quarta-feira, 23 de julho de 2014

Amy

Numa manhãzinha qualquer de 2007, enquanto me preparava para acordar, liguei a TV e me deparei com uma criatura linda, também se levantando, e com sua voz absolutamente fantástica. "Quem é essa mulher maravilhosa, Deus do céu?". Nas manhãs que se seguiram o ritual se repetiu, tudo sempre igual, eu sempre acordando com o despertador da televisão, sintonizado na falecida MTV, no exato minuto que exibiam "Rehab".

Dali pra amor foi um pulo. E dali, naquele 2007 tão intensamente vivido por mim (quando, inclusive, surgiu este insistente blog), até aquele ainda mais intenso ano de 2001, ela me acompanhou em tudo que eu vivi: os amores que não valeram de nada, o grande amor da minha vida, as perdas, os prazeres, as experiências todas, as boas, as ruins e as inacreditáveis (seja porque foram inacreditavelmente boas ou, ainda mais, é verdade, inacreditavelmente ruins). A voz dela, INCOMPARÁVEL, com aquela honestidade que só a voz dela tem, parecia ser o que a minha alma gritaria se pudesse.

Nesses quatro anos também acompanhei, completamente emputecido, a caçada bizarra da mídia tosca e do senso comum a qualquer passo da vida dessa moça. Se bebia, se festejava, se sofria pelas suas paixões, como qualquer garota se sua idade, havia sempre milhões de urubus à espera de sua queda. Ela era o oposto desta gente bizarra, tão comum no que se tornou nosso mundo. Provavelmente isso, além do talento descomunal, claro, era o que a tornava uma pessoa tão impressionante e tão especial.

Há exatos três anos minha Amyzinha se foi. Suas músicas, sua voz, sua beleza, e aquele sorriso lindo de criança nunca, nunca deixaram de fazer parte do meu dia a dia. Sou e sempre serei grato por isso.


3 comentários:

Marcos Campos disse...

Ela era especial mesmo ! Não era desse mundo ! Uma grande perda com certeza !

o Humberto disse...

Bem isso, companheiro. :(

Janaína Souza disse...

Tem horas que eu escuto algumas músicas dela e a minha reação é a mesma de quando escuto alguma coisa do Michael Jackson: custo acreditar que não estão mais aqui. Pra mim, Amy e Michael simplesmente NÃO MORRERAM. Assumiram condição de deuses. E pronto.