim tão legal na infância e adolescência...rs.

abração.

RAFAEL disse...

Uma curiosidade...não identifiquei o cenário. Que programa era esse? E outra coisa, que dó das meninas que ficaram segurando os arcos de flores...que mico!!! alem do que tampava toda a imagem deles dançando...rs rs rs...Televisão era mal feita não?

o Humberto disse...

Rafael, meu caro, isso deve ser programa do Gugu. E essas éguas segurando essas coroas de flores eu tava querendo matar, justamente pq nao dá pra ver nada, rs. O diretor tb nao mandar tirar, francamente. :-)

Clenio disse...

Oi, querido

Nem preciso te dizer, a essa altura do campeonato, o quanto o "deixar me podarem" destruiu a minha vida - em autoestima, em confiança, em garra.
Penso que muitas vezes os pais não tem a mais remota ideia do estrago que fazem quando fazem isso. E às vezes penso também que, dependendo dos pais, eles poucos se importam com essas consequências nefastas.

Abraços
Clênio

Latinha disse...

Caraca, que você deu uma pázada lá no fundo, hein?! kkk

Então, em minha defesa eu digo que tomava remédios fortes por conta da bronquite... só por isso eu ensaiei a coreografia! HUAHAUUA

Falando sério, muito legal o post... mais do que todas as vezes que somos cortados pelas pessoas, confesso que me espanto como nós mesmos, muitas vezes, acabamos nos proibindo de fazer as coisas. Em algum ponto a gente começa a se fechar, a se esquivar.

Mas... ainda em que sempre é tempo de por ordem na casa e recomeçar!

Abração!

o Humberto disse...

Clenio, cada caso é um caso. No meu, se meus pais, que já eram bem vividos e tinham 4.839 filhos assim fizeram foi pq, obviamente achavam que estavam fazendo o melhor pra mim. Na minha experiencia, a poda maior veio do resto da família, especialmente dos gays. Por fim atingi o ponto do qual o Latinha fala, quando, ja tendo assimilado o discurso que me martelaram a infancia inteira, passei a me podar por conta própria. Hoje já sou um marmanjo de quase 40, se essas coisas ainda me incomodam (e vcs percebem que é MUITO), o que me resta, e eu tenho tentado fazer, é tratar de superar. Porque meu passado é muito rico de causos, mas quero crer que ainda tenho muito a viver. E, responsável por mim que sou agora, farei o melhor pra que as histórias sejam mais felizes daqui pra frente. Enfim, só me fodo, mas como sempre, pra me derrubarem vão ter trabalho. E, sinceramente, não vão me derrubar não.

Abraços procês.

o Humberto disse...

Ah, e Latinha, dançava APESAR da bronquite, entao gostava muuuuito, rs.

Quero fotos!!

Rafael disse...

Não peguei essa fase do Menudos mas entendo perfeitamente o que é ter uma banda ou cantor preferido e ver diferente da maneira como as mulheres veem... a canção, a vontade de dançar, o êxtase que a música te traz independente da beleza de quem canta.
Também fui moldado. Mas percebi antes da hora.

Homem, Homossexual e Pai disse...

video para lá de divertido... eu sou da geraçao anterior! Eu levei meus primos no show do Menudo no morumbi!
Mas o que vc falou me fez lembrar oq uanto é dificil ser pai, saber o que estimular nos filhos, o que apoiar, o que mostrar, o que esconder, o que explicar, onde calar...
Pena que alguns pais, com medo que o filho seja gay, a filha sapatona, o filho seja fraco, a filha seja forte, escondem e reprimem muita coisa... mas lembre-se , a vida começa aos 40!

Tô Ligado disse...

Quando vi o título, achei que teria até foto! rsrs Brincadeira. Como sempre, batendo em cima. Abraços