sexta-feira, 1 de abril de 2016

sort of free

Era tamanho o descaramento no dia do resultado do 1º turno das eleições em 2014 que eu decidi que não ia mais ler portal de notícias na internet. Nada mais daquela olhadinha matutina (e o dia inteiro) em sites como Uol, Terra, coisas do tipo. Porque além da vergonha que eu sentia da parcialidade e da forçacão de barra pra tentar eleger Aécio, já há tempos eu vinha me questionando sobre qual a necessidade de saber que "Adriane Galisteu não penteou os cabelos do cu" ou que "Mulher-Jurubeba toma sol na Barra" ou que "MMMAAAIIIOOORR CCCIIIDDAADDEE DDDAAA AAAMMMEERRRIIICCAAA LLLAATTTIINNAA, São Paulo bate recorde de engarrafamento" (Yay!, acho que é pra comemorar que informam isso, né?).

Depois veio a decisão de parar de assistir a programação da TV aberta (e, neste caso, nem preciso citar exemplos, né?).

Pra completar, praticamente desativei todas as redes sociais.

Em um dado momento achei que ia virar um E.T., que ia conseguir me tornar ainda mais antissocial do que a idade já me havia tornado. Me perguntava muito sobre o que ia conversar com as pessoas, se teria assunto em comum pra conversar com elas.

Bom, a segunda coisa que descobri é que se a pessoa só tinha como assunto pra conversar comigo a grade televisiva da Globo, a pessoa não é alguém com quem eu gostaria de conversar. Sei que você aí que me lê deve conhecer pelo menos uma ou outra pessoa que passa O DIA, A VIDA, assistindo tudo que a Família Marinho quer que ela assista. Deus me livre tamanha pobreza de espírito.

A terceira descoberta foi que muito mais gente parou com a TV aberta. Gente que optou por Netflix, gente que vê suas séries. Tem até gente que prefere ler, veja só.

Ao contrário do que imaginei inicialmente, passei foi a ter mais o que conversar com meus amigos. Porque o assunto principal passou a ser a gente mesmo, nossas vidas, nossos sonhos, as pessoas que nos rodeiam.

Eu sei, parece meio órbita umbilical, mas são conversar muito menos alienadas do que eu faço parecer. Na verdade, é justamente o contrário. Os diálogos e a troca de ideias partem de uma visão agora bem mais crítica do mundo (e de quem "informa" sobre o que acontece no mundo.

Há algumas semanas, precisei reativar minha conta no Facebook (já novamente fechada). Era quase unânime entre os amigos de lá um sentimento de revolta diante da forma como a emissora Rede Globo vem cobrindo (causando em boa parte, pra variar) o caos no país. Donde veio a questão que por ora me encuca: se já temos informação, se já se nota claramente a manipulação e os interesses da supracitada emissora, por que raios as pessoas AINDA assistem isso? 

Sempre me cai o cu da bunda pensar que onde haja uma televisão ligada, num hospital, num boteco, numa academia, tá a porra da Globo ligada. Cai-me o cu da bunda 20 vezes pensar que no domingo, normalmente dia que a pobrada tem pra descansar, as pessoas VOLUNTARIAMENTE liguem a TV pra assistir Faustão. O que explica isso? Por que ainda isso? Até quando isso?

Tudo isso, em parte, pra eu ter assunto pra escrever aqui. E pra dizer que a primeira descoberta que eu fiz quando optei por não consumir conteúdo de portais e de canais abertos de TV foi que eu não apenas conseguia viver sem isso, como consigo viver muito melhor. Meus dias rendem muito mais. Se eu me canso (porque a vida cansa a gente, vocês sabem), é um cansaço físico, não é um esgotamento. As opções se abriram. 

É isso, não sei terminar este post. Não era pra concluir nada mesmo, nem pra cobrar de ninguém que façam o mesmo que eu tenho feito (porque senão eu seria apenas mais idiota que esses veículos todos citados). É mais pra abrir a discussão mesmo. Senta aí, vamo conversar.


P.S.: "Mas Humbeeeerto, como você se informa do que se passa no mundo, então?" El País Brasil e, principalmente, Jornal da Record News, com Heródoto Barbeiro (21h, horário de Brasólia). Só de vez em quando BBC Brasil, The Guardian, The Economist. E, muitas vezes, algum dos bons amigos que me atualiza.
P.S.2: E vocês, aí, que tipo de informação (e de qual fonte) vocês consomem?
P.S. Final: Já adorei novela, já adorei muita coisa de TV aberta. Entendo que tem (MUITA) gente que ainda gosta disso. Só pra mim é que não dá mais mesmo. Uma trama protagonizada por uma Marina Ruivarbosa jamais conseguiria me tocar como um folhetim estrelado por Betty Faria, por exemplo. Call me velho, mas pra mim já não dá.
Só mais um P.S.: Até com revista eu parei, cês acreditam? Que sentido faz ler uma coisa manjada que todo mundo já sabe que aconteceu há trocentos anos? Que interesse pode ter uma pessoa sã numa revista cuja principal matéria é um perfil da "blogueira de moda Fulana que você nunca viu e nem precisava mesmo ver"?