quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Jessé


Sobre pessoas esquecidas, num blog já há muito esquecido também.
Tá com um tempinho sobrando aí? 25 minutinhos? Então assiste, vai.





quarta-feira, 6 de julho de 2016

no conhecimento está a chance de libertação



Aos leitores remanescentes deste blog, deixo, mui carinhosamente, este primor. Isto é um presente. Não meu, evidentemente. Mas um presente do Sr. Leandro Karnal (a quem não apresentarei, pois, estou certo, o tipo de gente que -- ainda -- me lê sabe bem de quem se trata). Vale cada um minuto daquele momento em que você puder parar para ouvir, para escutar.

A mim, em particular, tocaram profundamente as respostas dadas pelo professor à sequência de três perguntas que vai do minuto 1:07:37 ao minuto 1:12:10. Neste momento da minha vida, apenas ouvi-lo dizer o que eu nem saberia expressar (óbvio) quase me fez chorar aqui.


domingo, 26 de junho de 2016

não contém spoilers

Quando, uns anos atrás, eu perdi a capacidade de me concentrar, o primeiro exercício que me passaram pra me recuperar foi tentar assistir um episódio completo de uma série qualquer (não conseguia manter uma conversa de cinco minutos na época). A ideia era que eu assistisse um episódio de 20 minutos, comum em muitas séries, mas eu resolvi tentar além; Escolhi, então, um de uma hora de duração. Na verdade, escolhi “Game of Thrones", porque muita gente falava dele, mas fui bem na má vontade, pois "fadinhas, dragõezinhos etc", não tinha a menor cara de coisa que pegasse minha atenção, sobretudo quando eu, clinicamente, não tinha nenhuma.

Basicamente, a série me ganhou ali, no primeiro episódio mesmo. E eu assisti mais um. E mais um. E antes até que eu ficasse 100% bom de novo eu já tinha terminado de ver três temporadas. E desde então é sempre aquele prazer (muitas vezes, literalmente) de assistir cada episódio que só quem acompanha a história sabe como é.

Eu amo tudo na série (OK, alguma perucas não me descem), tenho lá meus personagens favoritos, alguns deles conseguiram a façanha de sobreviver até hoje... mas não é do enredo, das tramas, das Casas, dos homens e mulheres lindas, ou dos dragõezinhos que eu quero falar (porque certamente já se falou de TUDO o que há pra se falar sobre "Game of Thrones"). Na verdade é só uma coisa que me ocorreu assistindo o último episódio e, na falta de redes sociais pra dar minha digníssima e importantíssima e relevantésima opinião, lembrei que tinha um blog e decidi comentar aqui:

Sem nenhuma espécie de militância na pergunta (e sem nada contra a militância também, bom ressaltar): Por que raios "Game of Thrones" reproduz a discriminação racial que (infelizmente ainda) vemos no mundo real? A série tem dragões, gente que sobrevive ao fogo, mortos que ressuscitam (mals aê Igreja Católica. Deus; tô só comentando!), enfim, tudo se passa num mundo de fantasia, por que cacetes têm então que praticamente todos os seus personagens serem brancos?

Não há uma motivação lógica pra isso. Você fazer um filme sobre o Brasil do século XVIII e ter os poderosos de então brancos e os escravos negros, OK, faz parte (não que inverter isso num filme, ainda que fosse sobre o século XVIII mesmo, não fosse ainda mais eficaz na mensagem, eu penso). Mas em "Game of Thrones", não seria essencial que todos os protagonistas fossem brancos. Seria absolutamente indiferente pra trama se os Starks fossem interpretados por atores negros. Ou se os fossem os Lannisters. Ainda melhor, imagina que linda uma Khaleesi negra (ainda que tivesse cabelos dourados). Imagina se todos os personagens fossem negros!

Salvo engano, só consegui lembrar de dois negros, basicamente os ex-escravos, aliados de Daenarys. No máximo, tinha lá o moço dos oi furado, interpretado por um ator latino. De resto, geral branca, bem branca, muito branca. Não precisava, né?

Nem eu mesmo leio mais meu blog, então muito certamente não haverá uma enxurrada de críticas de fã maluco de GoT (sim, eles existem e são piores que fãs de Madonna). Eu só quis comentar mesmo. Se por acaso houver algum fã-não-maluco que saiba de alguma explicação (inclusive óbvia, vamos lembrar que eu tava negoçado quando comecei a assistir) pro fato das personagens da série serem predominantemente caucasianas, please, me conta aqui.

Beijo procês, bom final de temporada hoje. 
E até o próximo post, a qualquer mês desses.


sexta-feira, 1 de abril de 2016

sort of free

Era tamanho o descaramento no dia do resultado do 1º turno das eleições em 2014 que eu decidi que não ia mais ler portal de notícias na internet. Nada mais daquela olhadinha matutina (e o dia inteiro) em sites como Uol, Terra, coisas do tipo. Porque além da vergonha que eu sentia da parcialidade e da forçacão de barra pra tentar eleger Aécio, já há tempos eu vinha me questionando sobre qual a necessidade de saber que "Adriane Galisteu não penteou os cabelos do cu" ou que "Mulher-Jurubeba toma sol na Barra" ou que "MMMAAAIIIOOORR CCCIIIDDAADDEE DDDAAA AAAMMMEERRRIIICCAAA LLLAATTTIINNAA, São Paulo bate recorde de engarrafamento" (Yay!, acho que é pra comemorar que informam isso, né?).

Depois veio a decisão de parar de assistir a programação da TV aberta (e, neste caso, nem preciso citar exemplos, né?).

Pra completar, praticamente desativei todas as redes sociais.

Em um dado momento achei que ia virar um E.T., que ia conseguir me tornar ainda mais antissocial do que a idade já me havia tornado. Me perguntava muito sobre o que ia conversar com as pessoas, se teria assunto em comum pra conversar com elas.

Bom, a segunda coisa que descobri é que se a pessoa só tinha como assunto pra conversar comigo a grade televisiva da Globo, a pessoa não é alguém com quem eu gostaria de conversar. Sei que você aí que me lê deve conhecer pelo menos uma ou outra pessoa que passa O DIA, A VIDA, assistindo tudo que a Família Marinho quer que ela assista. Deus me livre tamanha pobreza de espírito.

A terceira descoberta foi que muito mais gente parou com a TV aberta. Gente que optou por Netflix, gente que vê suas séries. Tem até gente que prefere ler, veja só.

Ao contrário do que imaginei inicialmente, passei foi a ter mais o que conversar com meus amigos. Porque o assunto principal passou a ser a gente mesmo, nossas vidas, nossos sonhos, as pessoas que nos rodeiam.

Eu sei, parece meio órbita umbilical, mas são conversar muito menos alienadas do que eu faço parecer. Na verdade, é justamente o contrário. Os diálogos e a troca de ideias partem de uma visão agora bem mais crítica do mundo (e de quem "informa" sobre o que acontece no mundo.

Há algumas semanas, precisei reativar minha conta no Facebook (já novamente fechada). Era quase unânime entre os amigos de lá um sentimento de revolta diante da forma como a emissora Rede Globo vem cobrindo (causando em boa parte, pra variar) o caos no país. Donde veio a questão que por ora me encuca: se já temos informação, se já se nota claramente a manipulação e os interesses da supracitada emissora, por que raios as pessoas AINDA assistem isso? 

Sempre me cai o cu da bunda pensar que onde haja uma televisão ligada, num hospital, num boteco, numa academia, tá a porra da Globo ligada. Cai-me o cu da bunda 20 vezes pensar que no domingo, normalmente dia que a pobrada tem pra descansar, as pessoas VOLUNTARIAMENTE liguem a TV pra assistir Faustão. O que explica isso? Por que ainda isso? Até quando isso?

Tudo isso, em parte, pra eu ter assunto pra escrever aqui. E pra dizer que a primeira descoberta que eu fiz quando optei por não consumir conteúdo de portais e de canais abertos de TV foi que eu não apenas conseguia viver sem isso, como consigo viver muito melhor. Meus dias rendem muito mais. Se eu me canso (porque a vida cansa a gente, vocês sabem), é um cansaço físico, não é um esgotamento. As opções se abriram. 

É isso, não sei terminar este post. Não era pra concluir nada mesmo, nem pra cobrar de ninguém que façam o mesmo que eu tenho feito (porque senão eu seria apenas mais idiota que esses veículos todos citados). É mais pra abrir a discussão mesmo. Senta aí, vamo conversar.


P.S.: "Mas Humbeeeerto, como você se informa do que se passa no mundo, então?" El País Brasil e, principalmente, Jornal da Record News, com Heródoto Barbeiro (21h, horário de Brasólia). Só de vez em quando BBC Brasil, The Guardian, The Economist. E, muitas vezes, algum dos bons amigos que me atualiza.
P.S.2: E vocês, aí, que tipo de informação (e de qual fonte) vocês consomem?
P.S. Final: Já adorei novela, já adorei muita coisa de TV aberta. Entendo que tem (MUITA) gente que ainda gosta disso. Só pra mim é que não dá mais mesmo. Uma trama protagonizada por uma Marina Ruivarbosa jamais conseguiria me tocar como um folhetim estrelado por Betty Faria, por exemplo. Call me velho, mas pra mim já não dá.
Só mais um P.S.: Até com revista eu parei, cês acreditam? Que sentido faz ler uma coisa manjada que todo mundo já sabe que aconteceu há trocentos anos? Que interesse pode ter uma pessoa sã numa revista cuja principal matéria é um perfil da "blogueira de moda Fulana que você nunca viu e nem precisava mesmo ver"?


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

no need to get uptighter


Exausto. Moído. Muito, muito cansado. Sem tempo nem pra escrever todos os posts que eu prometi escrever. E ainda assim, nada de o sono vir nesta madrugada. O motivo não era claro no começo, parecia ser só o calor infernal neste verão de 2016, mas depois ficou meio evidente: era saudade.

Sem motivo aparente eu me peguei assistindo um clipe antiiiigo do Supertramp, das lembranças mais antigas da minha vida (morria de medo do clipe, porque o moço só se ferrava, e apanhava, e todo mundo fazia pouco dele -- e eu morria de dó). Desse foi pra um outro clipe velho, que foi pra outro, que foi pra outro ainda mais musicalmente idoso (passei até por "We Are the World", mas esse vai merecer post próprio).

Não era saudade dessas músicas. Acho que era saudade de colo (porque todos de quando eu era criança). Nem saudade de colo, na verdade. Saudade da minha Mãe. Saudade de Dona Mãe sentando na minha cama pra contar caso de gente que eu não conhecia ou não me importava -- mas que ouvia porque gostava dela contando. Muita saudade da minha Dona Mãe. A vida seguiu, como não haveria de ser diferente, e como ela mesma me lembraria de fazer, mas há aquelas horas em que bate como um murro no estômago: tá tudo bem, tá tudo em ordem -- mas minha companheira foi finalmente descansar, seu, sabe Deus o quanto, merecido descanso.

A saudade da Minha Mãe puxa a saudade de outras pessoas (e inclusive dos bichos) que me fizeram quem eu sou e que já se foram. Madrinha, parceiro, amigos. Todo mundo que, parece, foi muito cedo, mas que, a gente sabe disso de alguma forma, partiu quando tinha de partir, quando cumpriu o que veio cumprir.

Dói? Dói. Mas assim, como no clipe lá do Supertramp, mesmo as lembranças doídas, nesses casos, são lembranças bonitas, porque mantêm vivos em você os momentos todos que você teve a felicidade de compartilhar com quem partiu -- tudo, as risadas, as brigas, os apertos, as alegrias. Tudo.

Os clipes antigos me chamaram a atenção pelas vozes dos cantores famosos num passado nem tão distante assim. Acabei me perguntando que hoje em dia tem uma voz potente e marcante como a daquele grupo de ícones em "We Are the World", por exemplo. Parei na apresentação do Jordan Smith, vencedor deste ano da edição estadunidense do "The Voice" (absolutamente tocante o som que sai da alma dessa criatura). E ouvir Jordan me trouxe de volta pro presente. E me lembrou que o presente me reserva novas experiências e novas pessoas, que serão as lembranças num outro momento. 

Saudade quase sempre é doída. Mas não precisa fazer com que a vida seja sofrida. Afinal, uma lição que a gente sempre aprende, e reaprende, quando alguém que a gente ama parte, é que nós temos de viver a nossa vida plenamente, e da forma que mais feliz nos fizer.

É isto.


P.S.: Meu agradecimento sincero a José Soares, Lorena Possa, Edu Caxa, Anônimo que eu acho que sei quem e Elaine Chermont, pelos comments tão carinhosos no post passado.  De verdade, muito amor ler o que vocês escreveram, muito obrigado. 
P.S.2: Quero ver é acordar 7:00h pra trabalhar.
P.S. Final: Fui ver a letra da música. Pensei no "sem motivo aparente" de que falei aí acima. Enfim, fiquei meio com medo dos mistérios do funcionamento do cérebro.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

ainda, o Humberto Explica

Eu nunca tive coragem de fechar o blog. Passou a vontade de escrever, a vida ficou corrida, comecei a achar estúpido e desnecessário ficar comentando sobre o que fosse, e de repente me pareceu muito desinteressante a ideia de nego que eu nem sei quem (ou pior, nego que eu sei quem) lendo sobre minha vida. Mas, ainda assim, nunca tive coragem de fechar o blog.

Em parte por pesar. Porque não o fiz no auge, quando tinha trocentos leitores, que comentavam sempre, e quando seria a hora de parar. Em parte porque provavelmente não era a hora de parar.

Muito do lapso gigantesco sem escrever por aqui deveu-se a uma série de perdas que fez a vida ficar pesada. Perdas doloridas. Perdas de pessoas que eu amo, amo muito. Não queria escrever. Muito menos aqui.

O Humberto que escreve agora é muito, muito diferente do Humberto que criou este blog. Antes mesmo que meus amores partissem, muita coisa aconteceu e tudo isso me mudou/marcou muito. Se ainda tiver algum dos leitores antigos por aqui (se ainda tiver alguém lendo blog, ainda mais este, em 2016), certamente se lembrará do tipo de preocupação que eu tinha no começo (basicamente romance, gente, olha que bonitinho era essa criatura, sofria por amor). Tudo mudou.

Um belo dia (hoje, no caso), eu senti que quero voltar a escrever. Porque eu preciso. Nem que seja pra praticar. Não sei ainda sobre o que me apetecerá escrever. Não rola vontade de falar sobre o que eu passo ou vivo (fase meio Dietrich), não sei os "assuntos do momento" porque praticamente aboli televisão e portais de "notícias" da minha vida, não tenho bagagem pra falar de política, nem vejo em quê minha opinião ou meu ponto de vista sobre o que for acrescentaria alguma coisa nessa imensidão de gente palpitando sobre tudo que se tornou a internet. 

Mesmo assim, dá licença. Vou tentar retomar a frequência neste blog. Porque eu acho que ele merece. Porque eu quero. E porque, ainda que não saiba exatamente sobre o que, eu acredito que ainda mereço o prazer que escrever sempre foi pra mim. Teje reativado, O Humberto Explica.

Se alguém aí ler isso, aceito muito sugestão de pauta. Põe aí nos comentários, qualquer que seja o assunto. Se eu tiver (na verdade, se eu achar que tenho) o que dizer sobre ele, faço um post. Se eu não tiver o que dizer sobre o assunto, ainda melhor (porque vai valer como exercício, de redação, de perspectiva...).

É isto. Com sorte, dia sim, dia não, dia talvez, há de ter texto novo aqui. Até que chegue a hora de, definitivamente, fechar a bodega.

Um abraço.