terça-feira, 25 de abril de 2017

estrada

Madonna.

A primeira palavra que me veio à mente na hora de digitar alguma coisa foi "Madonna". Não é a mesma Madonna que está por aí. Era a outra, a Madonna pré-Hardy Candy. Era, naquele momento, a Madonna de Confessions. Era o último respiro daquela Madonna que não precisava se escorar em ninguém (talvez em Marilyn, ou no ABBA, mas enfim) pra ser Madonna. Não existia nem Lady Gaga nessa época.

Parece o século passado. Mas foi só 10 anos atrás. Exatamente 10 anos atrás, numa tarde de abril, quando um empolgadíssimo Humberto jurava que estava finalmente encontrando seu caminho no mundo do jornalismo. Em 10 anos mudou Madonna, mudou o jornalismo, mudou principalmente o Humberto. 

Alguém aí? E, se sim, pronto pra longa prosa? Então se joga.


Este blog (falar blog em 2017 já soa engraçado, né?) começou num workshop. Como inúmeras vezes lembrando em muitos posts, surgiu absolutamente do nada, quando em um minuto eu tive de pensar numa ideia e num nome. Num minuto mesmo, 60 segundinhos. Naqueles tempos de MSN (ah, o passado), me ocorreu que as muitas amigas minhas viviam me perguntando coisas, e eu pensei que falar sobre isso num blog resolveria a questão pra mais de uma de uma só vez. Daí "o Humberto Explica". Não porque eu tivesse a pretensão de saber sobre o que quer que fosse, mas, enfim, em um minuto, foi até boa a ideia.

No fim das contas, o que era pra ser só um blog teste, que duraria ali aqueles 4 dias de workshop, acabou ganhando vida própria. Ganhou leitores, muitos leitores (foi incrível isso, de verdade). Muitos desses leitores se tornaram amigos que são amigos até hoje. E tudo isso numa fase em que eu vivi de um tudo.

Em 2007 eu estava um pós-adolescente, acabando de me dar conta de um detalhe muito importante na minha História, e vivenciando todas as novas experiências que isso me proporcionava, as boas, as ruins e as surreais. Eu compartilhei muitas delas aqui, sem medo de ser feliz. 

Aqui, agora, neste tarde da noite, deixa ver o que eu lembro, só pra registrar.

Este blog viu todo um jardim de flores roxas. Lembram delas? Aquelas que nascem no coração dos trouxas. Ali, entre 2007 e 2012, com todo aquele apogeu e decadência entre 2009 e 2011, muitos foram os posts sobre os flertes, os encontros, as decepções. Até que uma hora parou. Parou tudo, inclusive, parou de acontecer e parou minha vontade de contar.

Este blog nasceu juntinho com a ascenção de Amy Winehouse. Minha Amyzinha. Talvez a maior musa, de verdade daqui. Porque sempre foi verdadeira, sempre foi ela mesma. Sempre extraordinária. Muitas, muitas outras mulheres maravilhosas sempre tiveram vez por aqui, mas a título de lembrança, e até pra simbolizar a grandeza e o brilho de todas, vou destacar minha Amy mesmo.

Embora valha mencionar sim, uma outra estrela: Adriana de Oliveira, aquela modelo mais linda do mundo, que morreu aaaanos antes de eu escrever aqui. O post sobre ela foi, e continua a ser, mesmo com o blog praticamente parado, o mais lido. Muita gente ainda comenta. É realmente notável o fascínio que ela, quase 30 anos depois de seu trágico (e, pra mim, revoltante fim) ainda causa nas pessoas.

Por anos, praticamente todos os 10 anos, um assunto recorrente, praticamente foi O assunto aqui foram as mulheres. A busca (hoje em dia não tenho mais permissão pra falar de busca) por igualdade, a discussão sobre igualdade, sobre injustiças, sobre misoginia, sobre a realidade das mulheres. Eu tinha acabado de defender um TCC de 220 páginas na faculdade de Jornalismo sobre a imagem da mulher na publicidade em revista quando comecei o blog, então sempre, SEMPRE, houve espaço pra debater o assunto aqui. E como foi debatido. Um blog com muitas leitoras, sempre rendia. Hoje em dia, penso, a coisa se desencaminhou de uma forma tal que, pra começar, não se pode discutir. Apenas se observa. E, aparentemente, por ter pinto eu não posso falar de mulheres. Eu, que sempre dei o berro aqui pra que a mulher fosse tratada e tomada como o ser humano completo que é, agora posso apenas assistir estupefato o que me parece um retrocesso, uma desumanização da mulher sob o disfarce de "empoderamento" (o blog é meu, eu vou falar: Deus, como eu ODEIO esse termo estúpido). Bom, e já que é 2017, não mais 2007, e eu não tenho mais autorização legal pra me expressar, vou deixar pra que Camille Paglia, que não tem pinto, diga o que eu gostaria de falar hoje, neste post sobre o assunto (clica aqui pra ouvir).

Na verdade, justamente esse estranho caminho que o mundo foi tomando foi um dos motivos que me fez ir parando de escrever aqui. Em determinado ponto ficou muito claro que você escreve uma coisa, mas as pessoas leem o que querer ler, entendem o que querem entender (nem me venham com aquela de que "uma vez publicado, o texto não é mais do autor, é do receptor blabla. OK, quem lê interpreta, discute, isso é comunicação, mas mudar completamente as palavras do autor foge um pouco da brincadeira e beira o mau caratismo, pra não dizer a burrice). Hoje em dia você posta um clássico da revista nacional, como a icônica capa da Claudia de 1976, com a Dalma Callado de turbante azul, e te chamam de opressor feminino. Não há WTF?? suficiente pra descrever o Whatafuckismo.

Esse mismatch entre o escrito e o lido foi só um dos motivos. Outro, muito doído, foram os amigos que partiram nesta última década. Ainda me machuca bastante ler os comments de pessoas tão queridas e lindas, sempre muito presentes aqui, que já se foram. É sempre muito triste pra mim pensar que se foram. Eu ainda preciso compreender.

Some-se mais dois motivos: As revistas (como a Claudia supracitada) foram morrendo. Morreram as minhas favoritas (a Playboy acabou, depois ganhou um arremedo, que sai quando dá na teia do editor; e a Nova, minha Novinha das capas toscas mais lindas, assumiu, com 40 anos de atraso e na hora errada -- de quem foi essa ideia fraca?-- o nome da matriz estadunidense, Cosmopolitan: em outras palavras, acabou também). Eu me pergunto cada vez mais, inclusive, quem ainda lê revista. Quem compra? Como o sonho, de mais de duas décadas, de jornalismo acabou, há pouco tempo eu precisei criar coragem e doar toda aquela minha hemeroteca pra reciclagem. Durou 5 minutos pra recolher. Doeu como se eu estivesse arrancando uma parte do corpo. Mas precisa seguir a vida. As revistas não tinham já mais espaço, nem fisico, na minha vida.

O outro motivo, o principal mesmo, é que eu não via mais por que escrever. Como não há mais diálogo, escrever seria apenas soltar palavras. Apenas dar minha opinião (que não mudaria em nada a opinião de quem quer que lesse). Qual o sentido de dar minha opinião por dar? Minha opinião nunca teve importância nenhuma, e solta, sem um toma lá dá cá, aí mesmo é que ela se torna mais desnecessária. Se for pra ser só mais uma opinião estúpida na internet, como as zilhões que vemos diariamente, melhor manter só pra mim mesmo.

Enfim. Este nem era pra ser um post longo. Era só pra registrar que, brincando, brincando, este espaço chegou aos 10 anos. Minha ideia era fazer deste post o último. Talvez acabe sendo. Seria o correto. Mas, em todo caso, deixo aqui. Pro caso de o santo baixar uma outra hora e eu resolver escrever.

Pra quem chegou até aqui, fica sempre a sugestão pra dar aquela lidinha nos posts antigos. Os de 2011, por exemplo, são muito bons. Eu mesmo faço isso, até porque o distanciamento me permite ler com outros olhos. O Humberto que lê não tem mais nada, ou tem muito pouco, daquele que escreveu tanta coisa anos atrás.

Faltou falar de música. Ainda hoje a coisa que eu mais amo. Não por acaso meu post favorito é este, de 2012. Mas música a gente deixa pra ouvir; não precisa mesmo falar.

Bom, então, neste 25 de abril de 2017, encerro dizendo o que valeria pelo texto todo: Obrigado.
Até.


P.S.: Como teve P.S. neste blog: Falei ali d meu post favorito. Mas acho que o melhor, o mais preciso, o que mais simboliza tudo que se viveu nesses 10 anos foi esse aqui, ó.

Agora sim, segue a vida.

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