sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

no need to get uptighter


Exausto. Moído. Muito, muito cansado. Sem tempo nem pra escrever todos os posts que eu prometi escrever. E ainda assim, nada de o sono vir nesta madrugada. O motivo não era claro no começo, parecia ser só o calor infernal neste verão de 2016, mas depois ficou meio evidente: era saudade.

Sem motivo aparente eu me peguei assistindo um clipe antiiiigo do Supertramp, das lembranças mais antigas da minha vida (morria de medo do clipe, porque o moço só se ferrava, e apanhava, e todo mundo fazia pouco dele -- e eu morria de dó). Desse foi pra um outro clipe velho, que foi pra outro, que foi pra outro ainda mais musicalmente idoso (passei até por "We Are the World", mas esse vai merecer post próprio).

Não era saudade dessas músicas. Acho que era saudade de colo (porque todos de quando eu era criança). Nem saudade de colo, na verdade. Saudade da minha Mãe. Saudade de Dona Mãe sentando na minha cama pra contar caso de gente que eu não conhecia ou não me importava -- mas que ouvia porque gostava dela contando. Muita saudade da minha Dona Mãe. A vida seguiu, como não haveria de ser diferente, e como ela mesma me lembraria de fazer, mas há aquelas horas em que bate como um murro no estômago: tá tudo bem, tá tudo em ordem -- mas minha companheira foi finalmente descansar, seu, sabe Deus o quanto, merecido descanso.

A saudade da Minha Mãe puxa a saudade de outras pessoas (e inclusive dos bichos) que me fizeram quem eu sou e que já se foram. Madrinha, parceiro, amigos. Todo mundo que, parece, foi muito cedo, mas que, a gente sabe disso de alguma forma, partiu quando tinha de partir, quando cumpriu o que veio cumprir.

Dói? Dói. Mas assim, como no clipe lá do Supertramp, mesmo as lembranças doídas, nesses casos, são lembranças bonitas, porque mantêm vivos em você os momentos todos que você teve a felicidade de compartilhar com quem partiu -- tudo, as risadas, as brigas, os apertos, as alegrias. Tudo.

Os clipes antigos me chamaram a atenção pelas vozes dos cantores famosos num passado nem tão distante assim. Acabei me perguntando que hoje em dia tem uma voz potente e marcante como a daquele grupo de ícones em "We Are the World", por exemplo. Parei na apresentação do Jordan Smith, vencedor deste ano da edição estadunidense do "The Voice" (absolutamente tocante o som que sai da alma dessa criatura). E ouvir Jordan me trouxe de volta pro presente. E me lembrou que o presente me reserva novas experiências e novas pessoas, que serão as lembranças num outro momento. 

Saudade quase sempre é doída. Mas não precisa fazer com que a vida seja sofrida. Afinal, uma lição que a gente sempre aprende, e reaprende, quando alguém que a gente ama parte, é que nós temos de viver a nossa vida plenamente, e da forma que mais feliz nos fizer.

É isto.


P.S.: Meu agradecimento sincero a José Soares, Lorena Possa, Edu Caxa, Anônimo que eu acho que sei quem e Elaine Chermont, pelos comments tão carinhosos no post passado.  De verdade, muito amor ler o que vocês escreveram, muito obrigado. 
P.S.2: Quero ver é acordar 7:00h pra trabalhar.
P.S. Final: Fui ver a letra da música. Pensei no "sem motivo aparente" de que falei aí acima. Enfim, fiquei meio com medo dos mistérios do funcionamento do cérebro.


7 comentários:

Clenio disse...

Força, querido amigo. Não tenho nem ideia do tamanho da dor que vc anda sentindo, mas estou aqui sempre que quiser papear. Grande beijo.

Clênio
www.lennysmind.blogspot.com
www.clenio-umfilmepordia.blogspot.com

o Humberto disse...

Tá tudo em ordem, Cleninho, obrigado. Saudade é constante, mas você conheceu a criatura, pode imaginar que é só lembrança boa. Então tá tudo em paz. :)

Bjo pro sr.

Jose Soares disse...

Mais....mais......escreva mais.....letras assim não são para ficar presas na mente!!!!

Eduardo de Souza Caxa disse...

Feliz Aniversário!

Elaine Chermont. disse...

Já estou na expectativa de novo texto Humberto,volte logo menino,um abraço imeeeenso!

Margot disse...

Saudade de mãe doí demais Humberto..... sei como é. A falta do colo, da mão no cabelo, do sorriso sincero, do amor gratuito. Doí, doí muito!

Abraços e como disse o Zé...escreva!

Vanda disse...

Entendo exatamente o que você está falando! Saudade de mãe dói! Saudade dos amigos e de todos aqueles que fizeram parte de nossa vida, dói demais.